Arquivo do ano: 2012

Trilha sonora: Clube do Balanço Saudade de Jackson do Pandeiro

A Internet está acabando com a saudade. É no exterior que aflora com mais intensidade esse feeling que só brasileiro tem. Os demais povos têm nostalgia, lembranças. Saudade, como diz a música, é coisa de brasileiro. E de saudade eu entendo. Mais de trinta anos fora do Brasil consolando e consolado nas perdas, sonhos, frustrações, desejos, derrotas e vitórias.

    

O cartão postal russo C Novim Godam está comigo ha mais de quarenta anos. Alimentando saudades. Neste fim de ano recebi quatro postais pelo Correio. Os demais por e-mail. Sinto saudade de abrir envelope. 

      

Foto 1: O embaixador Henrique Rodrigues Valle, o segundo da direita para a esquerda, com estudantes brasileiros em Moscou. Na foto 2: A chilena Dra. Alicia Canales. O primeiro à direita, Dr. Burza, psiquiatra brasileiro. O último à esquerda é o renomado pintor Yuri Gasparov.

O Brazilian Promotion Center, 37 West 46, no centro de Nova York, com variedade de serviços, foi também um consultório de psicanálise e de psiquiatria. Lágrimas, choro convulsivo, desmaios, orgasmos, delírios, desajustes, raiva, alegria.

               

O paulista de Franca, Paulo Nascimento, jornalista na ONU, abrigou-me em seu apê na Prince Street. Benito Romero, mineiro de Nanuque, pioneiro e líder da colônia brasileira. A primeira edição do jornal The Brasilians em dezembro de 1972.

“Doenças da saudade” contaminam.

Um samba do Martinho da Vila, na madrugada gelada, chorava. Um filme água com açúcar tipo Love Story, chorava. Um rabo de saia brasileiro, eu me apegava, choramingando. Vivia um non stop trip de Coité/Cuiabá/Brasília/Moscou/Suécia/Noruega/Paris/Nova York.

Comendo vestindo falando dormindo transando trabalhando Brasil 25 horas por dia eu cheguei a bagaço emocional. Nesse momento deixei a vodka que conhecera em Moscou e passei ao Chiva´s. Fumei maconha no Central Park.

No Village, ao lado da universidade de Nova York, transei sob efeito de haxixe ouvindo The Land of make believe de Maggione. Mas, o Day by Day era Eu. Não tinha ninguém. Não tinha fiador. Ate bater bola, aos sábados, no Central Park, com vários craques latinos, deixei. Um tornozelo, um tranco, uma queda. E os serviços oferecidos e prestados?

A responsabilidade. O peso das marcas e títulos brasileiros: Clube Brasileiro de Viagem, Vôos charters, Brazilian Promotion Center, jornal The Brasilians, Aulas de Português/brasileiro, Traduções, Turismo receptivo, Mercado Brasileiro, Shows brasileiros, Carnaval do Brasil, a Rua brasileira, o Dia do Brasil…

     

À esquerda, o paraense Mario Castilho da Segurança pessoal do prefeito de NY. Edward Koch no palco do Dia do Brasil. A placa Little Brazil, na Rua 46 com a Quinta Avenida é oficial da prefeitura. A casa de Albert Eistein em Princenton.

Credibilidade, disciplina, persistência.

As únicas armas que eu tinha na mais competitiva e dadivosa cidade do mundo. Nada e ninguém podiam interferir. Se falhasse o brasileiro não seria respeitado no melting pot que é Nova York onde se é identificado não pelo nome, mas, pelo país e a imagem que se tem dele. Eu não podia sujar o nome de minha gente, de minha terra. Cortei os embalos de Saturday Night.

A competição desleal conseguiu um baile uma semana antes do meu. Dois carnavais brasileiros no mesmo hotel? A credibilidade conseguiu algo jamais feito na cadeia Hilton de hotéis. Um contrato de dez anos com o Waldof Astoria.

O sucesso do Carnaval do Brasil no mais famoso hotel do mundo durante quinze anos consecutivos resultou de sua continuidade. De sua autenticidade e qualidade promocional. Com reservas de camarotes e quartos pagos com antecedência eu tinha sempre cash available para outras promoções. Nunca falei disso. A quarentena acabou. Mas foi só crédito, samba e simpatia? Não. Há uma bela e influente mulher texana nessa minha história de sucesso.

“Você tem que ir ao Brasil”.

             

Sheri, grande incentivadora. As hostess do Baile do Galo com camisetas doadas pelo presidente Kalil. O amazonense Trajano e o Gaucho. Da turma dos que acreditaram. Estavam comigo no Primeiro Dia do Brasil. Pau pra toda obra.

