Arquivo do mês: outubro 2015

Ao anunciar que a revista Play Boy deixará de publicar a imagem principal de sua existência, Hugh Hefner explicou: “Estamos perdendo terreno com o nu. Temos que pensar como fazer a transição”.

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Em 1972, a maior tiragem da revista: 7 milhões de exemplares.

Lolita

Cinzas e lágrimas do ataque japonês a Pearl Harbor; cinzas e lágrimas das bombas em Hiroshima e Nagasaki; a destruição da Europa; milhões de mortos. Preocupação e medo. O que fazer para evitar um novo conflito, altamente destruidor? Baixar-Livro-Lolita-Vladimir-Nabokov-em-PDF-ePub-e-Mobi tumblr_mdlk6p6SpK1rl9hr7o1_500

Oito anos após o fim da Segunda Guerra Mundial nasceu a revista Play Boy na América que lia às escondidas, Lolita, do russo Vladimir Nabokov. Na América presa em seu fundamentalismo religioso. Na América proibida de ver filmes, revistas, quadrinhos, fotos, de mulher pelada. Na América que fantasiava com a house wife transando com o leiteiro, eletricista, o jardineiro. Na América das punhetas e orais no drive in.

O povo queria sair da escuridão. De guerra e sofrimento.

Hugh Hefner deu a largada. Juntou teoria e prática da liberdade de expressão e modernização da cultura e dos costumes made in the USA. Ao mostrar a mulher ele a fez orgulhar-se de si mesma. A Play Boy  foi mostrando que havia mais para a mulher do que o fogão, o tanque de lavar roupa, a cama para procriar, as soap opera nas tardes de TV. Havia moda, passarela, arte, direitos civis, erotismo sem pecado, e temas “proibidos” que a mulher precisava conhecer para decifrar. Ela sabia onde o marido escondia a revista.

A minha primeira Play Boy

aula0003 posterurssConheci a Play Boy lavando pratos, nas férias, em Helsinki. Ganhando em dólar, eu voltava para a universidade em Moscou, com calçinhas, blusas, sandálias, chicletes, batom, esmalte, para as queridas dievuski.

Cigarro Malboro, jeans, Lps de Andy Williams, Frank Sinatra, Connie Francis, e a revista da decadência imperialista. Ler, mostrar, a Play Boy, o livro Doutor Jivago, dava cadeia. Pratiquei a mais infame das subversões, sabotei e ajudei a destruir o regime soviético, mostrando a Play Boy para colegas russos”, dirá Emerson Leal, emérito Físico Nuclear, Mestre na universidade São Carlos, vice prefeito da cidade, meu querido colega da universidade Lumumba, leal defensor de Stálin e do comunismo soviético. ( 1. Primeiro dia de aula, 15 graus abaixo zero. 2. Cartaz advertindo Tio Sam).

imagesSOE2X5YXAtualmente, a Play Boy pa russki, circula do Mar Negro à Sibéria. As russas sairam do armário, do fogão, das proibições, e se revelam audaciosamente eróticas. A última viagem que ajudei a organizar para Carlos Bezerra, governador, senador, deputado federal, foi a Leningrado e Moscou. Ele voltou de lá encantado com a beleza da mulher russa. “Sim, quero voltar, e agora com mais tempo”.

Proibida, devassa, revista do Diabo.

A revista vinha dentro de um plástico, com tarja tapando seios e bundas. Quantos sonhos, quantas punhetas, naquele center-fold colado em dormitórios estudantis, banheiros, bares, restaurantes, borracharias, fábricas, pelo mundo afora! Hoje, a masturbação está nas escolas, bailes, shows, na TV. Não “dá espinha, cabelo na mão, não se vai para o inferno, ninguém fica tuberculoso por bater punheta”. Qualquer garoto (a) com celular/internet terá imagens de sexo explicito. Não é preciso comprar revista para ver sexo. Está em horário nobre, nas novelas.

