Da visita de Brigitte Bardot, musa do cinema francês, à apresentação de Johnny Depp, astro do cinema, no Rock in Rio, são 51 anos. Brigitte e centenas de celebridades adoravam as praias e a vida noturna carioca. Ela descobriu Búzios para o mundo.

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What’s happened?

O que aconteceu com o Brasil nesse meio século para celebridades, artistas, atletas, empresários, evitarem praias, sítios de lazer, sair às compras, frequentar restaurantes, bares, a vida noturna, (de forte apelo nas cidades turísticas), conhecer o carioca de perto?

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Johnny Depp, Elton John, Alice Cooper, Rihanna, Ketty Perry, os artistas estrangeiros convidados para o Rock in Rio, receberam o aviso que deveria nos envergonhar perante o mundo: nada de ir à praia, não circular na noite, não parar para dar autógrafos, não dar bobeira nas Ruas.

Respostas a esta, e a outras questões, sobre a mudança no comportamento do brasileiro “cordial” para o cara embrutecido; do governante com conhecimentos de arte, música, literatura, poesia, para o ignorante, medíocre; do brasileiro que se esforça e tem orgulho de se formar, para os que se gabam de não ler livro, ter diploma, para ser esperto, “vencedor”, ter poder; do servidor público educado, cumpridor de seus deveres para o burocrata grosseiro…

Respostas que deveriam ser estudadas e respondidas por núcleos universitários, fundações, bibliotecas, arquivos locais, regionais, nacionais. E pela mídia, principalmente, a televisiva, a maior educadora, aquela que deveria ser a guardiã e divulgadora da memória política e cultural do país.

O descaso com a história e com a memória do país é devastador.

Mal preparados, interrompidos com freqüência arrasadora na formação escolar e universitária, os estudantes dependem do Google, Yahoo, Enciclopédias virtuais e outros sites de busca, informação, pesquisa, para a sua educação formal.

Quem fornece e insere os resumos, os perfís, imagens, números, estatística, que nós, “gratuitamente” pegamos do Google? Qual a bagagem cultural dos historiadores, pesquisadores, analistas, contratados por esses sites (os novos formadores de opinião do brasileiro) criados numa garagem qualquer dos Estados Unidos?

margratehO que o governo faz para ampliar e melhorar a história e a cultura do Brasil no Google, por exemplo? Eu disse ampliar e melhorar, e não influir, censurar, como fazem Argentina, Bolívia, Coréia do Norte, China, Cuba, Equador, Nicarágua, Rússia, Venezuela, e países do fundamentalismo terrorista.

Esses sites-“gratuitos”-estão formando o comportamento do brasileiro. Que assim continua sendo educado de fora para dentro. Ou seja, com todo o lu-lu-lu e dil-di-di, com fama de sermos o povo que mais toma banho, mais faz cirurgia plástica, mais cesariana, com mais aparelho celular que gente, nós continuamos subdesenvolvidos, segundo o refrão da esquerda dos anos 50/60. E dependentes!

O que seremos, e como agiremos, nos próximos cinqüenta anos, dependerá do Google, por exemplo. Certa está Margrethe Vestager, a Comissária para Concorrência da União Européia, em levantar questões sobre o domínio do Google e seus métodos para vencer concorrentes. Ela preocupada com o domínio comercial. Eu, com o domínio cultural. Se o Google, ou grupo científico, souberem mais sobre a nossa história e cultura do que nós mesmos, eles podem moldar o nosso comportamento.

Mal preparados no primário, no secundário, com ensino cada vez mais fraco e fragmentado nas universidades públicas, confundindo conhecimento com chutômetro, plágio e cópia. Fracos em cultural geral. Seremos sempre excelente mercado e ávidos consumidores das novidades tecnológicas. È o clássico bonito por fora, mas, feio por dentro, e mais ainda com a exoneração de um educador do ministerio da Educação e a volta de um politiqueiro da turma da Caverna Ideológica, em mais uma jogada do Cara que quer voltar à presidência.

