Arquivo do ano: 2013

Trilha sonora: *

Pagão. Cristão. Romano. Fariseu. Luterano. Bonapartista. Republicano. Anarquista. Comunista. Nazista. Fascista. Direita. Esquerda. Judeu. Alemão. Polaco. Negrão. Japa. Portuga. Brazuca.   

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Apelido, rótulo, carimbo, marca social, mudam de valor e significado. “Pedro, você me negará três vezes”. Ninguém queria ser chamado de cristão. Era pejorativo e perigoso ser da seita do “peixe”. Já foi in ser chamado de nazista, fascista, comunista.

Judeu. Turco. Japa. Portuga.

Judeu (muitas vezes confundido com turco), japonês, português, são citados no menosprezo. Lembrados na gozação da piada. Em Nova York, quando a maconha de estudante e a heroína de viciado foram substituídas pela cocaína em Wall Street e nas discotecas, ser chamado de colombiano ou Colón era discriminatório. Out. Mas, dependendo da roda, podia ser in.

Where are you from? Vi atikuda?

No exterior, muito mais que a profissão, corpo, beleza, sucesso ou não, o que reflete mesmo no comportamento e imagem é a nacionalidade. De onde você é? Where are you from? Povos guardam percepção e imagem de outros povos pelas guerras, religião, música, artes, conduta moral, tecnologia, violência, corrupção… Na universidade em Moscou, entre milhares de estrangeiros, eu era chamado de “Brasil. Brasileno”. Até fixar o meu nome com trabalho, crédito, marcar presença em eventos importantes, americanos me identificavam como Míster Brasil, Brazilian of 46street. O brasilerro.

Não se tira rótulo e imagem como se tira camisa.

É necessário gerações para se apagar do imaginário popular a percepção e imagem que se tem de um povo. Fama boa. Ou má.  Gente canalha. Honesta. Desonesta. Not reliable people images “Cristão ao leão”. “Luteranos, protestantes, são hereges. Quando morrem, vão para o inferno”. “Não devemos permitir judeus na Alemanha”. “O Brasil não é um país sério”. “Comunistas comem crianças”. “Essas Brazucas são todas umas piranhas”.

Atualmente, com as facilidades tecnológicas e o aperfeiçoamento do marketing em relações públicas é fácil limpar “manchas”. Apagar “tatuagem social”. Alterar branding. Transformar patife em gente de bem. Safado em deputado. Corrupto em ministro. Pilantra em presidente. No Brasil, brasileiro não chama outro brasileiro de Brazuca. É carioca, mineiro, paulista, nordestino, baiano, gaúcho, cabeça-chata, pau rodado, sambista, sertanejo. Brazuca é gíria, apelido, que se usa, se aplica, ao brasileiro no exterior. Com sentido pejorativo. Down.

O alvo do bullying não foi consultado. 

Não fizeram enquete, pesquisa. Não perguntaram aos interessados, se deveriam, ou não, carimbar de Brazuca a bola oficial da Copa do Mundo. Alcunha. Bullying. Podem afetar no trabalho, na escola. Prejudicar a si. A imagem da família. Do país.

A FIFA, CBF, TV Globo, atropelam, decidem. Com aval do governo. E agora que Inês é morta temos que “sentar e relaxar”. Meteram-nos a Copa mais cara do Mundo. “Coincidentemente” no ano das eleições presidenciais. Precisamos, pois, ganhar a Copa. Mesmo na base do rouba, mas, faz.

“Usam a nossa imagem. Sem consultar”. obsessao-ortografica-02

“Por que Brazuca? 77,8% entre Carnavalesca e Bossa Nova. Preferência de quem? Minha? Nossa? Não foi. Poderiam ter feito uma campanha mundial. A TV Globo dona do pedaço alcança os brasileiros no mundo. Deveriam respeitar e prestigiar quem de fato divulga o Brasil no exterior. Não é o governo nem suas muitas repartições. É o brasileiro, mesmo no anonimato, o grande propagandista de seu país”. Fornaro. Boston.

Dilmona. Genoína. Lulona. A bola poderia ser Brasiliana, Brasileira, Amazonas, Pelezona, Popozuda. Dilmona, Genoína, Lulona, Belezona, Bundona, Malandra, Gostosona. Pode ate mudar, mas, Brazuca sempre foi pejorativo”. Maria, Amsterdam.

