Trilha sonora:

Quando cheguei ao Rio para contratar músicos, passistas, cantores, para o Carnaval do Brasil no Waldorf Astoria eu vi alegria e revolta na inauguração do Sambódromo. Alegria porque finalmente samba e carnaval teriam local permanente. Nunca mais montar e desmontar arquibancadas para o desfile das escolas de samba. Revolta pelo terrorismo das Organizações Globo.

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                 Brizola, Niemayer, a maquete do Sambódromo. Brizola com Darcy Ribeiro.

A TV Globo fez de tudo para Leonel Brizola perder as eleições ao governo. Editoriais. Noticias atingindo a família do candidato.  Fofocas jorrando da Central de Maldades. Mas, o poderio econômico, político, midiático, da TV Globo, não conseguiu esconder o escândalo da Pro Consult. Fraudes eleitorais.

A praga jogada pela TV Globo

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Deu Brizola na cabeça. Governador, ele anuncia o CIEP e o Sambódromo. Não há noticia de obra de Oscar Niemayer ter desabado. No entanto, globais espalhavam que, construídas em 124 dias, as arquibancadas não agüentariam tanta gente. ” O Sambódromo vai cair”. A praga jogada pela TV Globo soava como trombetas do Apocalipse carioca.

A rixa de Roberto Marinho com Brizola era antiga.

Cunhado de João Goulart. Discípulo político de Getúlio Vargas. Brizola era adversário natural de Eduardo Gomes, Carlos Lacerda, Magalhães Pinto, Jânio Quadros. Apoiados pelo jornal O Globo. Brizola foi o único governador do Brasil a encampar uma multinacional: a Bond and Share.

E na seqüência a ITT.  Ato que causou grande convulsão no meio político e empresarial ligado aos interesses norte-americanos. Roberto Marinho, Carlos Lacerda, Lincoln Gordon, embaixador dos EEUU, o general Vernon Walter, foram os “cérebros” do golpe militar de 64.

A TV Globo nasceu no berço da ditadura.

A volta de Leonel Brizola do exílio e a sua petulância em candidatar-se ao governo do Rio de Janeiro ameaçavam a liderança e os interesses das Organizações Globo. Governador por dois mandatos o gaúcho foi uma espinha no pé de Roberto Marinho e de seus pupilos. Mas, Brizola presidente da República, jamais! Seria uma espinha na garganta. Um corte no bolso.

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A TV Globo nasceu no berço da ditadura. Apoiou todos os adversários de Leonel Brizola. Para Roberto Marinho e seus herdeiros Mil vezes Enéas. Maluf. Lula. Collor. Brizola não!

Nesses 30 anos de Sambódromo. Ouvindo o sucesso de Zé Kéti em um canto desse imenso salão chamado Brasil, lotado de palhaços, patifes, piratas, políticos pilantras, veio-me a indagação:

Brizola teria sido melhor para o Brasil?

Na dúvida, consulto sempre. Com pouco espaço resolvi focar em Educação e Relações Exteriores. Com a história do Brasil e do mundo na ponta da língua, Adriana Berger, de Lisboa, responde:

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“Na Educação, com certeza. Meu avô era defensor das Brizoletas. Escolas em construções simples. Mas, funcionando nos mais distantes lugares dos pampas. Brizola revolucionou a educação primária.

Governador, ele deu um salto de qualidade e quantidade no ensino médio. Deixou o Rio Grande do Sul com 6.000 escolas. Recorde jamais alcançado por um governador. Engenheiro civil suas obras impulsionaram o estado e a formação de técnicos e universitários.

A ponte sobre o rio Guaíba. Ampliação do aeroporto Salgado Filho para a chegada dos grandes jatos. Fortalecimento e internacionalização da VARIG. Portos. Hidráulicas. No seu governo o Rio Grande do Sul criou o Instituto Gaúcho de Reforma Agrária.

CIEP, o Brizolão carioca

O exílio amadureceu o político. Brizola mantinha relações com importantes líderes, ministros, presidentes. Informou-se. Cercou-se de educadores. Com Darcy Ribeiro na metodologia e Oscar Niemayer na arquitetura o CIEP foi coroação de seu aprendizado de governante. Com Brizola na presidência teríamos  um salto colossal em educação. Ele daria o exemplo maior. Ele incentivaria e criaria condições para prefeitos e governadores construir e manter escolas tempo integral.

Compromisso de estadista

imagesCAW930HU E ai daquele governador e prefeito que repetisse a cantilena “É difícil construir e manter escola em tempo integral. O custo por aluno é muito alto”. Dilma quer chegar a 60 mil escolas tempo integral. Com dois mandatos de presidente Brizola teria coberto o Brasil dessas escolas. O CIEP não era uma jogada eleitoral dele. Era a vida dele como cidadão. Para ele Escola, Educação: obrigação do Estado. Compromisso de estadista.

É difícil e custoso manter escola tempo integral.

Essa tem sido a desculpa de presidentes, prefeitos, governadores. Mas, nas campanhas eleitorais todos repetem que “Educação é fundamental”. “Que o Brasil precisa investir em Educação”. Com a substituição de prefeito e governador programas educacionais são desativados. Foi o que fizeram com muitos Brizolão no Rio de Janeiro.

Votei no Brizola e no Lula. È daqui do exterior que a gente pode ver com mais clareza os erros de Lula. Ele distanciou o Brasil dos centros de Tecnologia, Ciência, Pesquisa, Educação, Modernidade. Pelo sucedido. Pelo jeito que estamos e vamos não tenho dúvidas: Brizola teria sido melhor para o Brasil.

