Trilha sonora: MARIA BETHANIA ‘ SONHO IMPOSSÍVEL ‘

 

 Em 2008 foram eleitas 504 prefeitas. Nas últimas eleições 663. Os estados que mais elegeram prefeitas: Minas: 71. São Paulo: 67. Bahia: 64. Pará: 49. Maranhão: 41.

          

Teresa Sunita. Boa Vista, a única capital do país a ser governada por uma mulher.

O que se segue é sobre Mato Grosso, onde me encontro desde as eleições municipais. Dos 141 municípios apenas 19 serão administrados por mulheres. È pouco. Mas, é um avanço animador motivado pela mulher presidente. Porém, o que espera as prefeitas não é nada animador. Muitas delas celebrarão a posse na virada do ano com enxurrada de problemas.

Dos 141 municípios 102 estão de economia exaurida ou moderada

Apenas 41 municípios de MT estarão nadando de braçada como Sorriso e Alto Taquari, por exemplo, onde “chove dinheiro da soja”. E Cuiabá. Pelo colossal volume de recursos por ser um dos Doze Apóstolos da FIFA.

Somando, diminuindo, multiplicando, os problemas dos municípios pobres são idênticos. Como idênticas são as soluções do centralismo monetário imposto pelo sistema e pelo regime “federativo”. Lutou-se contra o centralismo da ditadura militar. Durante a qual levava mais o prefeito alinhado “ideologicamente” contra as esquerdas. No governo Lula/Dilma leva mais o prefeito alinhado “ideologicamente”. E com poder de voto.

Lula prometeu acabar com “a pouca vergonha de prefeito pires na mão implorando verba para general de plantão”.

Ele não acabou com isso. Na sua década o centralismo ficou mais forte. O município depende de planejamento estatal tipo PAC, plano de aceleração do crescimento. Ou Plano Arrocho Central. Uma réplica mal ajambrada de Plano Qüinqüenal soviético. Ou do Grande Salto chinês. Dos quais nada se conseguia sem o consentimento do Partido. Ou do “Deus” do momento.

Há mais prefeitos de pires na mão. Na década Lula, além do alinhamento, prefeito tem que saber sentar e relaxar nas ante-salas governamentais, ministeriais, gabinetes de deputados, senadores, escritórios. E nada de pires. Coisa pequena. Tem que levar prato fundo. Muitos querem comer o mingau pelas bordas.

CONFEDERAÇÃO DAS PREFEITAS

Com a digitação a psicóloga “política”, neta de prefeito, Adriana Berger: “não tivesse com minha querida avó Ingrid doente no Paraná adoraria acompanhar a luta das prefeitas de MT. Estar com elas na criação de uma “Confederação das Tamoias”.

“Os tupinambás entenderam que precisavam das outras tribos para enfrentar os “donos das coisas” que faziam barbaridades para escravizar os índios. Eles que viviam em liberdade plena. Os “descobridores” tomavam o que lhes pertencia, bloqueavam seus recursos”.

“Os índios viviam de “pires na mão”. E assim foi que goitacazes, aimorés, tupiniquins, guaianazes, e outras tribos, se uniram numa confederação e foram à luta. Nas plagas machistas essas 19 guerreiras eleitas devem se unir. Para problemas similares, soluções similares”.

 

                                                                     AVE, Magali

       

Magali Vilela, de General Carneiro. A primeira guerreira da “confederação” a fazer-se ouvir: “não pagarei dívidas deixadas por Bochudo (o prefeito que está saindo). Será um desastre para o município se ele vender o pouco que temos: 3 caminhões basculante novos,  duas pá-mecânica, 3 caminhões velhos, 3 patrol. Tudo vital para cuidar das nossas estradas vicinais”.

O que se comenta é que Bochudo vendendo o maquinário e pagando dívidas por ele contraídas se livraria das punições da Lei de Improbidade Administrativa. E de outros delitos. Comenta-se também que “o melhor mesmo seria Bochudo ficar um tempo numa Bochuda ou Papuda”. Na redação do RH está 4 para Magali e 1 para Bochudo.

 

                     Royalties da Copa

          

Em Poxoréu, Lena, a vice, à esquerda, e a prefeita Jane, vão administrar a cidade que já foi a Rainha dos Diamantes: “São 25 obras de mobilidade urbana em Cuiabá e muitas outras para o sucesso da Copa do Mundo. Pergunto: Por que não royalties da Copa? Certa a decisão dos royalties do pré sal para todos os municipios. Afinal, o petróleo é nosso. E a Copa é nossa”.