O palco do Dia do Brasil  A Copa do Mundo é no Brasil. Portanto, o lugar mais apropriado para uma consulta mundial para o nome da bola jogada no Brasil, com repercussão planetária, teria sido o palco do Dia do Brasil. O Itamaraty tinha por obrigação cívica liderar enquete, pesquisa, junto aos diretamente interessados.

A TV Globo é dona das transmissões. imagesCAT29YQP “Faturando bem alto com a Copa do Mundo. Grilou e tomou para si o Dia do Brasil, o maior evento verde e amarelo no mundo. Através do qual usa os Brazucas com o “mamãe to na Globo” para aumentar audiência, IBOPE. Vender DVDs, dish, shows, pacotes de Canais de TV, novelas…

“Fez do palco do Brazilian Day uma propriedade exclusiva sua e de seus contratados.  Deixou de ser o Dia do Brasil. È o Dia da TV Globo que tem por obrigação produzir factoides, histórias, novelas, para que a palavra, o meaning, Brazuca, passe a ser positivo. Pois, foi sempre depreciativo”. Amílcar Mendes, NY.

As aventuras do Zé Brazuca

Sofri na pele, no coração, a discriminação, o desrespeito, de ser chamado Brazuca. No sentido ralé: Aquela gentinha da Rua 46”. “Lá só tem engraxate, garçom, lavador de pratos, cozinheiro, entregador de compras, putinhas”. “Joguem no lixo aquele jornaleco”.  “Não comprem na Rua 46”.                           

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Era preciso dar o troco com elegância. Pensei num “herói” decente. Amigão. Quebrador de galho. Graças a Gutenberg Monteiro, caricaturista da velha guarda, trabalhando nos quadrinhos da Marvel em NY, colocamos as Aventuras Americanas do Zé Brazuca no jornal The Brasilians.

O sucesso foi tão grande que criei o Kid Valadares. Para bater em quem nos batia. Kid fazia gozações das madames brasileiras que nos discriminavam. Esperto. Ensinava caminhos para quem estava na pior. Do tipo virador. Conquistador. Mas, sangue bom.

Troco de Portuga

Dizem que Brazuca foi resposta de português ao nosso Portuga. Argentinos tiram uma casquinha no pejorativo. No Paraguai, somos chamados de braziguaios. “Na Espanha e Portugal descem o pau na gente” Claúdia. Lisboa.

“Meu casamento com o Saraiva ia bem em Patterson, NJ, ate que duas tias dele foram nos visitar. Elas implicavam comigo, com as minhas sandálias, meu batom, minhas calcinhas com renda. Cochichavam com as vizinhas. Na cabeça das portuguesas, lá fora, toda brasileira é vagabunda. Tipo toda brazuca é puta. Há sim essa imagem de Brazuca vulgar”. Maria de Lourdes, Poços de Caldas.

imagesCA0ZQ2Z0no inverno NY Mas, em Nova York, foram brasileiros que se consideravam elite. Melhores. Superiores. Novo rico. Os que faziam chacota. Apontavam o dedo para nós: Brazuca da 46.

O colunista social, Morgan Motta, dizia: “Madam de diplomata. Nova rica. São loucas pra ir a 46. Com vergonha do que vão dizer mandam a empregada comprar guaraná, goiabada, palmito, revistas, levar escondido o jornal The Brasilians pra ler o que escrevo”.  

“Ame-o ou deixe-o”.

Vivíamos tempo cinzento do ame-o ou deixe-o. A esquerda, por estarmos nos EEUU, via-nos com desprezo. A direita, por termos saído do país para tentar dias melhores, via-nos como traidores dos ideais da ditadura. Recebíamos mais atenção e cobertura jornalística de jornais, revistas, Rádios, emissoras de TV dos Estados Unidos, América Latina, do que da imprensa brasileira. A TV Globo quando noticiava era sempre com menosprezo, “derrubando”.

