Trilha sonor: Brasil Mulato, Martinho da Vila.

“Pertence ao passado a figura do juiz que se mantém distante indiferente e alheio aos valores fundamentais e anseios da sociedade no qual ele está inserido”.

“Ao falar de Direito é preciso ter a honestidade intelectual para reconhecer que há um grande déficit de justiça entre nós. Nem todos os brasileiros são tratados com igual consideração quando buscam o serviço público da Justiça. O que se vê, aqui e acolá, é o tratamento privilegiado, o bypass, a preferência desprovida de qualquer fundamentação racional”.

“Importante que se diga que o judiciário que aspiramos ter é um sem floreios, sem rapapés. O que buscamos é um judiciário célere e justo. De nada valem as edificações suntuosas, os sofisticados sistemas de comunicação, se quando naquilo que é essencial a justiça falha”.

“É preciso reforçar a independência do juiz. Afastá-lo, desde o ingresso na carreira, das múltiplas e nocivas influências que podem, paulatinamente, minar-lhe a independência. Nada justifica, a meu sentir, a pouco edificante busca de apoio para uma singela promoção”.

 “Ele lutou por conta própria. O que dei foi oração”

                                                       

Benedita Barbosa, mãe do ministro: “ele lutou por conta própria, o que dei foi oração”. Ela deu o melhor e mais importante que uma mãe pode dar a seu primogênito. Bons exemplos, fé e confiança em si mesmo. Para a história de Joaquim Barbosa ver a revista Veja. Para estudante de Direito e Homem da Lei recomenda-se o livro do ministro: Ação Afirmativa e Principio Constitucional da Igualdade. Para os que desejam seguir carreira no Judiciário que fujam “da pouca edificante busca de apoio para uma singela promoção”. 

Que ponham a barba de molho os políticos que usam seus cargos para surrupiar dinheiro público. O exemplo vem de cima. Por mais dificil e sonhador o desejo, Juizes por esse Brasil afora poderão seguir o exemplo de Joaquim Barbosa no ato sublime do julgamento, da condenação, da absolvição. Sem medo de politico e canalha que exercem função pública, por nomeação ou por eleição, e se julgam no direito de pressionar, impressionar, convencer, manipular, e tentar corromper Homens da Lei. O que a banda larga e sadia do Brasil deseja é que a moda, o estilo, a coragem, o jeito barbosa de ser se espalhe pelos tribunais do país.

Celebridade

È fácil ser celebridade no Brasil. Não fosse o Mensalão a posse do ministro Joaquim Barbosa na presidência do Supremo Tribunal Federal não receberia tanta e destacada cobertura. Ele não é o primeiro negro na suprema corte do país. Pedro Lessa e Hermenegildo de Barros foram ministros do STF. Joaquim Barbosa é sim o primeiro negro a presidir o Supremo Tribunal Federal. A sua posse foi pacifica na fila hierárquica da alternância, a cada dois anos, da presidência do STF. Mas, o fizeram celebridade por ele ser negro? Ou por ser um negro honesto, independente e corajoso. Ele mesmo responde:

 “Engano pensar que sou uma pessoa que tem dificuldade de relacionamento, uma pessoa difícil. Eu sou uma pessoa altiva, independente e que diz tudo que quer. Se enganaram os que pensavam que, com a minha chegada ao Supremo Tribunal Federal, a Corte iria ter um negro submisso. Isso eu não sou e nunca fui desde a mais tenra idade. E tenho certeza de que é isso que desagrada a tanta gente. No Brasil, o que as pessoas esperam de um negro é exatamente esse comportamento subserviente, submisso. Isso eu combato com todas as armas.”

Cangalha e cabresto

Fala-se em combater a corrupção. Ai um negro indicado pelo presidente da República para o STF “que não cagou na entrada resolve cagar na saida” faz o que não se espera de um negro alinhado. Tira documentos da gaveta. Pisa fundo no acelerador da justiça lenta e gente grauda vai para a prisão. Estarrecida e vingativa está a cupula do partido com dois de seus presidentes condenados. Onde já se viu prender “revolucionário”, guerrilheiro, guerreiros do povo? Ministro Chefe da Casa Civil, o segundo homem mais poderoso da República, preso?  

