Arquivo do mês: junho 2015

 Trilha sonora: .

Há quantos anos o Brasil vive com censura prévia? 500, 200, 100, 70, 50, 30, 15, anos? A fragilidade institucional do país é gritante. Foram 13 anos para julgar os envolvidos no Mensalão. Esperamos décadas pela abolição da censura prévia.

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“Cala boca já morreu” disse Cármen Lucia, ministra do Supremo Tribunal Federal. Ela explicou: “pela biografia não se escreve apenas a vida de uma pessoa, mas o relato de um povo, os caminhos de uma sociedade”.

E foi exatamente isso que eu aprendi lendo Jean Christophe, de Romain Rolland, na tranquilidade de um sanatório (não de loucos, mas, de tuberculosos) às margens do rio Volga. Mestre da descrição RR influenciou gerações. Jean Christophe é biografia romanceada de Beethoven, seu tempo, músicas, amores. Um relato de época.

Biografia

Biografia: bios/vida + graphein/escrever é o gênero literário mais intrigante, estimulante, revelador, e mais difícil de ser escrito. Pois além dos dados pessoais, conquistas, preferências, esperam-se analise da personalidade e do caráter do biografado. Se este for artista, celebridade, crescerá o interesse sobre a vida amorosa e “casos” sexuais. Se há escândalo, melhor ainda.

images images2JILFKMUPor isso mesmo, não confundir entrevista, ensaio, reportagem, perfil, com biografia. Guerra e Paz, por exemplo, não é biografia escrita por Leon Tolstói. È um livro de época. E o Vento Levou idem. Antônio e Cleópatra, Romeu e Julieta, são obra prima de Shakespeare, marco da cultura ocidental. Mas, não biografias. São perfis romantizados.

Não basta escrever bem para ser biografo. Há que ter cultura sólida, local, universal. È fundamental conhecer o meio-ambiente no qual o biografado nasceu, cresceu, inventou, compôs, filmou. E paciência, disciplina, vontade férrea, para pesquisar, catalogar, consultar, entrevistar, pessoas que conheceram o biografado.

Biografia, para mim, é sagrada. A pessoa que copia, adultera, chupa, para escrever biografia chapa branca, é um impostor cultural. Para eles/as, escribas da corte, do partido, do “líder”, biógrafos oficiais, não há censura prévia, nem posterior.

Memórias e autobiografia

untitled.pngMemorias G KeenanNeste momento, estou lendo as Memórias de George Kennan, um dos artífices da Guerra Fria. O primeiro americano em um posto diplomático na URSS.  Jovem diplomata, ele estava em Berlim quando a Segunda Guerra começou. Estou “viajando” com ele pela velha e nova Moscou, cidade de minhas boas saudades. E muitas decepções. A que ser muito bom de taco, honesto, para escrever autobiografia. Na dúvida, o melhor é optar por Memórias.

“A liberdade de expressão não é garantia de verdade ou de justiça. Ela é uma garantia de democracia” (Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal).

Biografia, como gênero literário, educativo, cultural, opinativo, formador, no sentido amplo, só pode vicejar na democracia. Sem liberdade de expressão não há escritores, repórteres, jornalistas. O que há são membros do Partido, funcionários estatais, não importando se da direita ou da esquerda.

Doutor Jivago, de Boris Pasternak, romance histórico, foi proibido na URSS. No ocidente, é filme famoso. Arquipélago Gulak e tantos outros livros foram proibidos. Não havia liberdade de expressão na Rússia comunista, estrela guia da esquerda mundial. Não havia liberdade de expressão na ditadura militar brasileira, regime da direita.

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Apenas oito anos “mais velho” que o Brasil é nos Estados Unidos onde o gênero biografia alcança seu ápice de prestigio, divulgação, faturamento. Em Nova York, adquiri o hábito de ler o Suplemento Books do jornal The New York Times. Seu resumo de lançamentos, Best Sellers, biografias, é sensacional. Os pocket books com biografias de gente do cinema, esportes, musica, criaram leitores (compradores) assíduos. Fui um deles.

Sem biografia não existe Pátria Educadora

O governo federal vem mobilizando, conquistando, “fazendo cabeça”, se elegendo, se perpetuando, com slogans, frases soltas, “bonitinhas, mas ordinárias”. Coca Cola é isso aí, faz sentido, vende. Pátria Educadora (imitando a Venezuela) sem biografias, sem liberdade de expressão verdadeira, sem censura, de fato e de direito, é mais uma propaganda enganosa.