No viés “ame-o ou deixe-o”. Certa vez, uma repórter de O Globo diante do nosso sucesso e não encontrando nada de negativo escreveu na manchete de sua matéria: “Jota Alves, o Rei da 46, e da Goiabada”. (Entre as atividades tínhamos o Mercado Brasileiro com aqueles produtos mais desejados pela “saudade”: guaraná, palmito, café, goiabada cascão, jornais, revistas, discos, feijão preto, farinha…

Mudamos o jogo    pele no cosmos 2

Edward Koch, prefeito de Nova York, com o jornal The Brasilians. Ele Proclamou o Dia do Brasil um evento da cidade. Subiu ao palco na Rua 46 e mandou: ““Parabenizo Míster Alves por esta bela festa em nossa cidade. Obrigado Brasil”.

img039 img050 Márcia Kubitscheck, filha do presidente Juscelino, o criador de Brasília, juntamente com celebridades no Júri do concurso de fantasias no Waldorf Astoria.

pele com Muhhama Ali     imagesCAKGKYPYsergio Pelé fazia o soccer crescer na América.  O grande campeão Muhamed Ali espera para cumprimenta-lo. Sergio Mendes tocava na Casa Branca.

O jornal The Brasilians. E o Carnaval do Brasil no mais famoso hotel do mundo mudaram o jogo a nosso favor. Vitrines de Nova York decoradas com fantasias  convidavam ao carnaval do Rio de Janeiro. Os principais canais de TV noticiavam o Brazilian Carnival como a Oitava Maravilha do Mundo.  Sergio Mendes tocava na Casa Branca. Lotava estádios e parques. O Brazilian beat estava por toda parte. Turistas enchiam butiques e restaurantes da Rua 46 e os novos nas Ruas ao lado. Lojas na Quinta Avenida e na Broadway mostravam a bandeira do Brasil para atrair clientes.  GrACE MNSION

Quando souberam do meu breakfast  com o prefeito na Grace Mansion (a residencial oficial) saltei de Brazuca para Celebridade. VIP. Na sequencia, pela primeira vez em quinze anos, o Brazuca Rei da 46 e da Goiabada, recebeu convite especial para um cafezinho com o Consul Geral do seu país. Bem Brasil!  pele no cosmos 2

E tem mais gol. Semestralmente, a Casa Branca convidava lideranças nacionais para um encontro com o Presidente dos Estados Unidos. E os Brazucas se fizeram representar pelo fundador editor do jornal The Brasilians. Se inveja e ciúme matassem, eu estaria morto! E tem mais desprezo e volta por cima. Mas, é para outro RH.

O grande arremate foi o Dia do Brasil.

Oficializado pelo prefeito na agenda da cidade. Com a placa na esquina da Quinta Avenida com a Rua 46 os Brazucas se consolidaram como uma comunidade produtiva, sensata, criativa.  Saíram do anonimato para o estrelato. Do gueto para a história como uma das mais importantes comunidades estrangeiras de Nova York.   O Dia do Brasil ocupa mais espaço, mais quadras, recebe mais gente,  desvia mais trânsito, mobiliza mais policiais, recolhe mais lixo, dá mais despesa para a cidade, do que o Dia dos Irlandeses, Italianos, Alemães, Latinos…       pele no cosmos 2

 Brazilian_Day_2012_Vera_Reis_17 adriana etcimagesCAT3BKZRmail

A minha geração de Brazucas não decepcionou.

imagesCAR8THP5estatua e empireSoube manter bem alto o nome e a imagem do nosso país. Soubemos navegar sem confundir governo com nação. Levamos cacete por hastear a primeira bandeira na Rua 46 e abrir o Dia do Brasil com o Hino Nacional pelo coral da Igreja Assembléia de Deus de Queens. 

Radicais mal informados diziam que estávamos promovendo a ditadura. Como se o Brasão, a Bandeira, o Hino, símbolos e marcas da nação, fossem propriedade de general ou de espertalhão na presidência do país. Da “minha turma”, muitos, para os padrões americanos, ficaram ricos. Para os padrões brasileiros, milionários. Formaram família com filhos e netos brasileiro-americano. E o mais importante, desfrutam de boa saúde.

Aprender. Fazer sucesso. Colher frutos.

Na mais espetacular e competitiva cidade do mundo nem tudo foi um rose garden. Mas, nunca tive problemas com americanos e suas leis. Respeitado pelas lideranças estrangeiras que se destacam na melting pot  sempre convidado para as mais importantes celebrações nacionais da cidade .

Mas, fui alvo de bullying. De competição safada, desonesta, invejosa. Adivinha de quem?  imagesCAUV0WV0bazuca Continuo como comecei na 46. Escrevendo. Opinando. Penso editar a Opinião do Sací por duas décadas na penúltima pagina do jornal TB. Continuo idealizando. Participando. Sonhando. Tentando The unreachable star.

