Trilha sonora: Frank Sinatra New York, New York

Edward Irving Koch foi um prefeito formidável. Carismático. Outspoken. Apaixonado por Nova York. Sua frase mais conhecida: “Como estou indo? O que você acha do meu trabalho”? Foi prefeito três vezes. De 1977 a 1989. Exatamente no meu melhor tempo na cidade. Koch tentou a quarta reeleição. Perdeu para David Dinkins.

         

Nasceu no Bronx em 1924. Interrompeu os estudos para servir na infantaria do exército norte-americano na Europa. Terminada a II Guerra Mundial Edward Koch foi para a Faculdade de Direito da New York University. Advogado e militante do Partido Democrata projetou-se no Village e na área baixa de Manhattan. Foi deputado federal. E o 105* prefeito da fantástica Big Apple.

Sou o único brasileiro a prestar-lhe esta e quantas homenagens forem necessárias à seu trabalho, à sua liderança, ao amor que ele nutria e demonstrava à cidade que me acolheu. Que me fez um sujeito do Bem. Da Honestidade. Criativo. Solidário. De sucesso.

E o faço da minha pequena e acolhedora Poxoréu protegida pela mata bonita, banhada por aguas volumosas, fortalecida por montes bonitos, como o Morro da Mesa, dos rituais dos criativos indios bóroro. ( ler Lapidando Poxoréu)

E às vésperas da maior festa popular do planeta.

A Oitava Maravilha do Mundo. No dizer de Benito Romero, líder da nossa comunidade e de sua sempre querida Casa do Brasil. Foi na extremamente competitiva e ao mesmo tempo dadivosa New York que tive o privilégio de promover o Carnaval do Brasil no Grand Ball Room do mundialmente famoso Waldorf Astoria Hotel por 15 anos consecutivos. E teria continuado não fosse o incontrolável desejo de voltar para o meu país que eu havia deixado aos 21 anos de idade.

Very Important People

Na cidade das celebridades, eventos, festas, happening, não fazem sucesso sem os VIP (Very Important People).

Fui feliz nesse quesito. O concurso de fantasias era julgado por celebridades. Milhares de americanos “descobriram” o Brasil pelas páginas do The Brazilians, jornal fundado e editado por mim de dezembro de 1972 a dezembro de 1989. As vitrines das mais famosas lojas da cidade mostravam alegorias, fantasias e decoração, brasileiras. Milhares viajaram ao Rio, Salvador, Recife, para ver e sentir The Brazilian Carnival.

    

Adriana Krambeck, diretora executiva do Dia do Brasil, negociando com diretores da Escola de Samba Mangueira. Com Beth Carvalho. Naipe de piston e trombone para autenticidade do Carnaval do Brasil no Waldorf Astoria.

Quando levei, oficialmente, e pela primeira vez, o melhor da Escola de Samba Mangueira a New York, thanks to BANERJ (leia-se governo Leonel Brizola) e à VARIG tentei com o jeitinho brasileiro e o american way ter o prefeito-celebridade-Koch no Carnaval do Brasil no Waldorf Astoria.

Conversa animadora. Mas, ele não foi.

Quando se tem o prefeito da cidade do SuperMan em uma cerimônia, feira, festival, evento, há que celebrar ouvindo e cantando My Way e o “hino da cidade que nunca dorme”, New York, New York, com Frank Sinatra. È a foto deste ano para promover e vender o evento do ano que vem. E assim sucessivamente.

“Eu sou o tipo de pessoa que nunca terá úlcera”.

Koch se explicava: “Pois digo o que penso. Com o meu jeito de agir e falar eu provocarei úlcera em opositores meus”.

E como eu falo e escrevo o que penso desde os tempos da censura em a Opinião do Saci, e não tenho úlcera, encasquetei que teria o prefeito de Nova York no meu palco. Tipo, mais um troféu! Para calar a boca de invejosos. Competidores rancorosos, desonestos. E para mostrar que I did it may way.

 Koch na campanha para a reeleição de Bloomberg, atual prefeito de New York.

 

Mas, dessa vez, foi ele quem se ofereceu.

Já em campanha para a quarta reeleição Koch precisava de mais e mais palanques. E o palco do Dia do Brasil, na Rua 46, bem no centro de Nova York, era bem avaliado. Diferente. Contagiante. Eu, Míster Alves, tinha sido investigado. Crédito. Liderança. Caráter. Status de imigrante legal. Proprietário de imóvel. Imposto de Renda em dia. O prefeito da colossal New York não pode errar em suas aparições públicas. È marketing de imagem e fala o tempo todo.

“Muito obrigado Brasil por essa linda festa em nossa cidade”.