Com os 5 mm de Valium o Dr. Jesus Cheda recomendou: “Vá imediatamente ao Brasil”. Na mosca. Mas, passei quatro horas com um emérito da UFRJ em sessão tipo primal cry. Regredi. Chorei pacas. Matei saudade do Chope do Amarelinho no Caneco 70.

Nunca tinha entrado num motel. Virei freguês do VIP´s na entrada da Niemayer. Descobri o outro Rio. Bem diferente daquele que conheci da sede da UNE comendo no Praia’s Bar com um pouco mais no prato cortesia do garçom Senador. Taberna da Glória. A Spaguetilândia no Largo do Machado. O Llamas não era pro meu bico.

Conheci o ilustrado Milton Coelho da Graça na baiúca do cuiabano, poeta, líder trabalhista, Silva Freire, na Rua Correa Dutra. Quem diria?!  Anos depois lá estava Milton Coelho da Graça, correspondente em Nova York.

       

A querida enfermeira Natasha. Com o casal Karl e Brigitta em Uppsala, Suécia. O deputado federal Wilson Fadul abrigou-me em seu apartamento em Brasília. Estudei no Elefante Branco. Vice presidente da UESB fui escolhido para a delegação do Brasil ao Festival da Juventude em Helsinki, Finlândia. Viajei com a roupa do corpo. Fui a Moscou. Fuçei por uma bolsa. Consegui Na colorida Mário Palmério o homem que “inventou a saudade”. Ouça a guarânia de sua autoria,

Onde transar? Peguei uma vaspalenia liorki no Parque Gorki.

Parceira sexual em Moscou não era difícil. Estrangeiro. Jovem. Ainda mais com 90 rublos por mês. O difícil era guidiê. Onde? Foi transando num banco do Parque Gorki, a cinco graus abaixo zero, sufocado pelo casacão, cuecão, meias, botas, que contraí uma vaspalenia liorki. Em Nova York tudo available, mas, haja Money.

              

À esquerda, Dr. Jesus Cheda. O vice-presidente da República Aureliano Chaves com Morgan Motta, colunista social do TB. Adriana Krambeck entre Francisco de Matos e Paulo Bezerra. Meus convidados ao Vaticano. Na viagem à Roma conseguimos agendar Cuiabá-com direito a pernoite-na segunda visita do Papa ao Brasil. E Julie Christie, adorável Lara do filme Doutor Jivago, proibido na URSS. Fui vê-lo em Estocolmo. Anos depois Julie/Lara caminhava pela 46 em direção à Broadway. Joguei duas palavras em russo. Ela se virou. Sorriu. Fisguei. Tomamos um Brazilian Coffee. Como não sentir saudade de momentos com esse?

Fartura sexual como no Brasil não há.

Nessa primeira volta ao Brasil apaixonei-me pela mineira Mariana do bordel da Alice na Rua Pedro Américo. Queria, por que queria levá-la para Nova York. O primal cry explicou. “Menino, eu levava bacia com água para as mulheres-da-vida que trabalhavam no Bar-Bordel-Casarão de palha do meu pai adotivo no garimpo do Coité”.  A primeira transa completa foi num bordel em Cuiabá.

Tava explicada a minha paixão pela mineira do bordel da Pedro Américo. Inflação, corrupção, nada dificulta a fartura sexual no Brasil. Era como se eu estivesse em Passárgada. Comprei apartamento no Leblon. Em Copacabana. Na Rua Konning, em Ipanema. Vim. Vi. Matei saudades. Voltei mais centrado. Com mais ímpeto para o american dream. Tudo que fazia dava certo. Nunca mais tomei Vallium.

O webcam tira o feeling da saudade.

               

Saudade de quem se foi é cinzenta. Mas, necessária para manter a experiência vivida. Como tirar Marilyn do imaginário. Esquecer vozes como a de Pavarotti e Whitney Houston. O estilo único de Anthony Quinn. 

Com três dias de Nova York a moçinha dizia: “ai Jota, estou morrendo de saudades de vovó, de feijão, de goiabada com queijo, do meu namorado”. A saudade só acontece na distância. Na ausência. De quem está perto, do nosso lado, a gente sente amor, raiva, compaixão, desprezo, paixão. Saudade de gente morta é diferente. Tem tons cinza. Mas, vale como sentimento inevitável. Quase todos os dias ouço Nat King Cole.

Ao ver, tocar, ouvir, a saudade diminui. Com o webcam falamos ao vivo com as pessoas. Podemos dormir com a maquininha ligada na xana da mulher amada. Mesmo correndo o risco de alguém deletar o vivo e nos enganar com uma imagem perfeita de cópia perfeita.