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Somos unânimes em repetir: o Brasil é um país sem memória. Claro que sim. O professor/a não tem o hábito de ler biografia. O aluno/a não lê biografia, muito mais agora com o domínio do Google e de outras fontes “históricas”.

Já temos milhões de Google e de What’s App dependentes. Vidrados no celular e seus jogos, crianças, estudantes, não estão lendo. Os que vão a à escola pouco aprendem. Leitura e redação a níveis baixos. Em 20/50 anos quem escreverá biografias? Quem fará as necessárias reportagens investigativas? Quem escreverá a último poema verde e amarelo?

A TV, rara e excepcionalmente, produz seriado de figuras históricas biografadas. Como reter memória nacional sem conhecer os que batalharam para criar as fronteiras do país? Sem divulgar a obra dos formadores da nação?

Com o governo dominado por gente que não lê e espertalhões que não precisam de diploma universitário para administrar, gerenciar, faturar, “se nunca antes na história desse país houve gente como a gente”, ensinar o que?

“Antes de mim não houve ninguém que prestasse”.

Se, é preciso destruir toda a obra construída pelo Demônio (Diabo religioso ou classista); se, antes de mim não houve ninguém que prestasse e ninguém melhor do que eu, para que serve Biografia?

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Foi assim na Rússia soviética. Foi assim na Revolução Cultural da China onde o culto à personalidade atingiu seu nível máximo. È assim na Coréia do Norte. Na Venezuela. Está sendo assim no Estado Islâmico. Há no Brasil, “intelectuais”, Mobilizados, que gostariam de fazer fogueira com os livros de Monteiro Lobato, o nosso maior escritor infantil. Defensor da siderurgia e do petróleo, preso e exilado pela ditadura Vargas.

Já tivemos biógrafos e biografados da maior importância para a história da cultura nacional. Nas velhas bibliotecas estão os clássicos da biografia brasileira. Nas novas, o destaque é para reportagens, entrevistas, perfis, fofocas, das “Surfistinha” aclamadas pela preferência e ousadia sexual.

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Já deu IBOPE saber se Caetano Veloso é ou não é gay? Por que Roberto Carlos, homem público de imenso sucesso, luta para proibir biografia não autorizada? Ou seja, com censura prévia.

Na banda cada vez mais larga das frivolidades, superficialidades, quanto mais “segredo” revelado, quanto mais pimenta sexual e escracho, mais sucesso pode obter o livro, a biografia.

Dilma, Academia Brasileira de Letras, Petrobras.

Com o fim da censura prévia o país deve iniciar o soerguimento do gênero literário que ele mais necessita. E não será pelo ideologicamente confuso ministério da Cultura que conseguiremos isso. Cada governador, prefeito, deve fazer a sua parte. Devem incentivar biógrafos regionais. Premiar monografias de alunos. A imprensa local, regional, deve dar espaço às biografias.

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A Academia Brasileira de Letras é o canal para grande e necessária Mobilização pró-biografia. E a presidenta Dilma pode sim sair em busca do tempo perdido criando condições e autorizando Caixa Econômica, Banco do Brasil, Petrobras, publicar e distribuir biografias de brasileiros ilustres. Toda escola-mesmo sem biblioteca- deve ter e usar uma coleção de biografias nacionais.

Para ter Memória é preciso conhecer o que se deve memorizar. A presidenta que gosta de novelas deve “pedir” aos Marinhos brothers que coloquem na grade televisiva da TV Globo- a mais influente educadora do país- seriados, novelas, de biografados.

Demorou, mas aconteceu. Censura prévia, nunca mais. (I hope). Doravante, ações judiciais somente depois do livro publicado. Segue o jogo democrático, tendo de um lado, liberdade de expressão e informação, e do outro lado, o direito à liberdade individual e privacidade.

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1. A trilha sonora deste RH é My Way, por Frank Sinatra. Morto há dezessete anos ele continua dando o que falar para biografos. Foram várias as biografias sobre ele. His Way, de KittyKelley, mesmo não autorizada pela familia, em circulação, e vendendo bem. 2. Mata Hari, usava seus dotes sexuais para espionar, para a França e para Alemanha. Seu deu mal. Vem ai biografias com novas revelações. 3. O brasileiro, principalmente, os Mobilizados, devem aprender a conviver com as nuances democráticas. A toda poderosa Rosemary ocupou cargo público, detem segredos presidenciais, da República. È figura pública. Quem escrever a biografia dela, agora sem censura prévia, fará bem à liberdade de expressão e de informação.

Divulgue. Encaminhe www.oreporternahistoria.com.br. Imagens, noticias, e-mail, envie para: o reporternahistoria@gmail.com. Ver Jota Alves/FACEBOOK. Para melhor leitura zoom 120. Sem censura prévia ou posterior  quem quiser pode copiar, distribuir, citar, publicar, o Reporter na Historia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Trilha sonora:

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Aceitei o convite para integrar a rede social Revival de Rasputin. Uma “ressurreição” midiática do camponês místico, beato, Homem Santo, que exerceu enorme influência sobre a Czarina Alexandra e o Czar Nicolau. Os últimos soberanos da imensa e supersticiosa Rússia.

Vivi, estudei, em Moscou. Mas, fui “conhecer” Rasputin em Nova York. O russo pré-revolução de Outubro, depois o soviético, e agora o russo capitalista, têm algo em comum: a defesa, o respeito, a divulgação positiva, dos seus ícones culturais. Comunista ou capitalista, o russo não gosta de falar das figuras que podem ter manchando a sua história.

Aprendi o idioma russo lendo Puskin, Lermontov, Tchekov, Tolstoi. No teatro da faculdade preparatória (Gramática e fonética) fui o Inspetor, de Gogol. Mas, as professoras não falavam de Rasputin, da família imperial.

A princesa Anastásia

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Adolescente, e para a minha educação e formação cultural, freqüentador assíduo do Cine Teatro Cuiabá, fiquei encantado pela princesa Anastásia, representada pela bela Ingrid Bergman com Yul Brynner, ator norte-americano, nascido na Rússia.

Ouvíamos que ela teria sido a única sobrevivente do fuzilamento que eliminou o Czar e família. “Anastásia vivia em Mônaco”. “Mulher de rico comprador de diamantes da Antuérpia ela havia passado pela Poxoréu da minha infância, o maior produtor de diamantes do oeste brasileiro”.Anastásia vivia numa pequena cidade dos EE.UU”.

Jornais, revistas, a procuravam por toda parte. Livros, revistas em quadrinhos. Anastásia em filmes infantis, pornográficos. Houve de tudo sobre a filha caçula de Alexandra e Nicolau.

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Mas, eu não sabia nada sobre Rasputin. Lembro-me como se fosse hoje: foi o cubano Porfírio Miranda, colega na faculdade de Direito Internacional, quem descreveu o chamado “Monge louco”, o Místico, que a propaganda comunista dizia ser o amante da alemã que dominava o russo Nicolau.

Há muitas lendas sobre Rasputin: “Ele teria sido infiltrado pelos bolcheviques para minar o Império”. “Ele era de fato um beato santo, via, profetizava”. “Ele disse que depois de morto por assassinato, o Império sucumbiria em um ano”.

“Disse que antes de morrer o Papa e a Mama (como ele chamava o Czar e a Czarina) conhecerão a minha cidade natal”. (Para chegar a Yekaterinburg, lugar do fuzilamento, a escolta da família Romanov teve que fazer um desvio e acabou passando pela cidade onde ele nasceu). “Ele controlava pessoas pelo olhar, pela mente, pelo sexo. “Tinha o poder de curar pessoas”.

A Rússia de Rasputin

Para se ter uma idéia da imensidão, a província de Tobolsk, na qual estava Pokrovskoe, vilarejo da família Rasputin, próximo aos montes Urais, era maior do que a Inglaterra, França, Alemanha, juntos. Em 1054, cristãos eslavos reunidos em Constantinopla romperam com Roma. A Igreja Ortodoxa passou a dominar toda a Rússia e o leste europeu. Moscou ficou conhecida como a Terceira Roma.

Diferentemente da igreja católica sob obediência total ao Papa na igreja ortodoxa o respeito era aos mais velhos da comunidade. Os mais devotos e mais sábios se tornavam monges, padres, patriarcas. As práticas religiosas eram primitivas.

Havia flagelo, castração, dor, abstinência sexual, e muita superstição. A Sibéria da época lembra-nos o Nordeste brasileiro com seus peregrinos, curandeiros, mendigos, doentes, loucos, beatos, santos: “Antonio Conselheiro, Padre Cícero, Frei Damião”, e muitos outros.