Zé Carioca e Pato Donald

Retenho, com prazer, fatos marcantes de nossa vida política e cultural. Bem conservados nos meus 30 anos no exterior. E não me completo ao pesquisar eventos, como o da visita de Brigitte Bardot, estrela do cinema francês-mundial (ator e atriz de cinema eram chamados de astros e estrelas)

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Considero fraco, incompleto, o que o Google nos oferece sobre o lado anfitrião de Juscelino Kubischeck. Pois, foi ele o presidente que mais recepcionou celebridades internacionais. Sobre o governador Carlos Lacerda as inserções são ideológicas, políticas. Ele que foi fundamental para a modernização e embelezamento do Rio (Aterro do Flamengo e outras obras) e quase nada sobre Negrão de Lima e Tamoio, prefeitos, bons anfitriões da cidade. 1. JK com a Kim Novak. 2. Juscelino recebia tão bem que deixava o guest muito à vontade. Nat King Cole então perguntou: “Mister President das minhas canções qual o Senhor quer ouvir”? E JK bem informado, respondeu: Fascination, grande sucesso de todas as epocas). 3. O presidente do Brasil com Louis Armstrong, Pixinguinha, Ataulfo Alves.

José Sarney e Fernando Henrique também se destacaram no receber bem o que não significa fartura de bóia na mesa e piadas sem graça. Receber é deixar à vontade, fazer amigos/conquistar pessoas, com conversa inteligente. Getúlio Vargas costumava dar uma escapada do Catete ao Teatro João Caetano, ao teatro rebolado. È dele o carinhoso e gostoso apelido Sapoti de Àngela Maria.

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O presidente Getúlio Vargas determinou criar todas as facilidades para a visita e o trabalho de Orson Welles e Walt Disney. Ele entendia o trabalho promocional da pioneiríssíma Carmen Miranda, caluniada de “americanizada” pela turma da esquerda sovietizada. Getúlio lia revistas em quadrinhos. Ele gostou da genial sacada de Walt Disney: Zé Carioca mostrando o Rio para o Pato Donald. (Orson Welles com o jovem poeta Vinicius de Moraes, no Rio).

Quem , atualmente, sabe da enorme repercussão que foi a figura do Zé Carioca, antes da TV, no momento em que a turma da Disney dominava o mundo? O Rio, o Brasil, passaram a ser mundialmente conhecidos por Carmen Miranda e os desenhos de Walt Disney.

Neste momento feio de nossa história, principalmente para o nosso mais famoso cartão postal ou principal Portão de Entrada é muito importante puxar pela memória, que para ser útil, não deve ser passiva, saudosista, e sim comparativa entre o Hoje e o Ontem. Isso é fundamental para que gerações azeitem as engrenagens de nossa história, mantendo-a viva. E para entender e melhorar o nosso presente.

A TV Globo pode virar o jogo

00047tumblr_m3qaj228Lg1qfxktpo1_1280 A TV Globo, por exemplo, com seus muitos programas de amenidades, comandados por suas “estrelas”, (Ex-âncoras de noticiários), com seus repórteres de experiência internacional, noticiários, esportes, prestaria um enorme serviço (e a concessão pública das emissoras de TV seria para isso) com persistente campanha de esclarecimento contra os arrastões que destroem a boa imagem de Copacabana, Ipanema, ícones do Rio e do Brasil. Cantados por Braguinha, Dick Farney, Tom Jobim, Vinicius…

E isso pode ser feito noticiando, informando, educando, se posicionando, por praias limpas, livres de arrastões organizados por traficantes, bandidos, cabo eleitoral, por mobilizados “ideológicos”, religiosos, e jornalistas da velha e nova guarda que hoje substituem o marxismo, o comunismo, o lulismo, o populismo, pelo pivetismo e o coitadismo. E colocam audiência/faturamento e voto, em primeiro lugar.

As praias mais democráticas do mundo

A TV Globo pode sim virar o jogo a favor do carioca, do comércio, hotelaria, do turismo em geral. Conheço praias famosas, mas, ninguém pode negar que o Rio, o Brasil, tem as praias mais democráticas do mundo. Nunca vi carioca que carrega a cultura da praia, vive na praia e da praia, negar um copo de água, um pedaço de samduba, uma sombra. A miscigenação nas praias do Rio é total.

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Qualquer garoto preto, branco, mulato, pobre, da favela (comunidade), periferia, pode desfrutar, de chinelo e bermuda, da pelada e da praia o dia inteiro. Conhecer pessoas, fazer amigos, paquerar e conseguir uma namoradinha. Qualquer “menino do Rio”, nas praias cariocas, se dá bem no quesito conquistar, ter um caso, com ou sem afeto.

O que os pivetes dos arrastões precisam é serem educados, formados, para conviver social e democraticamente, com as diferenças de cor, altura, sexo, na praia, e fora dela.

