Trilha sonora: Estréia do Ceará na TV imitando Silvio Santos

No passado eles eram amigos e Silvio Santos até assinou um contrato autorizando ser imitado pelo ator Wellington Muniz, o Ceará, no humorístico Pânico. Mas, segundo o blog do jornalista Daniel Castro, tudo mudou. Em sua recente ida para a Band, após deixar o SBT, o programa já colhe seu primeiro processo. Segundo Daniel Castro, os humoristas do Pânico e todos os profissionais da Band estão proibidos de imitar, captar e exibir imagens e até de se aproximarem do apresentador Silvio Santos.

Por determinação do desembargador Vito Guglielmi, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, os profissionais da Band estão proibidos de se aproximarem do apresentador em um raio de 100 metros, para captar imagens ou fazer entrevistas. Guglielmi também proibiu a Band “da perseguição, do cerco e do constrangimento à participação de Silvio Santos, dono e apresentador do SBT, em seus programas.

Ainda de acordo com a decisão judicial, a Band também está impedida de fazer a “captação, utilização e exibição de suas imagens [de Silvio Santos] e características pessoais, inclusive por meio de imitações e caricaturas, principalmente no que envolva a sua exploração não autorizada, sob pena de multa diária de cem mil reais”.

Wellington Muniz- o Ceará- não pode mais interpretar o personagem que o consagrou na tevê

 Algemaram o Ceará. Se virar jurisprudência quem imita Dilma deve ser preso

Portanto, o humorista Wellington Muniz, o Ceará, não pode mais interpretar o personagem que o consagrou na tevê, “Castro conta ainda que a medida afeta todos os programas da Bandeirante e que a liminar de segunda instância”, foi pedida pelo próprio Silvio Santos. O dono do SBT teria ficado “profundamente aborrecido” com o fato de humoristas de o Pânico terem dublado uma ação sua, colocando em sua boca um palavrão que ele não teria dito. O jornalista conta que nos programas dos dias 6 e 13 de maio, o Pânico mostrou Rodrigo Scarpa, o Repórter Vesgo, abordando Silvio Santos na entrada do salão de cabeleireiros Jassa, em São Paulo. Silvio Santos não quis conversa. Fez um gesto que o Pânico interpretou como um palavrão (“vai se f…”). Silvio Santos recorreu ao Tribunal de Justiça porque não teve sucesso na primeira instância da Justiça.

O juiz de Primeira Instância negou liminar porque, avaliou, feriria a liberdade de imprensa.

Silvio Santos ganhou o seu Canal de TV do General Figueiredo, o último presidente da ditadura militar (1964-1985). Depois dele, José Sarney, Collor, Fernando Henrique, Lula e Dilma. E todos eles sempre gostaram de ser amigo de sua Majestade, o Patrão, como SS é reverenciado por empregados e bajuladores. Milionário, aos noventa anos vai descansar e escrever memórias no exterior. Fazendo TV popular, do povão, SS sempre se garantiu, junto a políticos populares. Jânio, Maluf, Lula…

Livrou-se do rombo do Banco Pan Americano e de suas empresas coligadas num golpe televisivo. Às vésperas do segundo turno das últimas eleições presidenciais visitou o presidente Lula em palácio para “convidá-lo a fazer uma doação, mesmo que simbólica, para um programa caridoso”. Tudo mentira. Lula adorou o apoio do SBT. Dilma venceu. Silvio Santos deu a volta por cima. Ficou bem na fita. E muito, mas muito dinheiro federal correu por baixo do pano. Alguém da Caixa Econômica que o diga!

TV no Brasil é um family affair. Presentão vitalício. “Negócio de poucas e riquíssimas famílias”, dizia Lula quando era operário, reformista e propunha mudanças ao país. Nos seus oito anos de governo foi só lulu-lulu. Esbravejou. Lula ameaçou acabar com  privilégios, isenções, concessões de Rádios e TVs, perdão de dividas com o fisco, INSS, quando lhe convinha.

Já em campanha eleitoral o que mais Lula quer é o apoio da grande mídia televisiva. E para as próximas eleições municipais de São Paulo seu mais desejado cabo eleitoral, quem é?

Outra pergunta que precisaria ser feita sempre: qual a contribuição da TV SS para a educação e a cultura nacional? Qual a participação do SBT para a melhora de qualidade de vida dos paulistanos?

Cem metros de distância de Silvio Santos, ok. Injúria, calúnia, notícias infundadas, ok. Não imitar Silvio Santos, figura pública? Milionário graças a sua TV, concessão pública? Homem de auditório? De programa de calouros? Dos muitos jogos, bingos, loterias, rifas pela TV? Do tudo por dinheiro? SS que sempre ofereceu a seu público um baú de felicidade? SS que vive imitando, tirando sarro com entrevistados, gozando pessoas do seu auditório cativo, músicos, cantores, humoristas!

Proibir o humorista Ceará, ou outro qualquer, de imitar ou parodiar Silvio Santos, em voz e trejeitos televisivos, mais que afronta um grande fiasco fóssil da Justiça de São Paulo, do Brasil.

Fonte: www.midianews.com.br