No vazio criativo e investigativo das nossas emissoras de TV não há espaço para o criador e a sua criatura. Apenas linhas sobre aquele que, na teoria e na prática, revolucionou cultura e costumes nos Estados Unidos. E no mundo. 2716953 Hugh Hefner, o self made man, prova, mais uma vez, que o individuo e não o coletivo, a criação pessoal e não o partido único, fazem história, My Way:  Aristóteles, Alexandre, Julio César, Leonardo da Vinci, Karl Marx, Thomas Edson, Santos Dumont, Walt Disney, Carmen Miranda, Martin Luther King. Há 62 anos HH escreve a nova história norte-americana, e universal.

Muito se escreveu, se ouviu, sobre a revista Play Boy. Mas, para o Brasil do Ame-o ou Deixe-o, da Pátria Educadora, do Aqui tem Educação; Brasil que despreza o que se faz pela sua boa imagem no exterior; para o Brasil cujo governo central, talibã, não se interessa por memória e história (“são frutos da burguesia e do capitalismo” e, portanto, “devem ser destruídas”) contarei, um pouco, do lado brasileiro na Play Boy.

Miriam Batucada e a Chave

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Os shows eram tipo Las Vegas.  Promovi e organizei o primeiro show de brasileiros no Play Boy Club. Aconteceu em Nova York, com Miriam Batucada, percussionistas, desfile de fantasias de Jesus Henrique e Janete Bezerra. Morando na rua 65 com Park Avenue, eu caminhava ate a Madison, entrava pela Rua 60, da saudosa boate Copacabana ate a Quinta Avenida pela calçada do Pierre Hotel. Por uns dez anos, subi as escadas do 5 East da 59 street, para o almoço, Happy Hour, noites de celebridades e shows, no badaladissimo Play Boy Club.

Recebi a Chave com agradecimentos e autorização para levar 2 Coelhinhas ao Carnaval do Brasil no mundialmente famoso Waldorf Astoria Hotel. Jamais, a Play Boy havia autorizado aparição pública de Coelhinhas, além de seus recintos. Foi mais uma “primeira vez em minha vida”. Houve outras. Mas, aqueles foram os meus mais festejados “quinze minutos de fama em NY”.

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No palco de Reis, Rainhas, Presidentes, Celebridades, ladeado por Coelhinhas, mostrei a Chave Play Boy, cobiçado símbolo de status, tanto  quanto Mercedez e Rolex. “Não era uma vitória apenas minha. Eu dividia a Chave com todos os brasileiros”.

E graças ao impacto da noticia, da fama da Play Boy, e do Carnaval brasileiro, em que pese concorrência desleal (adivinha de quem? De brasileiros, “amigos”, na Rua 46) renovei contrato por dez anos com o Waldorf. Outro “pela primeira vez”. Jamais o Hotel fechara contrato tão longo para o seu Grand Ball Room. Para essa façanha contei com destacado empresario de NY vidrado na primeira Coelhinha Brasileira que consegui emplacar no Clube.

Guerra Fria. Play Boy. Revolução sexual

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A Guerra Fria. Caça aos liberais nos EEUU. Fundamentalismo religioso. Klu-Klux-Kan. O assassinato de John Kennedy. Racismo. Black Panther. O assassinato de Robert Kennedy. A renúncia do presidente Nixon. Danine Stern, a primeira mulher negra na capa da revista.

Os pro soviéticos criando datas, factóides, símbolos. Ate hoje, redações repetem a mentira histórica sobre a revolta estudantil que “mudou o mundo”, em 1968, Paris. Bullshit. Havia sim, admiração pela Revolução Cultura na China de Mao. Havia sim, frustração e revolta pela morte de Ernesto Che Guevara. Havia sim, decepção com o revisionismo soviético. Havia sim, Cuba território livre de analfabetismo. Havia sim, a opção da luta armada para se chegar ao comunismo. E havia a guerra no Vietnam. Sem internet, o pensamento crítico dos anos 60/70, era discutido, divulgado, por livros, discos, filmes, jornais, e revistas.