“Os estados produtores de petróleo recebem bem mais. Porém, os demais estados também recebem. Cuiabá, cidade sede, deve sim ser contemplada com muito mais recursos. Mas, ao priorizarem grande volume de recursos para a Copa, bem que poderiam contemplar os municípios pobres. Com um tipo de royalties da Copa. Evento que é de todos. Como os rios, o petróleo, os nossos recursos naturais. Direta ou indiretamente estamos todos trabalhando e pagando para o sucesso da Copa em Cuiabá”.

Jane, uma das 19 guerreiras recebe o diploma de prefeita com a sua cidade/município em risco de enxurradas. Isolando comunidades pelo estado precário das estradas. Poxoréu tem inadimplência altíssima. O município deve, e não tem como pagar. “Recebo a prefeitura sem poder construir uma habitação sequer do programa Minha Casa, Minha Vida. Um complexo turístico. Com três obras dos “royalties” da Copa eu começaria uma re-evolução na cidade”.

O garimpeiro sonhava em ver seu filho médico, advogado, deputado. Há muitos filhos de Poxoréu, atuando, com sucesso profissional, em Cuiabá, Brasília, Goiânia, Rio de Janeiro, em outras cidades, no exterior. Para eles, Jane manda uma mensagem SOS: “a hora é essa. Voltem às raízes. Visitem Poxoréu. Mandem sugestões. Conto com todos vocês”.

O I Encontro das Prefeitas

     

Mesmo sem recursos disponíveis Jane pensa no I Encontro das Prefeitas de Mato Grosso. “Unidas, jamais seremos vencidas”. São muitos os municípios de economia exaurida. A proposta da prefeita eleita de Poxoréu deveria ser levada muito a sério. Royalties da Copa para os municípios da velha geografia mato-grossense, do pré-soja, é algo inteligente a fazer. Um tipo de compensação. Pois a coisa ta feia para os novos prefeitos/as.

Adriana Berger aconselha: “maior a dificuldade, maior a busca por alternativas. Que na maioria das vezes não estão no município. Meu avô dizia: “aqui nem pinto pia mais, piá”. Ele ia a cavalo, no fordeco,  conversando, ouvindo, anotando, aprendendo”.

“Só sei que ele convenceu Moises Lupion, o Rei do Café. E ai tudo mudou. Quando a cidade está exaurida, há que buscar saídas, alternativas. No caso dos municípios pobres as alternativas estão fora. Com o governador, deputados, senadores. Com empresas, imprensa, inovadores. A prefeita terá que ser porta voz, relações públicas de si mesma. Sair promovendo oportunidades para investimentos em seu municipio”.

“Buscar atalhos. Fundamental organizar a retaguarda familiar. Com marido no pé, não vai dar pé. Ter a compreensão e o apoio dos filhos. E cuidado ao nomear e contratar parentes. Chico Anisio pensava numa peça teatral de humor com o título: “toda prefeita tem um cunhado que não presta“.

    

 “As prefeitas devem estar em contato permanente entre si. Conversem sobre seus problemas. Troquem experiências. E se informem. Se reciclem. Leiam bastante. E, por favor, se espelhem em vencedoras. Em guerreiras autênticas. Busquem a credibilidade e a capacidade de liderança de Ângela Merkel. O vigor de Hillary Clinton. Descubram Golda Meir, Anita Garibaldi, Margareth Tathcher”.

“Pensem em Dilma. Escrevam para a presidente. Sem essa de mobilização sugiro que as prefeitas façam uma visita à presidenta e entreguem a ela 19 pedidos/projetos bem elaborados. Um para cada municipio tá ótimo. E  contra os Bochudo do qual fala Magali, de General Carneiro, se necessário, incorporem Maria Bonita”.

 

 Por que a República é mulher

 Brasília (Alô) – Será nossa História confiável? Estou convencido, por exemplo, de que Cabral aportou em Touros, no Rio Grande do Norte, e não em Porto Seguro, na Bahia. E agora temos um feriado nesta semana da Proclamação, que não foi como contam. A da Independência até faz sentido. Mas a da República tem outra história. Na verdade, foi uma quartelada restrita, sem a menor participação popular e muito menos do Exército como um todo. Havia uma soma de descontentamentos, mas naquele dia só havia a intenção de derrubar o gabinete do Visconde do Ouro Preto, o chefe do governo de nossa monarquia parlamentar – e não de derrubar o Imperador.

Precisavam de um líder e foram buscar em casa o Marechal Deodoro da Fonseca. Ele estava na cama, com enfisema. Relutou mas foi convencido a sair de casa, oferecendo-lhe uma liteira para transportá-lo. Depois, conseguiram um cavalo emprestado para que ele liderasse a tropa. Deodoro não ficou muito tempo ali e voltou para casa. Dizem que ele teria tirado o chapéu e gritado “Viva a República”, o que é improvável, porque ele sempre fora monarquista e amigo do Imperador. Os amotinados se dirigiram ao Gabinete Ministerial para prender seu presidente, o Visconde de Ouro Preto. Que pediu a Floriano para resistir aos amotinados, mas Floriano se recusou e prendeu Ouro Preto. O Barão de Ladário resistiu e levou um tiro.