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Depois de uma juventude de pequenos roubos, bebedeiras, brigas, perseguição a mulheres, Gregorii Yefimovich Rasputin foi buscar a purificação em monastério. Analfabeto, decorou passagens da bíblia. Aprendeu com monges. Falava aos trancos. Usava palavras desconexas, e com o seu olhar fixo e fulminante, o peregrino tornou-se beato, Homem Santo.

Não se sabe a data de seu nascimento. Mas, em contagem regressiva de seu assassinato em 30/12/1916, pode-se chegar a 1804/05/06/07/08. Ele nasceu durante o reinado de Alexandre II, soberano de um sexto do território do nosso planeta. Da fronteira com a Prússia (Alemanha) ao Pacífico. 100 milhões de habitantes, 50 nacionalidades e umas 200 línguas ou dialetos.

O Czar Alexandre III morreu após uma bomba estraçalhar as suas pernas e barriga. Um irmão de Lênin foi preso pelo atentado. Alexandre II morreu em casa, na Criméia, quando Nicolau, o filho-herdeiro, tinha seis anos de idade. Ele nunca foi devidamente preparado para comandar um império-continente e entender as mudanças que se aproximavam.

Conhecer a trajetória de Rasputin é conhecer a fantástica história da Rússia. Principalmente, os anos que antecederam a Revolução comandada por Lênin, banindo a servidão, acabou com o Império, transformou a Rússia, para sempre.

Descobrindo Rasputin em Nova York.

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Já com a idéia fixa de criar um jornal para os brasileiros fui conhecer jornais de estrangeiros. Fiz amizade e aprendi muito com o pessoal do El Diário, Prensa Latina, Luso-Brasileiro, Portuguese Times, O Diário Chinês, Jornal Italiano. A primeira edição do The Brasilians saiu de gráfica chinesa na Rua 13 entre Sétima e Oitava Ave.

Na redação da Palavra Russa conheci Tânia. Passei a freqüentar a sua casa e a conversar muito com a sua mãe, uma intelectual, filha de aristocratas de St. Petersburgo. Eu ficava horas vendo fotos que jamais vira em Moscou. Por ela soube da presença de Rasputin no centro da família real, intocável, divina. E de sua influência sobre a imperatriz.

A hemofilia e o amor de Alexandra.

Irina, a mãe de Tânia: “Doença então desconhecida (transmitida em geral via o sangue materno) a hemofilia atingiu vários membros das casas reais européias, descendentes da Rainha Vitória, como Alexandra. Os tratamentos falhavam.

Alexis, o único menino da família, o herdeiro do trono, sangrava, caia em prostração. Rasputin, contando histórias siberianas, fazia o menino dormir, descansar. Passou a milagroso, indispensável”.

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Ao vê-la em recepção, Nicolau caiu de amor por Alexandra, para quem a Rainha Vitória procurava um príncipe ou rei europeu. Ela se converteu à Igreja Ortodoxa. Casaram-se. Ambos se amaram ate o fim da vida. Mas, ela nunca foi amada pela Corte, pelos russos. Por ter nascido na Alemanha não lhe deram trégua.

 A Czarina amava seu filho. O Czar protegia o seu herdeiro. “Rasputin era o Beato, o Homem de Deus, o Único, que conseguia acalmar o pequeno Alexis, o futuro Czar da Rússia”. “Quem não queria desfrutar da mesa e da cozinha do Czar? Ser recebido em palácio como amigo de Nicolau e de Alexandra? Aquele homem rústico, de mãos enormes, sempre de negro, botas de mujik, despertava ciúmes, intrigas, ódio”.

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Ela ficou encurralada no poder, cuidando das crianças: “Amante de Rasputin”. “Arrogante, indiferente, metida”. “Essa mulher alemã domina o Czar”. Mas, o sofrimento maior foi saber que a tinham como espiã da Alemanha, o maior inimigo da Rússia na primeira guerra mundial. “Alexandra passou a ter Rasputin não só como curandeiro de seu filho, mas, com Nicolau no front, ele era o seu mais confiável conselheiro e amigo”.

Religiosos, aristocratas, invejosos, tentaram matá-lo. Mas, ele continuava esbanjando força, domínio mental, divindade, principalmente, entre as mulheres que viviam no entorno do Palácio de Inverno. E as lendas surgiram: “o maior pênis da Rússia. Transava com 10 ao mesmo tempo. Bebia cinco garrafas de vodka numa sentada. Tinha o corpo fechado”.