O deputado João Paulo Cunha

    Esse Joaquim Barbosa só pode estar louco. Se Lula o indicou, o Senado aprovou, ele tem  mais é que fazer o que Lula manda, o que o partido quer. Sem cangalha e cabresto o negro ministro e presidente da Suprema Corte é alvo de racismo explícito. Louco está João Paulo da Cunha, deputado, ex-presidente da Câmara Federal, com seu racismo de armário que aflorou, explícito.

 Então não há a sugestão de uma traição?
Então não há a sugestão de uma ingratidão?
Então não há a sugestão de uma incoerência?

 

“Negro filho da mãe. Negro traidor. Negro que não carrega bandeira. Negro vira casaca. Negro negro”.

Mais sobre o racismo do deputado petista em Reinaldo Azevedo, na revista Veja. Condenado no Mensalão João Paulo poderá mofar na cadeia. Ofensa racial é crime inafiançável. Um governo que se diz preocupado com minorias raciais. Um partido que chegou e se mantem no poder usando os discriminados. Devem uma explicação à nação.

Luiza Barros, Secretaria de Políticas de Promoção de Igualdade Social, a que afirma que o país se reconheceu racista há tão pouco tempo, vai ou não vai investigar se o deputado disse ou não disse o que está publicado? Ou repudiam a fala de João Paulo Cunha, ou são coniventes. Aliás, Lula foi o único presidente “na história desse país” a fazer discursos eleitorais insuflando o racismo, jogando brasileiro contra brasileiro, com o refrão “essa gente loira de olhos azuis”. 

Manipuladores da boa fé das minorias

Lula levou para o núcleo central do governo gente azeda, frustrada, com dogmas e “posições” de séculos passados. Manipuladores da boa fé das minorias. Gente que acredita e difunde que o Brasil de maioria parda e negra, é um país racista. Gente que deixa de lado a leitura dos grandes desajustes sociais, da brutal concentração de renda, da desigualdade econômica, da corrupção no governo onde atuam, para se concentrar na cor da pele.

 As nomeações de Lula estão explodindo. Esse escândalo no escritório da presidência da República em São Paulo é gravissímo. Muitas das nomeações de Lula são verdadeiras “cagadas”. Estão minando a credibilidade e os esforços da presidente Dilma. Petistas a confrontam. Exigem dela posições favoráveis ao grupo. Ela que se cuide. São espertalhões em rasteira. È muito dinheiro na parada. E bota dinheiro nisso. Estão discriminando a mulher-presidente.

               

Martin Luther King, assassinado pelas causas legítimas dos negros norte-americanos, dizia “sou negro, e não posso fazer nada sobre isso. Não posso mudar a cor da minha pele. Mas posso ajudar a mudar as condições do negro com direitos civis, com melhorias substanciais em sua vida. Sem recorrer ao ódio racial, à violência”.

E Martin Luther tinha razão. A sua luta foi centrada em conquistas reais e não na cor da pele e dos olhos. Não em revoltas e gigolagem racial com objetivo eleitoral conduzida por espertalhões. A “linha” política de Martin Luther King triunfou na América com Barack Obama, o primeiro negro presidente dos Estados Unidos, pela segunda vez contínua. Não há no discurso de Obama nenhuma palavra fomentando diferenças raciais. Não existe isso de “agora vamos dar o troco”. Black power é coisa dos anos 60. È passado. Obama fala à nação como um todo. Por isso mesmo foi reeleito também pelos brancos .

Pode até levar um tiro por isso. Mas, o negro presidente com atualíssimo pé na Àfrica, com a sua vó Sarah lá no Quênia rezando por ele, não fica  buscando no convés da história restos de navios negreiros. Obama, como Martin Luther King, não é um negro “traidor de sua raça”. Obama é um homem bem formado, por mérito próprio, como Joaquim Barbosa. Obama é um homem lúcido. Um negro da modernidade à frente dos grandes desafios de seu país, como Joaquim Barbosa.

 A mensagem de Martinho da Vila

   

                                                            

Desde o seu primeiro LP Martinho da Vila sabe interpretar sem superficialidades e baboseiras o “racismo brasileiro”. No disco está Brasil mulato.

                                        

Um “Martin Luther King” verde e amarelo. De paz e harmonia. Do samba. Ritmo nosso. Puxador de amigos, turistas, e admiradores pelo mundo todo. Samba que vem sendo relegado pela mediocridade musical fortalecida pela mediocridade politica. Invès de discriminar e provocar conflitos Martinho canta e ensina a miscigenação através da qual o Brasil será mais forte. O resto é bullshit.