È sacanagem e banditismo ideológico sair dizendo e escrevendo e noticiando que garotos pobres “não podem freqüentar a praia ou são discriminados”. Das praias do Rio, olhando para cima e para o lado, estão os morros, e neles as comunidades (as favelas de ontem). E TODOS que lá vivem podem sim descer e desfrutar das praias. As diferenças sócio-econômicas não estão na areia de Ipanema, Leblon, São Conrado, da Barra, nas praias nordestinas. Estão na porcaria de governantes que o carioca elege. Que o nordestino elege.

O que Regina Casé, por exemplo, deve fazer no espaço que tem aos domingos ( e outros), é ensinar, mostrar, orientar, o “coitadinho e “discriminado” a integrar-se às lutas por melhores condições de vida sem apelar para arrastões, vandalismo, roubo, agressões.

Temos que ter e ir aos arquivos, e mantê-los por gente preparada, culta, dedicada. O carioca de hoje, precisa saber, como o carioca de ontem recebia os convidados da cidade. Os turistas de primeira viagem. Saber sobre as celebridades que voltavam ao Rio por terem sido conquistadas pela magia e alegria da Cidade Maravilhosa.

È mais que vergonhoso.

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È, ou não, uma tapa na cara, chegarmos a essa ponto negro da história do Rio, do Brasil? Há 50 anos, Brigitte Bardot, Ginger Rogers, Rita Hayworth, Joan Crawford, Lana Turner, Gina Lollobrigida, Sofia Loren, Vivian Leigh, Kirk Douglas, Anthony Quinn, Tony Curtis, Marlene Dietrich, Romy Schneider, Rock Hudson, Ava Gardner, Natalie Wood, o “gangster’ Edward G. Robinson, Zaza Gabor, Porfirio Rubirosa, as pessoas mais famosas do mundo, podiam passear, descansar e se divertir nas praias do Rio.

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Atualmente, Johnny Depp, o consagrado ator da série Piratas do Caribe, Rihanna, Elton John, Alice Cooper, Ketty Perry, celebridades que poderiam promover, como as do passado, o Rio de Janeiro, o Brasil, quando desembarcam, já sabem: nada de praia, nada de sair às compras, nada de sair à noite, nada de…E a seguir assim, (com as lideranças do Rio em cima do muro), os milhares de atletas que virão para as Olimpiadas terão que ficar “presos” em seus apartamentos. Em sendo assim onde o incentivo ao turismo, à hotelaria, ao comércio? E o retorno dos bilhões gastos com a Copa do Mundo e as Olimpíadas? Só lu-lu-lu e dil-di-di.

Não é o governo que promove o Brasil. São milhares de artistas, turistas, celebridades, que admiram os nossos ritmos, sons, cores. São pessoas que ainda gostam do povo brasileiro, que nos divulgam, gratuitamente. E isso não há real, dolar, pixuleco, ou petrodolar, que pague.

A TV Globo nos seus inúmeros programas de amenidades e entretenimento pode e deve mostrar que o Rio já teve tempos e vida urbana melhores. O carioca da classe rica, da classe pobre, ou das classes criadas por Lula e Dilma, por decreto e propaganda, ou os sem classe, precisam saber do que falavam do Rio, por exemplo:

Yes, I Love Rio! I want a Night in Rio! Rio’s Carnival: The eight wonder of the world! Yes, disse Orson Welles: “Ir ao Brasil e não conhecer a praia de Copacabana é como ir a Roma e não conhecer o Vaticano”. Yes, o Rio ficou famoso, seu turismo se desenvolveu, por que celebridades vinham e voltavam falando bem do jeito carioca de receber, de rir, de se divertir, de gozar.

Yes, o Rio de Janeiro já teve bons Anfitriões:

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Jorginho Guinle, Ibrahim Sued, Ivo Pitangui, Marcio Braga, Ricardo Amaral, Chico Recarrey, Lota Macedo Soares, Carlos Lacerda, Negrão de Lima, Tamoio, Oscar Ornstein, Roberto Marinho, Adolfo Bloch, Regine’s, Medina…

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* Jota Alves fundou o jornal The Brasilians, criou o Brazilian Day, organizou o Carnaval do Brasil no mundialmente famoso Waldorf Astoria Hotel, em Nova York. Divulgou e promoveu o Rio, o Brasil, durante 25 anos consecutivos nos EUA, a partir da Rua 46, centro de Manhattan. Graduou-se em Direito Internacional, Moscou, Rússia. Exerceu as funções de Secretário de Governo em Mato Grosso. Edita o Reporter na Historia e o Dia do Brasil.

Trilha sonora: