Leon Trotski, 20 de agosto de 1940+                Getúlio Vargas, 24 de agosto de 1954+

A briga ideológica de um georgiano com um ucraniano se transformou, literalmente, em “briga de foice”. E moldou o mundo com insurreições, revoluções, golpes, ditaduras, guerras, e sangue, muito sangue.

O mundo passa por reviravoltas, à beira de loucura atômica, como consequência da Guerra Fria e do racha entre Stalin e Trotski pelo comando do Partido Comunista e a sucessão de Lênin na União das Republicas Socialistas Soviéticas.

Joseph Stalin, nascido em Gori, Georgia, não fazia parte do primeiro escalão da Revolução Bolchevique liderada por Lênin, Nadezhda Krupskaya, Trotski, Sverdlov, Kamenev, Zinoviev, Buhharin, advogados, intelectuais, teóricos do marxismo.

O georgiano Stalin passou curta temporada em seminário dos padres ortodoxos. Falava e escrevia, mal, em russo. Mas, se destacava como tarefeiro do Partido: Assalto a bancos, a quartéis para armas e munições, aniquilamento de opositores, espiões, traidores, eram ações confiadas ao camarada Djugashvili.

Stalin era um outsider. Não participava dos encontros e reuniões sociais com empresários, artistas, intelectuais, que simpatizavam e contribuíam com a revolução.

Lênin foi baleado . Se recuperou. Mas, com derrame cerebral teve que deixar a liderança do Partido e do país. Então, surgiu das sombras, Yossif Vissarionovitch. Um novo Stalin, a comandar, mandar, construir, e começar a destruição da URSS, sem oposição, de 1922 a março de 1953+.

Hoje, dizemos: quem tem a informação, tem o controle. Naquela época, o tarefeiro Stalin já controlava a burocracia partidária (uma das causas do declínio e fim da URSS) ao montar um aparato de gente fiel  a ele no segundo e terceiro escalão do partido e do governo. Mas, não controlava marinheiros, soldados, oficiais, estes sob o comando de Trotski, criador do Exército Vermelho.

A luta interna crescia. Lênin advertiu em Carta- Testamento ao XII Congresso do Partido:

“O camarada Stalin, ao tornar-se Secretário-Geral, concentrou em suas mãos um imenso poder; e não estou seguro de que saiba sempre empregá-lo com a necessária prudência.

“Stalin é demasiadamente grosseiro e tal defeito, inteiramente tolerável no ambiente e na relação entre nós, comunistas, torna-se intolerável na função de secretário-geral. Por isso, proponho aos camaradas que pensem no modo de afastar Stalin deste cargo e de substituí-lo por alguém mais tolerante, mais leal, mais cortês e mais atencioso para com os camaradas, menos caprichoso. ( Stálin visita Lenin, em Gorki).

“Por outro lado, o camarada Trotski distingue-se não somente por suas grandes capacidades; pessoalmente, talvez ele seja o membro mais capaz do atual Comitê Central, mas tem também uma excessiva autoconfiança e uma tendência muito grande a considerar apenas o lado administrativo das questões”.

Essas características dos dois principais líderes do atual Comitê Central podem eventualmente levar à cisão; e, se nosso Partido não tomar medidas para evitá-la, a cisão pode ocorrer de uma hora para outra”.

Na mosca. No Congresso, o racha explodiu com Zinoviev tomando as dores de Stalin que acusava Nadezhda de ter redigido a carta do marido. Com a morte de Lênin, em 1924, a solução temporária foi um Triunvirato: Stalin, Zinoviev, Kamenev, isolando Trotski que acabou se auto exilando em Alma Ata, Cazaquistão. (Lenin e Trotski na Praça Vermelha).

Na sequência, Stalin joga Zinoviev e Kamenv para escanteio. Ambos acabaram expulsos do Partido e “reabilitados” de maneira humilhante, pedindo perdão a Stalin “por não terem seguido fielmente a ele”. No grande expurgo dos anos 30, Kamenev, Zinoviev, e mais uma porção de “adversários” de Stalin, foram fuzilados. Zinoviev no dia 25 de agosto de 1936.

Stalin mandou matar Trotski?

Não havia divergência. TODOS os Partidos Comunistas seguiam a linha soviética ditada por Stalin. Mas, com a criação da IV Internacional Comunista e a fuga de Trotski para o México, o racha se consumou. Stalin tinha medo de Trotski mobilizar comunistas dentro e fora da URSS contra ele.

O aparato do Partido e a propaganda stalinista desencadearam campanha mundial contra Trotski: renegado, traidor, espião…

Em 1937, organizando a IV Internacional, Leon Sedov, filho de Trotski, e mais dois amigos, foram assassinados em Paris. No dia 21 de agosto de 1940, em Coyocan, México, o espanhol Ramon Mercader mata Trotski com um martelo-picareta (a maldição da foice e do martelo se repete). (Trotski com jornal anunciando a criação da IV Internacional).

Plantaram que o comunista espanhol Ramon Mercader, fez “justiça com as próprias mãos”, matando o renegado e inimigo número 1 de Stalin, o maior Líder Proletário do mundo, o Condutor dos Povos. O Partido Comunista Brasileiro (PCB)  repetia o refrão: “O camarada Stalin não tem nada a ver com o assassinato de Trotski”.