Pretinha, procure um branco
Porque é hora de completa integração
Branquinha, namore um preto
Faça com ele a sua miscigenação
Neguinho, vá pra escola
Ame esta terra
Esqueça a guerra
E abrace o samba

Que será lindo o meu Brasil de amanhã
Mulato forte, pulso firme e mente sã

Quero ver madame na escola de samba sambando
Quero ver fraternidade
Todo mundo se ajudando
Não quero ninguém parado
Todo mundo trabalhando
Que ninguém vá a macumba fazer feitiçaria
Vá rezando minha gente a oração de todo dia
Mentalidade vai mudar de fato
O meu Brasil então será mulato

O fim do mundo

 Na madrugada do dia 21 de dezembro, no Japão. E na tarde do dia 20, no Brasil.

 “Vênus explodirá e empurrará Mercúrio para dentro do Sol. A Terra será afastada do Sol”

Ficará muito calor aqui. “A radiação cósmica, resultante desses impactos, pode produzir um novo elemento radiativo, que vai modificar a estrutura dos seres humanos, transformando-os em pedra viva e água viva, o que nos deixará imortais”.

A Terra ficará imersa em uma escuridão, que durará 150 dias. Neste período todos os seres humanos que sobreviverem sofrerão muito até serem resgatados por naves espaciais, que levarão os sobreviventes para a outra dimensão, onde a vida, enfim, começará de verdade.

Olha ai a dica:

“É importante estarmos em locais altos, pois haverá uma grande onda inundando as cidades, e fazermos um estoque de mantimentos como azeite, mel e sardinha em lata, que ajudarão a enxergar em meio a escuridão”. ( Antonio Vasconcellos, Recife, PE.)

Qual dos mensaleiros de Lula tem coragem?

  

Robert  Dwyer, 47 anos, deputado, político, cobrava taxa de sucesso por intermediação de negócios bem sucedidos. Qualquer semelhança com os chefes dos  mensaleiros made in Brazil é mera coincidência. Ele foi condenado a devolver 300 mil dólares. E a 55 anos de prisão.

Ele convocou uma coletiva de imprensa. Diante das câmeras de cinco canais de TV sacou uma Magnum e explodiu os miolos. Sem querer ofender ninguém ou sugerir que alguem aí no Brasa faça o mesmo, perguntar não é proibido: quem da turma dos mensaleiros e mensageiros de Lula tem coragem para fazer o que Robert Dwyer fez? ( Amílcar Menezes, Boston/Belo Horizonte)

 

O Repórter na Históriafotos e rascunhos

     

Mataram el hijo puta. Mataram el hijo puta“. Assim reagiam cubanos e outros latinos à noticia do assassinato de John Kennedy. Novembro de 1962 chegou com muito frio em Moscou. Foram seis meses estudando gramática e fonética russa. E mais seis meses de ambos e algumas matérias de Direito Internacional. O ambiente político era efervescente. O mundo saira da crise dos mísseis em Cuba. Uma jogada de marketing que colocou Nikita Kruschev no palanque mundial. Mas, isolou Cuba. Veio a invasão da ilha pela baia dos Porcos. O maior erro da administração Kennedy. 

Os estudantes cubanos o detestavam. Daí a reação do “mataram o filho da puta”. História ate hoje não esclarecida. Lee Oswald, casado com uma russa, foi um mataddor solitário? Houve conspiração? Da máfia ítalo-americana? De cubanos?

Eu estava em Moscou quando o cara branco matou Martin Luther King. A reação foi de solidariedade aos negros dos Estados Unidos. Anos depois na qualidade de liderança brasileira em Nova York participei de desfiles e manifestações por liberdades civis. Pelo feriado em homenagem a Martin Luther King. Convidei, pessoalmente, Jaqueline Kennedy, celebridade e já viuva de Onassis, para o Juri de Fantasias do Carnaval no Waldorf Astoria. Ela não foi. Mas figurava na lista de VIPs convidados. Era o bastante para o sempre bem sucedido happening no hotel das celebridades. Na sequencia veio o Dia do Brasil, o  maior evento brasileiro no mundo. Criado por mim em 1985 numa explosão de alegria e liberdade. Por democracia plena para todos os brasileiros.