O Skype nos dá riso e choro, ao vivo. Compra-se pela internet: feijão, farinha, carne seca, palmito, goiabada, guaraná, café, a revista Capricho. Novelas podem ser vistas no exterior. A Internet está acabando com a saudade.

Nesses trinta anos de saudades reais e irreais concluí: saudade, para mim, tem que ser concreta. Na teoria. No abstrato. Nas nuvens, não funciona. Não se tem saudade de quem não se conhece. Não há saudade futura. Nem presente. Tem-se saudade é daquilo que passou. Daquilo que se viveu. Apalpou. Sentiu.

           

Foto de João Paulo II da viagem ao Vaticano. Thomaz LoveJoy sendo agraciado com a medalha do Mérito Ambiental. Orlando VillasBoas no Dia Mundial do Meio Ambiente. Magnífica promoção em Cuiabá.  Sem os ensinamentos e o esforço pessoal do antropólogo João Vieira, mestre da UFMT, o maior evento até hoje realizado no Brasil para celebrar o Dia Mundial do Ambiente, não seria o sucesso que foi. A cantora e ambientalista Tete Espíndola levou àgua de Chapada para Brasília. Festejamos o dia da criação do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. Ato assinado pelo presidente José Sarney. 

Mas, também não há saudade permanente, forever. Sempre confundimos saudade com recordação. Saudade com nostalgia. Saudade com tristeza. Um dos grandes responsáveis pela fixação de saudade no nosso imaginário foi Mário Palmério com a sua famosa e bela guarânia.

Já que saudade é coisa de brasileiro revelo algumas atuais:

Sinto saudade de tocar na neve de Moscou.

Da professora Irina, a minha primeira transa pa russki.

De todos os lumumbeiros de minha geração.

Da cubana Márcia Perdomo. Da chilena Alicia Canales.

Do mato-grossense Henrique Rodrigues Valle, embaixador do Brasil em Moscou. Impulsionou-me e conseguiu o meu visto de entrada para os Estados Unidos.

Dos meses no sanatório para tuberculosos às margens do rio Volga.

De Karl e Briggita, casal que me acolheu em Uppsala, cidade universitária da Suécia.

De Natália, aeromoça do meu primeiro vôo Moscou/Nova York.

Do professor e economista Sebastião Sant Anna e Silva. Chefe e amigo na Delegacia do Tesouro Brasileiro. Meu primeiro e único emprego em Nova York.

Daquele dia na Princenton University sonhando em continuar meus estudos de Direito Internacional. Andando pela calçada da casa de Albert Einstein.

De Paulette Erehnburg. A minha primeira girl friend norte-americana.

De Séfora.

De Sheri.

De Regina.

De Suely. De Lygia. De Marlene.

Dos ensinamentos super práticos do professor César Iázigi.

Da Prince Street e de Paulo Nascimento, meu primeiro e único room mate em NY.

De Joaquin González, espanhol-brasileiro. Do inesquecível Brazilian Pavillion Restaurant.

De Benito Romero. Pioneiro de todas as coisas. Solidário com todas as saudades brasileiras.

Do humor e da energia de Maria de Los Angeles, cubana-americana.

Da Tânia Mara do Coisa Nossa.

Da Cida do Feitiço do Village e do Black Beans.

Da Cristina Koenikgan.

De Maria Helena e Richard Lim.

De Amilcar Moraes. De Peter Martins. Do General, Carlos Wattimo. Do Helio Gusmão.

 Do Luiz do Via Brasil Restaurante. Do Francisco de Matos.

Do Raimundo, das pedras preciosas. Do 50. Do Pé-de-valsa. Do Waldir.

Do Marco Aurélio do Chateau Bahia. Do China. Do Trajano. Do Nagib.

Do Mauro. O nosso Midnight cowboy. Meu “sócio” no Carnaval. Deixando gente entrar pela cozinha no Ball Room do Waldorf Astoria. Faturando cinco, seis, meses de seu aluguel. Eu sabia. O que fazer? Chamar a Segurança? Ele não tinha o Green Card. Como outros,  Mauro fazia parte do contexto do meu êxito. Saudades ensinaram-me a não ser ganancioso. Nem canalha. Nem selfish.

Muita saudade dos “ilegais” do batente e do sonho na grande metrópole. Eles acreditaram. Puseram o patriotismo para fora. Vararam madrugadas decorando, limpando, pregando bandeiras, para o Dia do Brasil. Quando passei o “livro de ouro” e o prato, poucos acreditaram. Do III Dia do Brasil em diante, vários passaram a colaborar. Alguns ainda com um pé na frente e outro atrás.