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Hugh Hefner serviu ao Exército. Fazia desenhos e cartuns. Sem grana, mas, espírito empreendedor, ele criou uma Folhinha/Calendário com imagens de mulheres inocentes. Ao comprar fotos “avançadas para os anos 50” veio o estalo criador. E com a desconhecida Marilyn Monroe na capa da primeira revista Play Boy, em dezembro de 1953, o sucesso e a fama. Passou por perseguições e ameaças. Mostrou e ensinou executivos de grandes empresas a não ter vergonha de serem fotografados dentro de seus jatinhos. HH criou estilo, bossa, costumes, cultura.

Make Love not War

Hoover, o poderoso Chefão do FBI, queria pega-lo na censura ao atentado ao pudor. Não conseguiu. Não lhe concederam licença para vender bebida alcoólica, o filé mignon dos Clubes. debby-217x300 Gloria Stein, ativista do movimento feminista, foi infiltrada como garçonete (Coelhinha) no Clube de Nova York para pega-lo em discriminação, preconceito, prostituição.

Perdendo todas, Edgar Hoover centrou fogo no imposto de renda, como fizeram com Al Capone. Não prenderam nem destruíram Hugh Hefner. Ele cresceu na opinião pública abrindo a Play Boy para escritores, entrevistas de 3/4páginas com políticos, empresários, músicos, celebridades. Make Love not war, liberdade de expressão, direitos civis.

Todos os temas sociais abordados sacudiram os subterrâneos da cultura e dos costumes made in the USA. Hugh Hefner revolucionou com a mais potente das armas: idéias. Impressas numa revista.

USA, antes e depois, da Play Boy.

Eu estava lá no “tambor do mundo”.  Acompanhei o tremendo sucesso da Play Boy que, ao contrário do que diziam os talibã da época (e de hoje), nunca foi uma revista pornográfica. Basta ver o Manual de Conduta das Coelhinhas.

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Como milhões, eu também pulei da Play Boy para a Hustler de Larry Flint e para a Penthouse de Bob Guggione. Eles captaram o avanço da sexualidade. Souberam entrar no caminho aberto por HH e faturar com pernas abertas, clitóris, sexo oral, anal, lesbianismo. Surgiram centenas de revistas pornôs. O filme Garganta Profunda inundou o mercado de pornografia em Vídeo K-7. O racista Joseph Paul Franklin, atirou várias vezes em Larry Flint. 37 anos em uma cadeira de rodas, de ouro, presente dos admiradores. Paraplégico, por ter ousado publicar fotos de negro com branca.

Play Boy no Brasil

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1. Victor Civita com Pato Donald revista da qual nasceu a Editora Abril. 2. Sentado, ultimo à direita, Odilo Lycetti, representante da Editora Abril em Nova York. Meu convidado para o Juri de Fantasias no Carnaval Waldorf Astoria. A seu lado, Marpessa Dawn, estrela do filme Orfeu Negro, premiado em Cannes.

Resumo o que já contei sobre o meu cafezinho com Victor Civita. O reconheci na Livraria Rizzoli, Quinta Avenida. Dei-lhe um exemplar do jornal The Brasilians. O convidei para um cafezinho na Rua 46. Disse-lhe do meu “Brazilian proud” em receber a Chave com mensagem de Hugh Hefner.

E nos aproximamos mais quando ele disse que era novaiorquino, nascido na Charles Street, no Village. E contou sua vida de filho de imigrantes. Eu, como muitos brasileiros, achava que ele era argentino. Contei-lhe como cheguei de Moscou, com casacão de frio, um dente de ouro, e vinte dólares. E que também vivi no Village, na Prince Street, entre italianos e portugueses. O convidei para almoçarmos no Clube. E para o Carnaval no Waldorf. Victor Civita não poderia ir, mas, determinou a Odylo Lycetti, representante da Editora Abril, comparecer.

capas-playboy-1975-1992_f_001 Pelo Decreto-Lei 1077, de 1970, a ditadura censurou livros, músicas, revistas “imorais” com mulher pelada. Em 1975, a primeira edição de Homem. Em 1977, Homem com a coelhinha. E, finalmente, em 1978, a revista Play Boy.