Surpreso com a minha capacidade física e mental de sobreviver a tantas intempéries. A tantos bullying E desgostoso com tantas brazucadas na gestão pública do meu país. Espero que a Brazuca não decepcione. Não seja um retrocesso na nossa luta pela imagem positiva do brasileiro no exterior.    

A Brazuca de ouroCarmen Miranda

Por seu retumbante sucesso nas telas do cinema, na Broadway, Carmen Miranda foi idolatrada nos Estados Unidos. Abriu o Brasil para o mundo. Criou a nossa imagem de good people, hospitaleiro, educado, cheio de alegria e musicalidade.  Mas, caíram de pau em cima dela.

Foi acusada de americanizada, entreguista. O esquerdismo da época-de todas as épocas- a massacrou. Seu maior desgosto foi ter sido discriminada por brasileiros. E mesmo assim, pediu para ser enterrada no Brasil. 

“Nunca antes na história desse país”. É marketing chinfrim. De baixa qualidade cívica. Triturador de memória, tradição, cultura. Antes de mim. De todos os que promovem e divulgam o Brasil houve alguém. E, para mim, houve e haverá Carmen Miranda.  Antes dela Villa Lobos. Ates dele Carlos Gomes…

Divulgue. Encaminhe. Passe adiante. Copie. Discuta. Concorde. Discorde: www.oreporternahistoria.com.br. Escreve que eu publico: oreporternahistoria@uol.com.br. Para melhor leitura Zoom 125.

 

Trilha sonora: 

 

No Brasil, biza, avô, pai, tio, madrinha, professora, contavam histórias de Natal para bisnetos, filhos, netos, sobrinhos, afilhados, alunos.

Na Rússia, o Natal era celebrado nos dogmas da igreja ortodoxa. Com São Nicolau. E Dad Maroz. Com a revolução de Outubro descambando para o ateísmo e perseguição religiosa os russos (soviéticos) ficaram quase um século sem comemorar o Natal. É incrível as voltas que o mundo dá. É impressionante ver a Praça Vermelha, o Palácio de Inverno, o Kremlin, o Mausoléu de Lênin, cobertos com decoração natalina.

Dá arrepio ser testemunha ocular e ideológica dessa reviravolta. Dessa história e exemplo que deveriam ser muito bem estudados pelos influentes herdeiros brasileiros do comunismo soviético. Constatei que não foi a religiosidade, mas, as tradições, a ancestralidade, incrustadas na alma russa que fazem ressurgir Natal, procissões, cultos, nas igrejas restauradas por velhos comunistas. O Deus russo existe.

Nos Estados Unidos, o Natal continua sendo celebrado com muito afago familiar. Com especiais pela TV. Com todas as suas cidades decoradas. Avós e pais continuam contando histórias. As crianças com toda a modernidade tecnológica esperam Papai Noel descer pela chaminé.

Na minha infância não houve Papai Noel.

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Na “mangedoura” onde nasci, como os meninos dos garimpos, eu fazia meus presentes. A boiada de osso do rabo de boi (depois da rabada com mandioca). O cavalo de pau de vassoura. O caminhão de lata ou caixa de sardinha. Ao sol os ossinhos da boiada ficavam reluzentes, branquinhos. Os pintados com esmalte ou batom eram os touros.  

Sou do tempo da lamparina. Não havia pirata da perna de pau, olho de vidro. Não havia Príncipe nem Branca de Neve. Havia Deus. O diabo. E alma de outro mundo. Eu não sabia que havia Papai Noel. Vó Tereza, dona de garimpo e de pensão, no centro da corruptela do Alto Coité não gostava do Novo Testamento. Todo dia, antes de dormir, lia o Velho. Contava histórias de pessoas e milagres que eu não conhecia. Mas, gostava de ouvir.

Pançudo. Com o vício de comer terra. Da fofinha, vermelha, de formiga grande. Com a barriga cheia de verme eu andava e brincava nu. Aos sete anos meus pais adotivos levaram-me para Cuiabá. Quem sabe no internato dos padres eu seguiria a carreira do sacerdócio. Quem sabe um dia eu seria médico. Militar. Antes do Fantasma, Capitão Marvel, Cavaleiro Negro, Tarzan, do faroeste, eu já conhecia pistoleiros.

Os goianos Dino e Lolita, com vários assassinatos “nas costas”, eram respeitados no Coité. João Galo e Canguçu em Poxoréu. Todo fim de semana eu via um corpo estendido no chão com as velas redentoras a seu redor. Não havia esse negócio de “desviar” diamante. A “Justiça de Mato Grosso” funcionava.

A primeira árvore de Natal

imagesCAP5LW43matriz cbaO prefeito de Cuiabá, o sergipano “pau rodado” José Garcia Neto. Mas, era sua esposa Maria Ligia quem trabalhava as belezas da então Cidade Verde. Otávio, pintor, poeta, boêmio, filósofo de bar, encarregado das árvores de Natal na Praça da República e Praça Alencastro (sede da Prefeitura) comia e bebia na nossa pensão, bar, armazém de Secos e Molhados, na Rua do Meio, a cem metros da Matriz Nosso Senhor Bom Jesus de Cuiabá, onde fiz a primeira comunhão e fui crismado pelo Arcebispo Dom Aquino Correa.

Ao ajudar Otávio a decorar a árvore de Natal pública eu estava “criando e levantando” a minha primeira “árvore”.

Os presépios

presepio presepio 2 imagesCAP8WTVD

Eu andava por Cuiabá “descobrindo” presépios. Sempre havia pitomba, cajazinho, manga caroço, pé-de-moleque, chá com bolo.. O mais elétrico e eletrizante de todos o de Durval na Rua XV de novembro próximo à Igreja de São Gonçalo onde fiz novena para Santa Terezinha ajudar-me a passar nos exames. Sem boas notas eu não seria aceito (sem pagar anuidade) por mérito no Colégio Dom Bosco. O que aconteceu por um ano. Depois o ginasial no Colégio Estadual.  

A missa do Galo.

A grande atração natalina era a Missa do Galo e ao fim dela a Ceia de Natal. Mas, eu não ia à missa. Ajudava na limpeza de bode, porco, galinha, que preparávamos para os clientes. A nossa ceia era o almoço requentado do dia seguinte, 25 de dezembro. Tive os meus momentos pandorga, papagaio, buque, bolita, finca-finca. Coleção de figurinhas e carteiras de cigarro. Time e jogo de botões. Houve pouquíssimos presentes. Mas havia a bola. O presente desejado pelos meninos de minha geração.

Por matar aula para jogar bola levava surra de cinto e chicote de galho de goiabeira (o mais doído). Não havia bulying. Todo mundo tinha apelido, que caía como luva. Era aceito. E ficava para sempre. Havia a bola de pano, seringa, de couro. Jogava-se descalço, com pé-de-anjo, chuteira. Os ídolos eram os do Torneio Rio/São Paulo. Não os víamos, mas, os sentíamos pela Rádio Nacional na voz de Jorge Cury e Antônio Cordeiro. Havia alegria. Poesia. Música com sons de piano, flauta, sax, trombone, violino. Namoro com filhas de família e com as “meninas” do Baú e Beco do Candieiro. O brasileiro era mais pobre. Porem, menos embrutecido. Mais honesto. Mais solidário.

O Papai Noel Karl Marx untitledkarl marx papaiAos quatorze anos deixei a bola e entrei de mala e cuia na agitação estudantil. A primeira greve dos estudantes cuiabanos foi por meia passagem nas quatro jardineiras da cidade e meia-entrada no único cinema. Criação de grêmios nos colégios. A ACES (Associação Cuiabana dos Estudantes Secundários). O primeiro jornal: O Secundarista. Viajei pelo imenso Mato Grosso criando grêmios. Organizando o primeiro congresso da UME (União Mato-grossense de Estudantes) em Corumbá. O segundo em Dourados. De onde fui expulso e metido num caminhão na mira de revólver. Dois congressos da UBES no Rio. A Mocidade Trabalhista do Brasil. Brasília. A UESB. Moscou. Daí em diante a barba do Papai Noel foi substituída do meu imaginário pela de Karl Marx e a capa do bom velhinho pela bandeira vermelha do Partido Comunista da União Soviética. No lugar da caixa de presente, a foice e o martelo.

 

C Novim Godam Moscou ano noivoNos dois primeiros anos cercado de gente, mas completamente sozinho, bateu tristeza. Na imensidão branca, típica de trenós, igrejas por todos os lados, eu senti falta do que não conheci na infância. Se saudade é coisa de brasileiro, senti saudade de Papai Noel. Senti falta do feeling de Natal. Não havia Natal na URSS. Celebrávamos o Ano Novo.