Saudade dos Brazucas do primeiro Dia do Brasil. Para eles a minha saudade será eterna. Eles estarão sempre na minha história nova-iorquina. Eles são parte do sucesso do maior festival brasileiro no mundo. Há 27 anos. Bela história para o Globo Repórter, Fantástico, Domingo Espetacular, Jornal da Cultura…

De Saraiva do Portuguese Times, de Newark, New Jersey. Incentivador, diagramador e colaborador do recém fundado (dezembro de 1972) jornal The Brazilians. Com Z. Saudade da sua Comphugrafic com tipos em português, de Portugal. Muitas vezes fui de madrugada, sob neve, corrigir letras em Newark. Director. Colocar a letra e entre um c e um u. Refazer legendas. O tamanho de títulos. Como não sentir saudades disso? Insistimos com a IBM e outras empresas que finalmente passaram a produzir bolas, digitadoras, computadores com fontes em português, do Brasil.

Do Sayonara de Nazir Bucair. Do Bataclan de João Balão. Do La Barranca às margens do rio Paraguai em Corumbá.

De Wilson Fadul.

De Caribé da Rocha. De Márcio Pacheco.

De Hugo Rezende.

De Plínio Salles, do Brain Bank.

De ouvir Maria Elvira Salles Ferreira.

De Maria Rosa

Saudade de Hespéria, Jota e Marcio.

De Malu da viagem a Paris.

De Rosinha, Luis, Arsênio, Fornaro.

De Laura Antonelli.

Muita saudade do Primeiro Dia do Brasil.

De Ivan Trilha com Mary Terezinha, em Nova York.

Da vibração, das lágrimas, ao som do Hino Nacional cantado, pela primeira vez, no centro de Nova York. Pelo Coral da Igreja Adventista de Brasileiros de Queens.

Da esquina da Rua 65 com a Park Avenue.

De Miltinho. Com chuva fina caindo sobre Nova York, cantando no encerramento do II Segundo Dia do Brasil, “Foi um rio que passou em minha vida”. Samba enredo da Portela, de Paulinho da Viola.

Saudades de Adriana.

De ter visto O Dia do Brasil no calendário de eventos oficiais da Prefeitura de Nova York.

De Mario Castilho, o paraense, da Segurança pessoal do prefeito de NY. Ele foi vital para estabelecermos  boas relações da comunidade brasileira com a Prefeitura de NY.

Do prefeito da mais espetacular cidade do planeta, Edward Koch, no palco do Dia do Brasil, gritando em português “Obrigado Brasil”. “Obrigado Míster Alves”.. Por essa linda festa…

De ver celebridades, políticos, na porta do famoso restaurante Le Cirque.

Da tarde que deixei o paparazzi Jon Galella fotografar Jaqueline Keneddy de minha janela. E da tremenda confusão com os seguranças dela.

Daquele dia em Brasília celebrando a criação do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. Da grandiosa comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente. Da viagem a Roma que culminou com a visita de João Paulo II a Cuiabá.

Saudade de Laurita Mourão.

De rever a placa Little Brazil na esquina da Rua 46 com a Quinta Avenida/NY

Saudade de cheese cake. De panqueca com mel. Da sopa borchi, salianka.

Saudade de pão preto, do rústico, caviar do Mar Negro por cima, com uma talagada de vodka daquelas de garrafa verde, sem rótulo, bem rabochii, em Moscou 20 graus abaixo zero.

De dois ovos over, bacon, torrada, geléia, chafé, em Coffee Shop típico.

Das madrugadas no Restaurante Brasserie. Lotado de artistas. Celebridades mundiais na fila, após o carnaval no Waldorf Astoria. Cercado por lindas mulatas made in Brazil. Já promovendo o Carnaval do ano seguinte. E todo mundo olhando e babando. Nesta saudade homenageio Sargentelli.

Do hambúrguer do Kentucky Hole.

De uma Chicken a La cacciatora no Humbertos, Little Italy.

De Anthony Quinn. De Julie Christe a Laura de Doutor Jivago.

De um show de Shirley Bassey no Carnegie Hall, para ouvi-la cantar Never, Never, Never.

De um show de Al Green cantando e sussurando How can you mend a broken heart.

De Whitney Houston.  De Marvin Gaye. Dean Martin. Berry White. De Pavarotti.

De Neil Diamond cantando Sweet Caroline e September morning.

Saudade do show de Sergio Mendes no Central Park lotado e de como me senti orgulhoso de ser brasileiro.

Saudades do som de tumbadoras em latin beat. De dois saxes tenores. Dois saxes altos solando a la Help Albert. Naipe de piston. Guitarra em blues. Contrabaixo em soul music.