Ele vem? Não vem? Ocupadíssimo. Subindo e descendo o palco. Recebendo convidados. De olho em possíveis irregularidades e mal feito de meus queridos patrícios que poderiam comprometer a imagem da maior festa brasileira no mundo e criar-nos problemas com a administração da cidade eu parei de pensar em Edward Koch.

  

Agendar o atarefado prefeito de New York em evento não oficial é façanha de super herói. Mas, lá está ele, alegre, no palco do Dia do Brasil.

Mas, por volta das 14 horas o Segurança pessoal do prefeito, sorrindo me diz: “Ele chegou. Está entrando pela Quinta Avenida”. Com medo de provocação ou idiotice de algum imbecil (New York estava sob constante ameaça terrorista) eu queria que o prefeito chegasse pela Sexta Avenida onde estava o palco. Mas, ele não seria Edward Koch se não caminhasse, balançando a barriga, por entre a multidão, e sem guardas fardados. Parou na barraca Coisa Nossa, da Tânia Mara, bebeu caldo de cana e comeu bolo de queijo.

Abraçou-me. Como se fossemos velhos amigos.

Político escolado. Diante das câmeras de TV e dezenas de fotógrafos, sempre olhando para a multidão, abraçou-me como se fossemos velhos amigos. Eu o apresentei. E o prefeito do “tambor do mundo” terminou as suas palavras em bom português: “Muito obrigado Míster Alves. Muito obrigado Brasil por essa linda festa em nossa cidade”. Tá ou não tá de bom tamanho para o menino que nasceu  numa casa de palha? No garimpo. Cheio de vermes. Raquítico. Entre a vida e a morte por queimadura no peito. Bem New York. A cidade das oportunidades. It´s up to you.

 

A Proclamação oficializando o Dia do Brasil no calendário de eventos de New York. A placa na esquina da mais importante Avenida do mundo com a Rua 46. O secretário do prefeito entregando um elogioso Certificado da Prefeitura a Miss Michigan, Adriana Krambeck. 

Em 1985, o prefeito assinou a Proclamação autorizando fechar o centro da cidade para o Primeiro Dia do Brasil dedicado à Tancredo Neves. Koch nos prestigiou no palco em 1988 na Little Brazil de onde por 25 anos honrei o meu povo e o meu país. Nesse mesmo ano ele convidou-me para um breakfast na Grace Mansion, a residencia do prefeito de New York.

Forever

O trabalho e a dignidade de nossas ações abriram as portas da Prefeitura de New York para a comunidade brasileira. Sem o devido crédito ao criador do Brazilian Day a TV Globo, de maneira arrogante e cretina, omite o meu nome no material escrito, nas vinhetas, nos anuncios promocionais, da maior festa brasileira no mundo, criada por mim numa explosão de alegria e liberdade, em 1985. Estive no Dia do Brasil ate 1990. Continuei colaborando ate 1996. Desde então “deixei de existir”.

Fina estampa

 

Plagiar. Copiar. Imitar. Não dar crédito a escritores, compositores, jornalistas. Chupar e adulterar texto é prática recorrente em nosso país. E mais ainda nessa década de miséria cultural. A novela Fina Estampa obteve altos índices de audiência e de

faturamento para a TV Globo com uma belissima trilha sonora. Mas o nome da peruana Chabuca Granda, autora da letra, da música e do tema, não apareceu na abertura nem nos créditos finais. Chabuca dedicou Fina Estampa à seu pai. A canção foi gravada pelos mais famosos cantores e cantoras da América Latina. No Brasil por Caetano Veloso.

 

Para todos os brasileiros

Não fôsse a minha participação voluntária no governo do meu estado natal  já estaríamos em muitos mais países com o palco do Brazilian Day e as suas promoções abertas a todos os brasileiros. Como sempre o fizemos. E, principalmente, para cantores, cantoras, músicos, artistas, que batalham no exterior, e para os quais o palco da nossa grande festa seria sempre uma vitrine para excelentes oportunidades. Organizamos o Dia do Brasil em Xangai, a “New York” da China. Em Moscou.

Aberto a todos os jornalistas, repórteres. Imprensa em geral. Dignificando o nome do maior  evento brasileiro no mundo O Dia do Brasil: para todos os brasileiros.  Lamento e não concordo que tenham feito do Dia do Brasil um private affair, um negócio particular. No palco do qual só são permitidos apresentadores, convidados, artistas, cantores, grupos, cantoras, da TV Globo, ou os que a ela interessa promover e “vender”. ( ver www.odiadobrasil.com).

 Na abertura do primeiro Dia do Brasil eu disse: “Esta festa é para sempre. Tenho consciência que criei um evento forever”. 

 

E que se registre nos anais da amizade Brasil-Estados Unidos a minha homenagem póstuma from the bottom of my heart a Edward Koch o prefeito do Dia do Brasil.