Cianureto e muitos tiros

Os parentes de Nicolau não agüentavam mais tanto prestigio e domínio. O príncipe Felix Yussopov e amigos convidam Rasputin para uma festa com muita bebida, caviar, mulheres. O fizeram entornar todas. Colocaram cianureto no pudim. Ele comeu e dormiu. O jogaram no rio Neva. “Pronto, ele está morto”.

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Que nada. O siberiano saiu das águas geladas e voltou a beber. Foram vários tiros, dizem 11, para matar Rasputin em 30 de dezembro de 1916. Antes, porém, o torturaram, o castraram. “Ele não morreu dos tiros nem dos ferimentos. E sim de hipotermia”. Como ele profetizara, em outubro/novembro de 1917 o Império acabou. Teve inicio a primeira grande experiência comunista da humanidade.

E no ano seguinte em 17 de julho, Alice Vitória Helena Luíza Beatriz de Hesse e do Reno/ a Imperatriz Alexandra Romanova, suas quatro filhas:  Olga, 22 anos, Tatiana, 21, Maria, 19, Anastasia, 17. Seu menino Alexis, 13 anos, e o Czar Nicolau, foram fuzilados.

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Após o fim da União Soviética, em 1998, os corpos da família foram encontrados. E solenemente enterrados na Fortaleza Catedral de São Pedro/São Paulo em S. Petersburgo (antiga Petrograd, Leningrad). A Igreja do Sangue Derramado, um tributo a Nicolau, Alexandra, e filhos, é uma das mais visitadas.

Em 2008, o Supremo Tribunal da Rússia decidiu que a família Romanov foi vitima de assassinato político cometido pelos bolcheviques. Os descendentes tiveram seus direitos restabelecidos e estão sendo compensados financeiramente.

Usar o pecado para tirar o pecado

“No Museu de Sexo e Erotismo aqui na velha Leningrado” informa Natália Drummond: “A peça mais visitada é o pênis de Rasputin com 33 centímetros, mole. Os russos estão aprendendo marketing capitalista e se abrem para assuntos eróticos, filmes pornográficos”.

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“A guia Larissa quase briga comigo quando eu disse que aquele não poderia ser o pênis de Rasputin, morto há 99 anos”. “Dá, dá, dá! È sim de Rasputin. Nós temos aqui pênis maiores”. Novo tipo de propaganda russa.

O revival de Rasputin vem com livros, músicas, camisetas, bonés, filmes, e um musical retratando o balé imperial, danças regionais, siberianas, e muito erotismo de lendas rasputinianas: “Pecar é o caminho mais curto para a salvação. Peque e salve-se. Usar o pecado para tirar o pecado. Na tradução russa pós comunismo: faça sexo, orgia, trepe bastante.

img026Nada disso eu ouvia, via ou lia, na Moscou comunista. Descobrir o erotismo de Rasputin na St. Petersburgo capitalista já é razão para participar do Revival na rede social. Uma canção do Musical diz: “Foder (fuck) ajuda a obter a salvação espiritual. Um anjo apareceu para Rasputin e ele saiu amando, salvando as pessoas pelo sexo”. (O Repórter na História, tendo ao fundo o navio Aurora, que deu o sinal para a tomada do Palácio de Inverno. No rio Neva jogaram o corpo de Rasputin).

Por muitos anos, e mais ainda durante a Guerra Fria URSS X EEUU, nos círculos esquerdistas, apelidava-se de Rasputin aquele conselheiro, ministro, secretário, amigo próximo de presidente, governador, prefeito. Aquele que “fazia a cabeça”.

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Apenas para ilustrar: Lula teve vários “Rasputin”. Os mais influentes foram Zé Dirceu, Pallocci, Gilberto Carvalho. Marco Aurélio Garcia, por sua formação política e habilidade em assuntos internacionais sigilosos, é o “Rasputin” conselheiro mór, aquele que faz a cabeça da “Imperatriz” Dilma Rousseff. Gregório Fortunato, o “Rasputin” de Getúlio Vargas. O poeta, escritor, Augusto Frederico Schmidt, o conselheiro e ghost writer de Juscelino.

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1. O primeiro filme sobre Rasputin com os Barrymore é de 1932. 2. O livro Rasputin de Alex de Jonge. 3. Rasputin, filme inglês de 1996. 4. O livro a Filha de Rasputin. 5. O Rasputin de Leonardo Di Caprio de 2013. (Ainda não vi esse filme). 7. Gerard Depardieu/Rasputin. 8. Na igreja católica a benção é com dois dedos. Rasputin benzia com três dedos e não tirava os olhos da pessoa.

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