Saudade do Dia do Brasil em Xangai, China.

Dos especiais natalinos da TV americana. Do Natal em Nova York, o mais bonito e contagiante do mundo.

De Edilberto Mendes, editor, corpo e alma, do jornal The Brasilians que acaba de criar mais saudade com a sua mensagem recente ”Seu filho completa 40 anos”.

Há outras saudades. Mas, sem cartão postal com dedicatória à mão. Sem carta com envelope para se abrir. O e-mail, o webcam, o YouTube yourself, jogaram água fria nas minhas saudades. Persisto e insisto com os meus feelings. Mesmo modernizada, internetizada, saudade é coisa de brasileiro.

Faça uma lista de suas saudades. Irá sentir-se bem melhor.

C Novim Godam. Happy New Year. Feliz Ano Novo.

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 Trilha sonora:  Eliane Camargo Mulher Esperta

 

Há os que não trocam a roupa do corpo e da cama. Não tomam banho até o primeiro minuto do Ano Novo. Há os que, como eu,  esvaziamos gavetas, armários, estantes, caixa postal do velho Correio. Entrada e arquivos de e-mail, o novo Correio. Na seqüência de 500 livros doados à biblioteca municipal de Chapada dos Guimarães já separei mais 200 desta vez para a biblioteca de Poxoréo da minha infância de filho órfão de garimpeiro. Sapatos. Camisas. Calças.

Em Nova York o que mais eu comprava eram livro e LP. Para a grande volta ao Brasil doei os livros e LPs. Como não havia pen drive e outros gadgets da informática e LPs pesam, separei uns 200. Entre os quais originais imperdíveis. E discos da era soviética que eu levara de Moscou para Nova York.

  

Sim, sou o rei do bagulho de coisas guardadas. Talismã de jornadas vencidas. Como a primeira shiliapka, o gorro de frio, que recebi da universidade para o meu primeiro inverno moscovita. Haja espaço. Neste RH e se o mundo não acabar no dia 21 as 21 horas espero zerar o e-mail de O Repórter na História. Escreve que eu publico. Lá vai:

O Peru é que vai nos comer

O Instituto Nacional de Estatística do Peru, não aquele que a gente come, mas o nosso vizinho, informa que a taxa anualizada de crescimento do PIB até setembro superou os 6%. O PIB alcançou até setembro somou US$ 188 bilhões. Os investimentos estrangeiros diretos no período passaram de US$ 8,2 bilhões. As reservas internacionais somam US$ 61,2 bilhões o que corresponde 25% do PIB anualizado. Inflação em 2013 será de 3%. Dadas as proporções o Peru ta nos comendo. João da Silva. Goiânia.

Ganhamos apertado do Paraguai e perdemos do Chile

A Cepal estima que o PIB do Brasil em 2012 só será maior do que o do Paraguai, que teve a produção agrícola afetada por uma forte seca e está em recessão. As previsões da Cepal são desanimadoras. É a terceira vez que revisa para baixo as estimativas de crescimento da economia brasileira, agora para 1,2%.

O Ministro da Fazenda Felipe Larraín, em recente entrevista ao jornal “Diario Financiero”, fez análise detalhada sobre a conjuntura econômica chilena. Destacou que o Chile, com expansão do PIB estimada em 5,5% para 2012, deverá posicionar-se entre as cinco ou dez economias de maior crescimento do mundo. O país, ademais, tem posição credora líquida em relação ao exterior, resultante de ativos totais de US$ 113,0 bilhões e de dívida externa global de US$ 110,4 bilhões (dados de set/2012). (Blog Miriam Leitão, Globo)

 Artigo 55 da Constituição

“Perderá o mandato o deputado ou senador que sofrer condenação criminal em sentença em julgado”.

Artigo 231 do Código de Ética do PT: “será expulso do partido quem for condenado por crime infamante ou por práticas administrativas ilícitas com sentença transitada em julgado”.

Petistas foram sentenciados à prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha. Termino como o Guerrero campeão do mundo È do caralho na Moral Bial ouvir Rui Falcão, presidente do PT avisar: “o estatuto não se aplica a eles”. Em 2013 será pior. Juvenal dos Santos. SP.

Faltou Jesus

             

O deputado João Paulo Cunha, condenado à prisão, diz que chorou muito e até em suicídio pensou. De vergonha homem também chora. Ele sairia da vida para entrar na história como o segundo político brasileiro a se suicidar. Está se comparando a Dreyfus o oficial francês condenado por espionagem. Defendido pelo jornalista e escritor Emile Zola. E se comparou a Sacco e Vancetti, dois anarquistas italianos condenados à morte nos Estados Unidos.