Sim, Stálin mandou matar Trotski! A Gazeta Russa em sua edição de 2-8-2017, em narrativa de Jaime Noguera, confirma:

  

“20 de agosto de 1940, México. Depois de um golpe de machadinha contra Leon Trótski, Ramón Mercader foi preso pelos guarda-costas de Trotski que morreu entre espasmos doze horas depois do ataque. Mercader, agente do Comissariado do Povo, NKVD, mais tarde KGB, foi condenado a vinte anos de prisão por homicídio. ( 1. A mini picareta, arma do crime. 2. Ramon levou coronhadas dos guarda costas de Trotski. Questionaram por que eles não atiraram em Ramon. 3. Trotski em coma.)

Três anos após o crime, Stálin decidiu que era hora de resgatar Mercader da prisão e encomendou a operação que recebeu o codinome ‘Gnomo’. O trabalho seria conduzido por agentes soviéticos com ajuda de comunistas mexicanos”.

O plano falhou com a ida de Caridad Mercader, mãe de Ramon, ao México. Portadora da Ordem de Lênin que Stalin outorgara ao filho como Herói da União Soviética, ela insistia com as autoridades para libertarem seu filho. Béria, braço direito de Stalin, chefe da NKVD,  mandou Caridad sair imediatamente do México. Ramon cumpriu 20 anos na cadeia.

Doce prisão

“Segundo o livro “Eitingon, as operações secretas de Stálin no México”, de Juan Alberto Cedillo, a permanência de Mercader na prisão mexicana de Lecumberri foi muito confortável. Recebia a visita de prostitutas duas vezes por semana, comida dos melhores restaurantes e charutos de Havana. O poeta Pablo Neruda foi visitá-lo”.

O escritor Gregorio Luri, em seu livro “O céu prometido. Uma mulher ao serviço de Stálin”, relata que a famosa cantora e atriz espanhola Sarita Montiel visitava o assassino de Trótski em sua cela e lhe ensinou a ler e escrever. Há alguns anos, jornais espanhóis alegaram que a artista havia engravidado e dado à luz uma filha de Ramón. A criança, porém, foi dada para adoção”.

Sarita Montiel, uma das muitas, e muitos, do mundo das artes, paparicada pela esquerda. Como cantora, sofrível. Como atriz, regular. Mas, ela ficou famosa por ser amante do homem que matou Trotski, o inimigo de Stalin. Ela cantou várias vezes no Brasil. (1. O filme la Violetera. 2 Ramon tinha do bom e do melhor na prisão).

Ramon foi libertado em 1960. Viveu entre Moscou e o Caribe, até criticar a invasão soviética da Tchecoslováquia. Mudou-se então para Cuba, onde morreu em 19 de outubro de 1978.

 Os muralistas Cisneros e Diego Rivera, membros do Partido Comunista Mexicano: Cisneros, o mais fanático deles, comandou, em 1940, operação para matar Trotski. Metralhou a casa do russo, mas, não conseguiu atingi-lo.
    Diego Rivera ficou mundialmente conhecido pelos murais no Rockefeller Center, Nova York. Frida Kahlo nasceu em Coyocan, onde Ramon Mercader matou Trotski. Paparicada pela esquerda tornou-se mito, ícone de feministas. Sabe-se que Diego e Frida receberam Trotski e mantinham contato com ele. Há indícios do casal ter introduzido Ramon no círculo íntimo de Trotski, que confiando no comunista espanhol, relaxou a guarda. ( 1. Diego Rivera com Frida. 3 Frida, stalinista roxa, retratou Stalin.)

No racha, Trotski perdeu para Stalin: A briga deles pelo poder sacudiu o mundo. O povo brasileiro, sempre atrás de mitos, sofre. E o país se esfarela, vitima e cobaia da atração fatal: ideologia comunista com corrupção.

 

Dos arquivos do Partido Comunista da URSS estão saindo pérolas, maravilhas cobiçadas pelo jornalismo investigativo, histórico, político. Livros e filmes sobre a era do Todo Poderoso Stalin. Ha revival de Nadezhda Krupskaia, mulher de Lenin, isolada e menosprezada por Stalin. Scarlett Johasson será Nadezha Krupskaia em filme.

O racha dividiu comunistas, criou rupturas. A tese do PCUS era a de Buharin: “socialismo em um só país”. Stalin patrocinava e usava os partidos comunistas como divulgadores e defensores da URSS. Dava guarida para seus dirigentes perseguidos, mas, não queria exportar a revolução. A linha era: conquistar o poder pela via pacifica, frente única, eleições, parlamento.

 

Com o racha surge a tese da tomada do poder pela luta armada: China, Cuba, Che Guevara, guerrilhas urbanas, e as ditaduras militares. A loucura atômica na Coreia do Norte e o alucinado Nicolas Maduro,  (Stalin da Venezuela) educado e treinado pela Inteligência cubana- soviética, são fumaça da fogueira das vaidades de Stalin e Trotski.

Herói, mito, fanatismo, mentira, verdade, estão sendo revelados. Os “inimigos externos”, mais Carlos Lacerda o (o Corvo), “assassinaram” Getúlio Vargas? Milhões foram seduzidos, hipnotizados, pela Carta Testamento de Getúlio. Milhares se aproveitaram (aproveitam), se enriqueceram, fazem carreira política, à custa do mito Vargas.

O suicídio do filho Maneco, e recentemente, do neto, revela a sina suicida dos Vargas. Foi o capitalismo norte-americano que fez Getúlio apertar o gatilho naquela madrugada de 24 de agosto de 1954, ou, causas biológicas e genéticas? (Aguardem em RH II).

Trilha sonora:

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