C Novim Godam com vodka, caviar, dievuski. Fui duas vezes ver o ano nascer na Praça Vermelha. Russos iam às igrejas autorizadas. Mesmo com o Natal proibido os cristãos ortodoxos celebravam o nascimento de Cristo.

A árvore de Natal do Rockfeller Center

Era dezembro quando desembarquei no aeroporto Kennedy. Fazia frio. Mas, não como em Moscou. Nevava, mas não como em Moscou. A minha primeira noite na Meca do capitalismo mundial foi no Hotel Mansfield. Um 2 estrelas na Broadway. Pela manhã, o susto do deslumbramento. Para subir ao andar onde ficava a Delegacia Brasileira do Tesouro, local do meu primeiro e único emprego em Nova York, entrava-se pelo número 30 Rockfeller Center. untitledrockfeller

E lá estava ela a maior árvore de Natal capitalista da minha vida de aprendiz comunista. Trinta e três metros de altura, beleza, significados. Um dia, quando já tinha tido meus primeiros quinze minutos de fama, fui convidado para a cerimônia “de inauguração” da árvore de Natal do Rockfeller Center. A meu lado, Edward Koch, prefeito da mais espetacular cidade do planeta. Presente e tanto para quem nasceu numa palhoça à beira de catras e monchões de garimpo.

A árvore  mais a praça transformada em pista de patinação emolduraram a minha vida de menino sem Papai Noel e Natal, por trinta anos consecutivos.

O mais bonito e contagiante Natal do mundo

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Na Rússia era o Ano Novo. Em Nova York, como todo “novato,” fui ver o Ano Novo nascer na Broadway. Esperei a contagem ate a bolinha ligar o painel do New Year. Lá, entrou, conseguiu um lugar, é difícil sair. E se sair, não entra mais. No aperto de tanta gente. Parado no frio. Urinei nas calças. Nunca mais voltei.

Passei Natal e Ano Novo em Paris. Abri champagne na torre Eiffel. É lindo o Natal nas noites brancas da Suécia. Ano Novo no calor de Santa Clara, em Cuba. No Hotel dos Guinchos, no Algarves, Lisboa. Posso afirmar sem “tendência capitalista” como diz o pessoal que me critica e ainda não tirou a mochila da Guerra Fria. Dizer olhando de frente para os que querem desmilitarizar as Policias do Brasil. Para os que tiraram o Repórter na História do ar. E, com certeza, vão continuar com os ataques pela web. Falo sem menosprezar os dogmas de quem ainda acha que Natal é mais um “crak do povo”. Em verdade vos digo: Nova York tem e cultiva o mais bonito Natal do mundo. O feeling é contagiante.

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A velha-nova Rússia renasce de suas cinzas de guerras, glórias, vitórias, derrotas, fracassos, e não tem vergonha em seguir o “capitalismo” em suas manifestações natalinas. Com “liquidações” e presentes. A China comunista engatinha pelo mesmo caminho. Neste Natal e Ano Novo mais Lamborghini, Rolls Royce, Ferrari, casacos de peles, relógios de ouro, joias, roupas das mais caras grife, serão presenteadas mais do que em Washington, capital do demônio imperialista. Do tigre de papel. O chinês luta para imitar e suplantar o americano. Para usufruir das benesses produzidas pelo capitalismo. Já chegaram à lua.

Reprise e Revival de filmes bíblicos. Natalinos.

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Nos Estados Unidos, cantores e cantoras continuam gravando canções de Natal em uma tradição que se perpetua. Sem constrangimento para quem é realmente famoso. As TVs, a cada ano, investem mais em seus Especiais de Natal. Escolas, universidades, igrejas, são incentivadas a criar Corais de Natal. Em 2014, estarão na telona Son of God, Moisés, Noé. Com releituras inovadoras. Os remasterizados Dez Mandamentos, O Manto Sagrado, Ben-Hur…

Rússia e Estados Unidos trocam mensagens e experiências natalinas. Trabalham para resolver seus gargalos morais. Diminuir a diferença social e econômica que existe em toda sociedade, atrasada ou avançada, rica ou pobre. No Brasil, a grosseria, rancor, azedume da revanche,  a ojeriza por farda e militar, principalmente, de gente do governo federal; mais o sectarismo e obscurantismo dos herdeiros ideológicos que influenciam as decisões da Presidenta; mais os Taleban do nosso atraso político-administrativo ; estão embrutecendo o Brasil. Atropelando sentimentos e emoções.