O deputado é um, entre milhões de patrícios, que perdeu a noção do certo e do errado. Como presidente da Câmara Federal ele recebeu dinheiro para “pesquisa”.

Não achou errado. “Nem tudo é no sistema”. “No calor da disputa não tinha como recusar”. Faltou se comparar a Jesus, injustamente condenado não por Pilatos, mas pela cúpula do PT da época. Josué, Brasília.

 

Pecados dos juízes

Numa palestra para novos juízes na Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (ENFAM) no STJ, o conselheiro do CNJ Wellington Saraiva fez um balanço do trabalho da corregedoria do Conselho e enumerou os principais desvios funcionais dos magistrados nos últimos sete anos. São eles:

Juízes que atuam também como empresários.

Tratamento desigual das partes envolvidas nos processos.

Venda de decisões.

Esquema de fraude na distribuição de processos.

Seqüestro e liberação de valores elevados com base em documentos inidôneos.

Excessos de conduta dos juízes, que acabam abusando de suas prerrogativas.

Direção de automóvel sob o efeito de álcool.

Por Lauro Jardim/VEJA.

Joaquim Barbosa, presidente do STF:

“O juiz deve, sim, sopesar e ter em devida conta os valores caros à sociedade em que ele opera. O juiz é produto do seu meio e do seu tempo”.

“Pertence ao passado a figura do juiz que se mantém distante e, por que não dizer, inteiramente alheio aos anseios da sociedade”.

Parabéns Celso de Mello

Sou um rábula de antigamente. Daqueles do interior que acredita no cumprimento da lei. Um jogador pode decidir uma partida e dar alegria à milhões da torcida. O mesmo com Juízes honestos. Joaquim Barbosa é um craque que está jogando a favor da banda sadia do Brasil. E o ministro Celso de Mello marcou golaço com a sua decisão. Ele fez como o cuiabano-presidente Eurico Gaspar Dutra  “olhe no livrinho”. Benedito da Cruz. Cuiabá, MT

 

Maconha mais forte

(Folha de SP): A maconha vendida em São Paulo está mais potente. Análise do Instituto de Criminalística em 35 amostras apreendidas entre julho e agosto na capital apontou uma média de 5,7% no nível de THC, a principal substância psicoativa da droga. Estudo a pedido da Folha. Análise semelhante realizada entre 2006 e 2007 mostrou uma média de 2,5%. O teor de THC aferido é maior do que a média na maconha apreendida no mundo: de 0,5 a 5%, segundo relatório da ONU. Quanto mais potente a maconha, mais forte e prolongado é o seu efeito. “Se pensarmos no uso por adolescentes, os riscos seriam em princípio maiores (de alterações cognitivas, por exemplo)”, explica o médico psiquiatra Dartiu Xavier, da Unifesp.

   

                                                                                   Poxoréo

Fui conhecer Hollywood e a Disneylândia. E vim rever parentes. Sei que o amigo passou a infância no garimpo do Coité ao lado da Rainha dos Diamantes onde viveram parentes meus. Que tal colocar um letreiro no Morro da Mesa em Poxoréu. Sugestão para a prefeita Jane é embelezar a cidade que está num buraco, tanto geográfico como financeiro. Berço de muitas águas. Fauna e flora exuberantes. Visual dadivoso. Acolhedora, clima ameno, a cidade deve estar super florida, muitos canteiros, limpa, sem mau cheiro. Por favor, não cometam o erro clássico de autorizar edifícios. Poxoréu tem que ser bucólica, manter suas Ruas, esquinas, locais históricos. Ao contrário de Primavera do Leste, cidade rica, mas fria, sem atrativos, ainda sem história e que “nasceu” de Poxoréu. Baixar um código de postura e cumpri-lo. (Ricardo Coutinho, Rio de Janeiro/Cuiabá/Poxoréu)

Estranho. Muito estranho.

      

Passei recentemente pela fronteira seca Brasil/Bolívia. Não levava nada ilegal. A arma devidamente registrada. Mas, se tivesse uns 50 quilos de cocaína passaria tranqüila e ricamente. Tudo escancarado. Uma beleza para o pessoal que continua plantando mais hectares de coca. De repente a Bolívia após 100 anos vai para o mercado capitalista com bônus pagando 4.8%? Estranho. Muito estranho. Pra valer? Até quando? Um tipo sofisticadíssimo de lavagem? Leia abaixo a noticia (Adolfo Estensoro. Brasília)

 APÓS CEM ANOS, BOLÍVIA COLOCA TÍTULOS DE 10 ANOS NO MERCADO DE NOVA YORK COM JUROS DE 4,8%! 
    