O coelhinho de gravata borboleta, logo-marca famosa quanto Coca-Cola, BMW, Nike, Apple, continua fazendo sucesso. Depois de New Orleans, Nova York, da sede em Chicago, o Clube está ativo em Londres e Las Vegas. Já fazendo a transição do nu por alternativas condizentes com o momento.  

A Fundação

50731165 images21KBOGJ9Hugh Hefner passou o comando para a filha Christie. A Fundação Play Boy criou o Freedom of Expression Award; Curso de Cinema; Campanha e doação para não destruírem o outdoor Hollywood, símbolo do Cinema; Doações para a restauração de filmes clássicos (O preferido de HH é Casablanca).

A Play Boy abriu caminho para criações e indústrias diversificadas: moda masculina, feminina, intima, viagens, bebidas, carros, cosméticos, embelezamento, arquitetura, pintura, musica, filme, festivais, comerciais, musicais, livros, esportes.

Equivocaram-se os que na cultura do Atraso, do Fundamentalismo teológico ou ideológico, viram a Play Boy como uma revista de pornografia. Foi a revista de um novo tempo. Tanto que seu criador avisa que deixará de publicar mulher nua, vulgarizada em diversos tons de cinza. Mulher, no Brasil, usada nesses tempos de mobilizações pagas e muita mentira política. Mulher brasileira, explorada politica e eleitoralmente, com falsos direitos humanos e incompleta liberdade de expressão.

Vargas, Altuna, Langerie, Laura Antonelli

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As Pinups de Vargas marcaram gerações. As Piadas. Os quadrinhos de Horacio Altuna e a Coleção de Lingerie fizeram o meu voyeurismo crescer em ramificações de altíssima voltagem erótica. Fui/sou/ um presenteador de langerie. E mais uma vez, sou mais que grato à Play Boy, pelo meu primeiro encontro com Laura Antonelli, musa do cinema italiano, e do erotismo mundial. Mas, esta é outra história. Vale ver e enxergar a historia dos Estados Unidos, e do mundo, antes e depois da Play Boy.

Trilha sonora:

São tantas as recordações musicais. Mas, quando penso na minha Nova York dos anos 70, ouço Spanish Harlem com Aretha Franklin ou Ben King, ou Feeling Alright com Joe Coker, The Land of make believe com Chuck Maggione.

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*Este blog é espaço público. Qualquer pessoa pode acessa-lo, Encaminhar, opinar, criticar, copiar, distribuir. Só não vale alterar linhas, parágrafos. E, se for “chupar” texto, favor dar o devido crédito: O Reporter na Historia/Jota Alves.  

Da visita de Brigitte Bardot, musa do cinema francês, à apresentação de Johnny Depp, astro do cinema, no Rock in Rio, são 51 anos. Brigitte e centenas de celebridades adoravam as praias e a vida noturna carioca. Ela descobriu Búzios para o mundo.

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What’s happened?

O que aconteceu com o Brasil nesse meio século para celebridades, artistas, atletas, empresários, evitarem praias, sítios de lazer, sair às compras, frequentar restaurantes, bares, a vida noturna, (de forte apelo nas cidades turísticas), conhecer o carioca de perto?

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Johnny Depp, Elton John, Alice Cooper, Rihanna, Ketty Perry, os artistas estrangeiros convidados para o Rock in Rio, receberam o aviso que deveria nos envergonhar perante o mundo: nada de ir à praia, não circular na noite, não parar para dar autógrafos, não dar bobeira nas Ruas.

Respostas a esta, e a outras questões, sobre a mudança no comportamento do brasileiro “cordial” para o cara embrutecido; do governante com conhecimentos de arte, música, literatura, poesia, para o ignorante, medíocre; do brasileiro que se esforça e tem orgulho de se formar, para os que se gabam de não ler livro, ter diploma, para ser esperto, “vencedor”, ter poder; do servidor público educado, cumpridor de seus deveres para o burocrata grosseiro…

Respostas que deveriam ser estudadas e respondidas por núcleos universitários, fundações, bibliotecas, arquivos locais, regionais, nacionais. E pela mídia, principalmente, a televisiva, a maior educadora, aquela que deveria ser a guardiã e divulgadora da memória política e cultural do país.