O Imperador estava em Petrópolis e, quando soube, tomou o trem para descer para o Rio e formar outro gabinete. Deodoro, em casa, imaginou que era isso que o Imperador faria, mas, para mudar a disposição de Deodoro, contaram a ele que o novo Presidente de Governo seria Gaspar Silveira Martins, que vinha do sul, em navio. “Esse, não!” – reagiu Deodoro, agora decidido a depor o Imperador. Por que “esse não”? Porque quando estava em Porto Alegre, como interventor, anos atrás, Deodoro arrastava a asa para os lados da filha do Barão do Triunfo. Mas a moça acabou cedendo aos encantos de Gaspar. Como vemos, é bem significativo que a República seja simbolizada por uma mulher.

À tarde, ao saberem da disposição de Deodoro, proclamaram a República no prédio da Câmara Municipal, com um texto redigido por José do Patrocínio. Só no dia seguinte o povo soube da novidade e o Imperador, nascido no Rio de Janeiro, foi banido para a Europa. Foi com a família morar em Paris, acompanhado do Visconde de Ouro Preto. Ele reinou por 58 anos e era chamado de O Magnânimo. Venceu a Guerra do Paraguai, pacificou os movimentos regionais, fixou nossas fronteiras, aumentando nosso território, foi um estudioso das ciências, fez a Abolição, mas foi atropelado pela República. Hoje o adjetivo republicano tem sido usado como sinônimo de ético com a coisa pública. Ou apenas como camuflagem de corrupto.

Alexandre Garcia

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Do Repórter na História: fotos e rabiscos

   

Para a campanha de Wilson Fadul ao governo, num caminhão velho, cheguei ate Nortelândia. Depois era o “inferno verde” como se dizia. “Séculos depois”  voltei para a campanha de Carlos Bezerra. Já era outro o Nortão. Os colonos do Sul não passavam por Cuiabá. Eles iam direto para as glebas de Ênio Pepino, Ariosto da Riva, e de tantos outros. 

Ver aquelas crianças loirinhas era como se eu estivesse vendo um filme do desbravamento do oeste norte-americano. Os colonos não sabiam patavina de Mato Grosso. Um dia descemos num monomotor em Sapezal para confirmar o apoio de Andre Maggi que tinha residência e negócios em Rondonópolis cidade da qual Bezerra era prefeito.

Confirmado o help. Daquele que se tornaria grande milionário da soja. No meio da conversa eu perguntei ao anfitrião o que ele achava de uma campanha para massificar a imagem da bandeira de Mato Grosso e assim abrir canais de comunicação com os sulistas, os novos mato-grossenses. Além de apoiar a idéia, ele disse “manda uma bandeira, vou hasteá-la, bem ali. E mostrou o lugar”.

 

 

 

 

 

 

No governo, e com tantos municipios novos, iniciei a Campanha Nossa Bandeira. Recebi gozação e pauleira. “Jota dá bandeira. “Ele aprendeu essa frescura de americano, que tem bandeira por todo lado“. “Isso é coisa de milico“. 

Painéis. Cartazes. Distintivos na lapela da PM. Bandeira nas escolas. Institui que: toda vez que o governador chegasse numa cidade ele hastearia a bandeira. (Na primeira foto Carlos Bezerra hasteando a bandeira de MT)

 A Praça das Bandeiras

Dei-me mal com as bandeiras em Chapada ( foto 2) e no morro de Santo Antonio.  Aquele à vista ao se aterrizar no aeroporto Marechal Rondon. Essas bandeiras foram feitas em São Paulo sob medida. Enormes. Mas, o vento as destruíam. 

Preciso notar que foi um governador “sulista”, Blairo, filho de Andrè Maggi, quem melhor captou a mensagem e prestigiou a minha iniciativa criando em seu governo a Praça das Bandeiras. Local de eventos oficiais, protocolares. Aberto ao público com  bandeiras tremulando. Beautiful.

Durante churrasco em Chapada dos Guimarães um certo Nicolau veio falar comigo. Olhando para a bandeira que acabáramos de hastear em meu “paraíso” ele disse: “eu charqueava lá em Sapezal. Ajudei a levantar o mastro da bandeira. Blairo ainda era estudante”.

“Um dia o Seo Andre, olhou pro Blairinho e avisou: “respeite essa bandeira. Um dia você precisará dela”. Sapezal se tornou próspero municipio. Blairo Maggi, Rei da Soja, foi governador, duas vezes. È senador. Cotado para Ministro de Dilma.

 

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