A Bolívia concluiu com êxito a venda, em Nova York, de bônus soberanos com vencimento de dez anos, no valor de US$ 500 milhões (taxa de juros de 4,8%).   Com a operação, a Bolívia retorna ao mercado internacional de dívidas soberanas após quase cem anos (última emissão ocorreu no contexto de indenizações previstas nos acordos de paz com o Brasil e Chile). A demanda pelos bônus – principalmente por parte de investidores norte-americanos e europeus – atingiu US$ 4, 217 bilhões, bem acima do montante autorizado pelo Legislativo. Especula-se que novas emissões no mesmo valor possam ocorrer em 2013. A Bolívia possui reservas internacionais de US$ 13 bilhões (mais da metade do PIB) e é hoje classificada na categoria “BB-“ pelas agências Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch.

Devolve Genoíno
Mais um acima da lei. O deputado Genoíno, assessor especial do Ministério da Defesa, foi condecorado pelo ministro Nelson Jobim com a Medalha do Pacificador. O Decreto nº 4.207, de 23 de abril de 2002, que regulamenta a concessão da maior honraria dada pelo Exército, é bem claro em casos como o de Genoíno.

          

O Artigo 10 prescreve que perderá o direito ao uso da Medalha do Pacificador e será excluído da relação de agraciados o
condecorado nacional ou estrangeiro que: a) tenha sido condenado pela Justiça do Brasil, em qualquer foro, por sentença transitada em julgado, por crime contra a integridade e a soberania nacionais ou atentado contra o erário, as instituições e a sociedade brasileira; b: tenha praticado atos pessoais que invalidem as razões da concessão, a critério do Comandante do Exército.

 

Tem que aplicar a lei

O General Enzo Peri não deve ficar entre a cruz e a espada. Tem que aplicar a lei. Dignidade e hombridade é o deputado devolver a honraria. Ou o general Enzo promover a cassação, ex ofício, da Medalha do Pacificador concedida a José Genoíno Netto.

Se, o General Enzo Peri deixar a medalha com o condenado no Mensalão, além de ficar queimado com seus pares, acaba desrespeitando o Decreto nº4. 207, que lhe confere poder de cassar, ex ofício, a medalha do condecorado nacional que “tenha cometido atos contrários à dignidade e à honra militar, à moralidade da organização ou da sociedade civil, desde que apurados em sindicância ou inquérito”.

Abestalhados, todos fazendo atalho nas leis do país, a dizer que o General não deve “ficar mal com a presidente Dilma” que ainda não assinou a demissão de Genoíno (ou já?). Ele continua com a Medalha e com o salário do Ministério da Defesa? Presidentes devem dar o exemplo e aplaudir o cumprimento das leis. Eles não estão acima da lei. Paulo de Souza Lima, Brasília.

As prostitutas mais velhas de Amsterdã

 “Os meninos são diferentes agora, eles bebem muito, são gordos e não respeitam você. Eles deveriam andar de bicicleta como meninos holandeses, e não apenas beber o tempo todo”.

As irmãs gêmeas Martine e Louise, 70, as mais antigas prostitutas de Amsterdã felizes e famosas com o sucesso do livro de suas memórias e o filme “Meet the Fokkens” (Conheça as Fokkens) conta a história das gêmeas Louise e Martine Fokkens, que há mais de 50 anos trabalham como prostitutas na “zona”  em Amsterdã.

“Isso é o que sabemos fazer. Se não estivéssemos na rua, o que faríamos? Esta é a nossa vida. Ainda estamos nos divertindo”.

 Nós sabemos os truques, nós sabemos o que eles querem. Nós sabemos como falar com eles e sabemos como fazê-los rir muito.” Martine continua servindo sexo. “A aposentadoria do estado holandês não é suficiente para o meu sustento”. Louise padece com artrite. Não transa mais.

Três celebridades made in Brazil.

Adoro o meu ex-senador. Pra mim ele é sempre O Senador. Ensina os caminhos e atalhos de Brasília. “Claro que todo homem que gosta tem ciúme” diz ele com ar de mestre. No nosso caso temos que ser pragmáticos. Isso aqui não é para amadores. Cantada e transa de segundo escalão não serve. Aproveita que você é top. “Não perca tempo com povinho de 1 milhão”. Ele é o maior jogador de confete que já pulou na minha cama. Não é por acaso que ele está na vida pública há mais de 50 anos. 

 “Ser celebridade no Brasil é fácil”. 