O descaso com a história e com a memória do país é devastador.

Mal preparados, interrompidos com freqüência arrasadora na formação escolar e universitária, os estudantes dependem do Google, Yahoo, Enciclopédias virtuais e outros sites de busca, informação, pesquisa, para a sua educação formal.

Quem fornece e insere os resumos, os perfís, imagens, números, estatística, que nós, “gratuitamente” pegamos do Google? Qual a bagagem cultural dos historiadores, pesquisadores, analistas, contratados por esses sites (os novos formadores de opinião do brasileiro) criados numa garagem qualquer dos Estados Unidos?

margratehO que o governo faz para ampliar e melhorar a história e a cultura do Brasil no Google, por exemplo? Eu disse ampliar e melhorar, e não influir, censurar, como fazem Argentina, Bolívia, Coréia do Norte, China, Cuba, Equador, Nicarágua, Rússia, Venezuela, e países do fundamentalismo terrorista.

Esses sites-“gratuitos”-estão formando o comportamento do brasileiro. Que assim continua sendo educado de fora para dentro. Ou seja, com todo o lu-lu-lu e dil-di-di, com fama de sermos o povo que mais toma banho, mais faz cirurgia plástica, mais cesariana, com mais aparelho celular que gente, nós continuamos subdesenvolvidos, segundo o refrão da esquerda dos anos 50/60. E dependentes!

O que seremos, e como agiremos, nos próximos cinqüenta anos, dependerá do Google, por exemplo. Certa está Margrethe Vestager, a Comissária para Concorrência da União Européia, em levantar questões sobre o domínio do Google e seus métodos para vencer concorrentes. Ela preocupada com o domínio comercial. Eu, com o domínio cultural. Se o Google, ou grupo científico, souberem mais sobre a nossa história e cultura do que nós mesmos, eles podem moldar o nosso comportamento.

Mal preparados no primário, no secundário, com ensino cada vez mais fraco e fragmentado nas universidades públicas, confundindo conhecimento com chutômetro, plágio e cópia. Fracos em cultural geral. Seremos sempre excelente mercado e ávidos consumidores das novidades tecnológicas. È o clássico bonito por fora, mas, feio por dentro, e mais ainda com a exoneração de um educador do ministerio da Educação e a volta de um politiqueiro da turma da Caverna Ideológica, em mais uma jogada do Cara que quer voltar à presidência.

Zé Carioca e Pato Donald

Retenho, com prazer, fatos marcantes de nossa vida política e cultural. Bem conservados nos meus 30 anos no exterior. E não me completo ao pesquisar eventos, como o da visita de Brigitte Bardot, estrela do cinema francês-mundial (ator e atriz de cinema eram chamados de astros e estrelas)

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Considero fraco, incompleto, o que o Google nos oferece sobre o lado anfitrião de Juscelino Kubischeck. Pois, foi ele o presidente que mais recepcionou celebridades internacionais. Sobre o governador Carlos Lacerda as inserções são ideológicas, políticas. Ele que foi fundamental para a modernização e embelezamento do Rio (Aterro do Flamengo e outras obras) e quase nada sobre Negrão de Lima e Tamoio, prefeitos, bons anfitriões da cidade. 1. JK com a Kim Novak. 2. Juscelino recebia tão bem que deixava o guest muito à vontade. Nat King Cole então perguntou: “Mister President das minhas canções qual o Senhor quer ouvir”? E JK bem informado, respondeu: Fascination, grande sucesso de todas as epocas). 3. O presidente do Brasil com Louis Armstrong, Pixinguinha, Ataulfo Alves.

José Sarney e Fernando Henrique também se destacaram no receber bem o que não significa fartura de bóia na mesa e piadas sem graça. Receber é deixar à vontade, fazer amigos/conquistar pessoas, com conversa inteligente. Getúlio Vargas costumava dar uma escapada do Catete ao Teatro João Caetano, ao teatro rebolado. È dele o carinhoso e gostoso apelido Sapoti de Àngela Maria.