Terceiro mundo sem Segundo mundo

Amílcar Mendes é neto de embaixador. Filho de diplomata. No primeiro turno votou em Brizola. No segundo em Lula. Collor ganhou. De férias em Belo Horizonte ele respondeu:

“O Itamaraty é sombra cinzenta dos seus dias claros e criativos. O Celso Amorim soube inflar e manipular o ego de Lula que saia do  Mensalão, “fim do seu governo”, avisando que não iria para o matadouro sozinho. Lula falava. Zé Dirceu governava. Com a imagem chamuscada, a trama foi dar volta por cima a partir do exterior.

Mas, na empolgação, ao descobrir um mundo novo, Lula exagerou. Saiu do controle das regras itamaratianas. Aliás, na sua visão caolha, Lula sempre considerou o Itamaraty um “ninho da elite branca que domina esse país”. Ele não via e não vê a casa de Rio Branco como um dos melhores serviços diplomático do mundo.

Discursando non sense,

Contando piadas. Distribuindo camisetas da seleção brasileira de futebol Lula acabou “proclamado” o Cara, por Barack Obama. Celso Amorim, poliglota, esperto, entendeu o duplo sentido em inglês da palavra “Esse é o Cara”. Mesmo assim jogou Lula na fogueira da vaidade. Agendou jantar com Reis e Rainhas. Conseguiu títulos honoríficos. Capa de revistas. Espaço no The New York Times.

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Sindicalista, militante, político profissional, Lula nunca administrou nada. Tem horror ao dia-a-dia e horários do fazer coisas. Entregou o governo para a Gerente Dilma. Ela fez carreira política no Rio Grande do Sul no PDT de Brizola. E Lula foi conhecer o mundo!

Tempo de presidente não é dele. È da nação. Combustível de avião também. De tanto voar, a “estrela” acabou caindo na órbita do sol bolivariano Hugo Chávez. Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia disputavam a preferência do Chefe.

Marco Aurélio mais ideológico e conservador resignou-se com a ponte aérea Brasília/Caracas. Celso Amorim fez Lula acreditar que poderia ser Secretário Geral da ONU. A candidatura foi bolada por Fidel Castro e Hugo Chávez. Lançada por Evo Morales, emergente presidente cocalero.

Para criar eleitores abriram embaixadas.

Fizeram doações. Perdoaram dividas. Empréstimos para obras de patrocinadores de campanhas eleitorais. Para liderar os emergentes que sempre culpam um Império por seus males criaram a teoria das “pancadas de baixa intensidade nos Estados Unidos”. Surrealismo e delírio. Lula, líder dos emergentes do Terceiro Mundo. Sem Segundo mundo.

hugo e camioseta imageskadafi LULA E EVO COLAR DE COCA

Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, estendeu a mão para o primeiro presidente operário do Brasil. Lula virou-lhe as costas e foi aninhar-se nos braços de Kadafi, Mubarack, Ahmedinejad, Hugo Chávez, Evo Morales, Biscaya, Fernando Lugo, Nestor e Cristina Kirchner, Noriega, Raul Castro. Ficamos a reboque. Mas, com o palanque e os holofotes.

O exílio fez bem a Brizola.

O amadureceu. Quando Brizola foi assinar a famosa Carta de Lisboa meu pai almoçou com ele que vinha de estreitar laços com a social democracia da Escandinávia.

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Tinha uma amizade sólida com Mario Soares, líder da revolução dos cravos, presidente de Portugal. Com Willy Brandt, Chanceler da Alemanha. Com François Mitterrand. Com Árias, da Costa Rica. Juan Bosch da República Dominicana. Da Internacional Socialista Brizola jamais cairia na conversa de Hugo Chávez.

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O hotel Roosevelt. Tancredo Neves, Pedro Simon e Brizola na Rua 46. Nelson Mandela no Rio. Juan Bosch, presidente da República Dominicana

Ao ser expulso do Uruguai e ir para o exílio em Nova York- tambor do mundo- Brizola alargou seus horizontes. Seu QG foi no hotel Roosevelt, entre as ruas 45 e 46, bem no centro de Nova York. Ele discursava contra as “perdas internacionais”, mas, entendia que para seu desenvolvimento o Brasil precisava inserir-se no contexto globalizado.

Nacionalismo sem radicalismo

Com Brizola teríamos uma política externa consistente. Ficaríamos bem posicionados na Europa. Resolveríamos pendências com os Estados Unidos. Manteríamos relações e negócios com a banda boa da África. Ampliaríamos vantagens com a China, Japão, tigres asiáticos. Seríamos respeitados na América Latina.

Ele saberia manter boas relações com criadores e provedores de tecnologia, ciência, pesquisa. Engenheiro civil, acompanhava obras.  Teria valorizado a nossa indústria. Empresário, pecuarista, ele sabia que teria que construir, em tempo recorde, ferrovias e estradas para a sustentabilidade do agro negócio. Daria ao país Educação de primeiro mundo. Nacionalismo. Sem radicalismo.

Tendo vivido no exterior, em contato com importantes lideranças mundiais, na presidência, Leonel Brizola faria o Itamaraty desempenhar papel destacado. O Brasil seria importante pela quantidade de seu território e pela qualidade de sua liderança continental.

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Brizola obteve 11.166.228 votos. Lula 11.622.673 votos. Brizola apoiou Lula no segundo turno. Lula não apoiava as Diretas Já. Foi contra a Constituição de 1988. Lula não apoiava Tancredo Neves. Será que na última hora Lula apoiaria Brizola contra Collor? Não tenho mais dúvidas: na presidência Brizola teria sido melhor para o Brasil.

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