      

“Ter personalidade é difícil. Ser personalidade no Brasil é fácil”. Deitou falação sobre a Geise que aprontou barraco premeditado na escola noturna. Virou assunto de direitos humanos e de feministas que ficaram de peito pra fora na universidade de Brasília. Já com várias plásticas. A última na xana que ela diz ter ficado um botão de rosa. A Catarina soube promover o seu hímen intacto. Comentada pelo mundo da web vai ser capa da Playboy. Uma grana boa para o Natal. A Rosemary do Lula saiu das sombras. È celebridade nacional como a Valéria do Zorra Total. Irene Poconé de Amsterdam/Bélgica/Suíça

Ler dá sono

O exemplo de cima vem. “Nunca li um livro. Não leio jornais”. Retratos do Brasil do Instituto Pró Livro informa que dos 200 milhões de brasileiros apenas 88 milhões lêem. “Falta motivação”. “Saio cedo. A mulher passa umas doze horas vendo TV. Não há livros lá em casa”. Mario Vargas, Sorriso, MT.

 

MARQUETEIRO MEQUETREFE

      

Maluf falou ta falado: “Por que em vez de falar das virtudes do Serra, dizia: não votem no Haddad porque ele está sendo apoiado por Maluf. Ora, o que aconteceu? Os meus eleitores ficaram sabendo pelo programa do Serra, que devem votar no Haddad”.

Tudo como manda o figurino. Haddad já retribuiu com quibe cru de carne importada da Argentina, hortelã, vinho branco de prima e um extra-extra virgem de safra especial grega: a secretaria de Habitação da cidade de São Paulo. Do jeito que Lula e a sua turma gostam. Alberto Salim da Silva, Rio de Janeiro.

 

 

Follow the money

Siga a rota do dinheiro disse o Garganta Profunda aos jornalistas que investigaram o Watergate. Pensava-se que era só assunto estritamente político e as mentiras de Richard Nixon sobre as fitas gravadas na Casa Branca das quais ele mandou apagar trechos. Mas, havia dinheiro na parada. Para a reeleição de Nixon dinheiro foi lavado no México e devolvido aos Estados Unidos. Algo parecido com os dólares de Hugo Chávez para a primeira eleição de Lula. Já se esqueceram da grana no avião? Também para a belle de jour da Argentina. Petrodólares para as eleições no Equador, Paraguai, Nicarágua, Honduras…

Casa na Itália? Apartamento na rive gauche em Paris?

Carlinhos Cachoeira já avisou: “Eu sou o Garganta Profunda”. A Rosemary poderá ser a Linda Lovelace do filme Deep Troath. Que sigam o dinheiro pra ver se Lula tem ou não tem apartamento em Paris? Casa na Itália? Como primeira dama do Brasil Da. Marisa não teve remorso por ser brasileira e esposa de um líder popular brasileiro solicitou e conseguiu em tempo recorde a nacionalidade italiana para filhos e netos “a gente nunca sabe o dia de amanhã”. “A coisa aqui ta preta” Quem pensa em mudar-se precisa de casa. Quem pagou? Marisa Kubrinski, MG.

  Obrigado Martinho

O Repórter na História: fotos e rabiscos

Carrego a síndrome da primeira vez. Era dezembro. Eu estava no vôo inaugural da Aeroflot para Nova York. Lá nas nuvens não adianta ter medo. Paramos na Noruega. Frio mais forte que na Rússia. Consegui esquentar o papo com a aeromoça Natália. Desembarquei no aeroporto Kennedy com um casaco amarelo cor de diárreia, gola marron enorme, um dente de ouro e 50 dólares. 

                                     

            

A URSS, a universidade Patrice Lumumba, ficaram nas minhas histórias. Pra provar que sou um guardador de bagulho/ talismãs aqui estão: o último dia no Rio de Janeiro a caminho do aeroporto com Artur e Barbosa. O terno da Ducal foi comprado com dinheiro “emprestado” de Trajano, da diretoria da UME, e anos depois presidente da RIOTUR, governo Brizola. O bilhete do vôo da Aeroflot. O ticket da poltrona.

Em almoço com o embaixador Henrique Rodrigues Valle a quem devo a minha ida para os Estados Unidos e Senhora Nair Neder, esposa do senador Humberto Neder, autor da foto. E pra fechar 2012 saudando o prefeito de Nova York, Edward Koch, no palco do II Dia do Brasil. Do garimpo do Coité onde comia terra e cagava vermes. Do comunismo para o capitalismo. Penso ser uma história de sucesso. Um verdadeiro “american dream”.

Nota: Quem sabe você se encontrará em uma das muitas fotos aqui publicadas. Pode pedir que a enviarei free of charge para o seu e-mail. Merry Feliz Natal! C novim godam! 

Divulgue. Encaminhe as boas novas opinativas: www.oreporternahistoria.com.br