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O presidente Getúlio Vargas determinou criar todas as facilidades para a visita e o trabalho de Orson Welles e Walt Disney. Ele entendia o trabalho promocional da pioneiríssíma Carmen Miranda, caluniada de “americanizada” pela turma da esquerda sovietizada. Getúlio lia revistas em quadrinhos. Ele gostou da genial sacada de Walt Disney: Zé Carioca mostrando o Rio para o Pato Donald. (Orson Welles com o jovem poeta Vinicius de Moraes, no Rio).

Quem , atualmente, sabe da enorme repercussão que foi a figura do Zé Carioca, antes da TV, no momento em que a turma da Disney dominava o mundo? O Rio, o Brasil, passaram a ser mundialmente conhecidos por Carmen Miranda e os desenhos de Walt Disney.

Neste momento feio de nossa história, principalmente para o nosso mais famoso cartão postal ou principal Portão de Entrada é muito importante puxar pela memória, que para ser útil, não deve ser passiva, saudosista, e sim comparativa entre o Hoje e o Ontem. Isso é fundamental para que gerações azeitem as engrenagens de nossa história, mantendo-a viva. E para entender e melhorar o nosso presente.

A TV Globo pode virar o jogo

00047tumblr_m3qaj228Lg1qfxktpo1_1280 A TV Globo, por exemplo, com seus muitos programas de amenidades, comandados por suas “estrelas”, (Ex-âncoras de noticiários), com seus repórteres de experiência internacional, noticiários, esportes, prestaria um enorme serviço (e a concessão pública das emissoras de TV seria para isso) com persistente campanha de esclarecimento contra os arrastões que destroem a boa imagem de Copacabana, Ipanema, ícones do Rio e do Brasil. Cantados por Braguinha, Dick Farney, Tom Jobim, Vinicius…

E isso pode ser feito noticiando, informando, educando, se posicionando, por praias limpas, livres de arrastões organizados por traficantes, bandidos, cabo eleitoral, por mobilizados “ideológicos”, religiosos, e jornalistas da velha e nova guarda que hoje substituem o marxismo, o comunismo, o lulismo, o populismo, pelo pivetismo e o coitadismo. E colocam audiência/faturamento e voto, em primeiro lugar.

As praias mais democráticas do mundo

A TV Globo pode sim virar o jogo a favor do carioca, do comércio, hotelaria, do turismo em geral. Conheço praias famosas, mas, ninguém pode negar que o Rio, o Brasil, tem as praias mais democráticas do mundo. Nunca vi carioca que carrega a cultura da praia, vive na praia e da praia, negar um copo de água, um pedaço de samduba, uma sombra. A miscigenação nas praias do Rio é total.

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Qualquer garoto preto, branco, mulato, pobre, da favela (comunidade), periferia, pode desfrutar, de chinelo e bermuda, da pelada e da praia o dia inteiro. Conhecer pessoas, fazer amigos, paquerar e conseguir uma namoradinha. Qualquer “menino do Rio”, nas praias cariocas, se dá bem no quesito conquistar, ter um caso, com ou sem afeto.

O que os pivetes dos arrastões precisam é serem educados, formados, para conviver social e democraticamente, com as diferenças de cor, altura, sexo, na praia, e fora dela.

È sacanagem e banditismo ideológico sair dizendo e escrevendo e noticiando que garotos pobres “não podem freqüentar a praia ou são discriminados”. Das praias do Rio, olhando para cima e para o lado, estão os morros, e neles as comunidades (as favelas de ontem). E TODOS que lá vivem podem sim descer e desfrutar das praias. As diferenças sócio-econômicas não estão na areia de Ipanema, Leblon, São Conrado, da Barra, nas praias nordestinas. Estão na porcaria de governantes que o carioca elege. Que o nordestino elege.

O que Regina Casé, por exemplo, deve fazer no espaço que tem aos domingos ( e outros), é ensinar, mostrar, orientar, o “coitadinho e “discriminado” a integrar-se às lutas por melhores condições de vida sem apelar para arrastões, vandalismo, roubo, agressões.