1472053_533890120040566_207574957_nCometem e repetem erros infantis do esquerdismo. E persistem em errar. Triturando alternativas e possibilidades. Castrando iniciativas. Insistem em manter o país distante dos centros de Saber, Ciência, Tecnologia, Pesquisa, Modernidade. Por preconceito, falsidade ideológica, negócios rendosos, estamos há doze anos atrelados ao pensamento arcaico, subdesenvolvido, altamente corrupto, do outrora emergente Terceiro Mundo. Quando há muito não há mais Segundo Mundo.

O presidente Lula jogou fora tempo que não é dele- e sim da nação-fazendo ponte para as artimanhas “ideológicas” e os negócios  de Hugo Chávez, Kadafi, Ahmedinejad, Mubarack, Zelaya, Fernando Lugo, os Kirchner, Evo Morales. Fez doações, perdoou dívidas, autorizou empréstimos. Fez a festa com recursos do povo brasileiro. Há contratos e acordos em “segredo de Estado”. Perfilou-se em abraços e brindes com ditadores, sanguinários, tri corruptos. A política externa continua um desastre. Porém, excelente em abrir negócios e negociatas.

Neste Natal mais insegurança e medo

O que paira sobre a família brasileira neste Natal? Neste fim de ano 13? A resposta de toda dona-de-casa, do centro, da periferia, do campo, não é o saudável clima natalino. É insegurança e medo. O governo deveria fazer pesquisa, usar o seu IBGE, para perguntar: “a Senhora caminharia para assistir a Missa do Galo? O culto da meia noite”?. “O Senhor levaria seu filho a um estádio de futebol”?

O sócio-lismo bolivariano com o populismo brasileiro apelativo arregaçam com a vida nas cidades. Embrutecem as relações sociais, contratuais. A ladainha “das elites brancas de olhos azuis” continua jogando brasileiro contra brasileiro. Os que se dizem admiradores (e até iguais) a Nelson Mandela incentivam a discriminação. Arregimentam seguidores e eleitores cativos pregando a desunião.

A zona rural está contaminada pelo contrabando, tráfico, consumo de drogas. O crak derivado mortal da cocaína vem em quantidade cada vez maior da Bolívia do muy amigo e companheiro Evo Morales. As nossas fronteiras abertas para a FARC, a turma do Boutesse. Engessam música, literatura, cultura em geral. Vulgarizam a grade televisiva que substitui a escola. Papai Noel é o velhinho-propaganda do voto. Natal não interessa. O voto interessa. Por isso presentinho. Bolsinha, por voto.

Dicas de Natal

Cuidado. Olho no prefeito (a) governador (a) que anuncia redução de gastos com energia elétrica, prego, pneu, e não decora a cidade no Natal. No Carnaval. Não apoia nem incentiva concurso de música, beleza, exposições de arte, campinhos de futebol, plantio de árvores e flores.

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Se nunca fez, faça. Se já fez, repita. Conte uma história de Natal para o seu neto (a), filho, sobrinho, afilhado. Dê asas à imaginação, aos sonhos, das crianças. Escreva um verso para a velha (a), namorada, esposo. Toque o seu LP, CD, DVD, MP3, preferidos. Comprar ou colher flores. Jantar com a família. Aperte a mão. Abrace. Dê Alô, Bom Dia, Feliz Natal, para o vizinho. Mesmo sendo aquele chato.

Não se deixe embrutecer pelas novelas da TV Globo. Pelo comodismo do governo federal diante da onda crescente de assassinatos. Crimes bárbaros. Pela covardia eleitoral de não tirar os zumbis sociais paridos pelo consumo, cada vez maior, de crak, das Ruas, Avenidas, Praças, Viadutos, Parques. E claro, não se deixe frustrar pela moleza do governo federal em combater de frente a corrupção que neste Natal engordará o peru de muita gente. Dos galos papudos que se achavam os Reis Magos do povo brasileiro.

Diante das incertezas que pairam sobre nós, ilumine-se. Informe-se. Leia versões diferentes. Lute para não ser inocente útil. Mais um boi gordo ou vaca bonita na manada. Neste natalis inviet solis Merry Christmas, Feliz Natal. Happy New Year. C Novim Godam.

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