Temos que ter e ir aos arquivos, e mantê-los por gente preparada, culta, dedicada. O carioca de hoje, precisa saber, como o carioca de ontem recebia os convidados da cidade. Os turistas de primeira viagem. Saber sobre as celebridades que voltavam ao Rio por terem sido conquistadas pela magia e alegria da Cidade Maravilhosa.

È mais que vergonhoso.

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È, ou não, uma tapa na cara, chegarmos a essa ponto negro da história do Rio, do Brasil? Há 50 anos, Brigitte Bardot, Ginger Rogers, Rita Hayworth, Joan Crawford, Lana Turner, Gina Lollobrigida, Sofia Loren, Vivian Leigh, Kirk Douglas, Anthony Quinn, Tony Curtis, Marlene Dietrich, Romy Schneider, Rock Hudson, Ava Gardner, Natalie Wood, o “gangster’ Edward G. Robinson, Zaza Gabor, Porfirio Rubirosa, as pessoas mais famosas do mundo, podiam passear, descansar e se divertir nas praias do Rio.

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Atualmente, Johnny Depp, o consagrado ator da série Piratas do Caribe, Rihanna, Elton John, Alice Cooper, Ketty Perry, celebridades que poderiam promover, como as do passado, o Rio de Janeiro, o Brasil, quando desembarcam, já sabem: nada de praia, nada de sair às compras, nada de sair à noite, nada de…E a seguir assim, (com as lideranças do Rio em cima do muro), os milhares de atletas que virão para as Olimpiadas terão que ficar “presos” em seus apartamentos. Em sendo assim onde o incentivo ao turismo, à hotelaria, ao comércio? E o retorno dos bilhões gastos com a Copa do Mundo e as Olimpíadas? Só lu-lu-lu e dil-di-di.

Não é o governo que promove o Brasil. São milhares de artistas, turistas, celebridades, que admiram os nossos ritmos, sons, cores. São pessoas que ainda gostam do povo brasileiro, que nos divulgam, gratuitamente. E isso não há real, dolar, pixuleco, ou petrodolar, que pague.

A TV Globo nos seus inúmeros programas de amenidades e entretenimento pode e deve mostrar que o Rio já teve tempos e vida urbana melhores. O carioca da classe rica, da classe pobre, ou das classes criadas por Lula e Dilma, por decreto e propaganda, ou os sem classe, precisam saber do que falavam do Rio, por exemplo:

Yes, I Love Rio! I want a Night in Rio! Rio’s Carnival: The eight wonder of the world! Yes, disse Orson Welles: “Ir ao Brasil e não conhecer a praia de Copacabana é como ir a Roma e não conhecer o Vaticano”. Yes, o Rio ficou famoso, seu turismo se desenvolveu, por que celebridades vinham e voltavam falando bem do jeito carioca de receber, de rir, de se divertir, de gozar.

Yes, o Rio de Janeiro já teve bons Anfitriões:

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Jorginho Guinle, Ibrahim Sued, Ivo Pitangui, Marcio Braga, Ricardo Amaral, Chico Recarrey, Lota Macedo Soares, Carlos Lacerda, Negrão de Lima, Tamoio, Oscar Ornstein, Roberto Marinho, Adolfo Bloch, Regine’s, Medina…

Divulgue. Encaminhe www. oreporternahistoria.com.br. Imagens, noticias, texto opinativo, e-mail, enviar para: oreporternahistoria@gmail.com. Ver Jota Alves/FACEBOOK. Ver tambem www.odiadobrasil.com

* Jota Alves fundou o jornal The Brasilians, criou o Brazilian Day, organizou o Carnaval do Brasil no mundialmente famoso Waldorf Astoria Hotel, em Nova York. Divulgou e promoveu o Rio, o Brasil, durante 25 anos consecutivos nos EUA, a partir da Rua 46, centro de Manhattan. Graduou-se em Direito Internacional, Moscou, Rússia. Exerceu as funções de Secretário de Governo em Mato Grosso. Edita o Reporter na Historia e o Dia do Brasil.

Trilha sonora: