Arquivo do mês: julho 2015

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Quantos brasileiros da Amazônia lêem a revista Veja? Quantos nordestinos lêem Época e Isto È? Quantos do centro-oeste leram os textos de diplomatas aposentados publicados em o Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, o Globo? Quantos do sudeste lêem revistas internacionais?

E quantos vêem TV, a maior e mais poderosa mídia da Pátria Educadora? Brasileiros, praticamente todos, têm acesso direto, ou indireto, aos programas de TV.

Quantas horas diárias, semanais, mensais, milhões de avôs, avós, mães, tias, as educadoras do lar, formadoras de opinião e caráter do “futuro do Brasil” dedicam, frenética e passivamente, às novelas, programas religiosos, especiais de cirurgia plástica, cosméticos, remédios, dietas, moda, culinária, futebol, fofocas?

Quantos minutos a TV brasileira aberta (concessão pública) dedica às relações exteriores do país-continente? Da maior potencia agrícola-industrial da América Latina?

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A prisão do presidente da Confederação Brasileira de Futebol-nosso ícone cultural de maior grandeza; contratos e contas bancárias de jogadores sonegadores de impostos; influem negativamente na política externa do Brasil. Mas, a BAND não dedica espaço semanal às Relações Exteriores do “País do Futebol”.

A TV Globo substituiu o Mundo em 1 Minuto pelo Mundo/24 horas em programa matinal de reduzida audiência. O que as herdeiras de Sílvio Santos, criador do SBT, sabem da influência internacional no preço do tomate? E elas vão comandar o império SS e continuar “educando” milhões de brasileiros.

A TV Record porta voz da Igreja Universal, abrindo templos pelo mundo afora, não oferece à sua audiência meia hora com especialistas em política externa, em relações universais.

Onde, quando, como, e Por quê?

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Por que, o primeiro operário presidente do Brasil, discriminado pela elite branca, conservadora, não acolheu a mão estendida pelo primeiro negro presidente dos Estados Unidos, discriminado pela elite branca, conservadora?

Por que, o presidente Luís Inácio Lula da Silva decidiu (ou o fizeram decidir) acolher-se nos braços e nas idéias de Fidel Castro, Hugo Chávez, Evo Morales, Nestor Kirchner, Omar Kadafi, Ahmedinejad, Mubarack, e com eles, e por eles, distanciar o Brasil dos centros de Tecnologia, Ciência, Pesquisa, Conhecimento, Modernidade?

Por que, ninguém mostrou a Lula que a sua política externa personalista, ideologicamente confusa, seu discurso terceiro-mundista, há muito sem Segundo Mundo, jogariam o Brasil no gueto, no isolamento diplomático?

Por que, abrir mais e mais embaixadas?

Quando no mundo on line países estão reduzindo postos diplomáticos, concentrando-os por regiões. A estratégia, a política de mais embaixadas, foi por votos para a candidatura de Lula à Secretário Geral das Nações Unidas, lançada por Evo Morales a pedido de Fidel Castro e Hugo Chávez?

Por que, e para que, “pancadas de baixa intensidade nos Estados Unidos”? Foi em apoio aos ataques de Hugo Chávez ao Império, ao Negrito de Washington, discurso racista que o governo do Brasil apoiou?

Por que, “segredos de Estado” nos acordos e negócios de Lula e Hugo Chávez?  Esses contratos foram benéficos ao Brasil?

untitled Lula e Collor15153605Por que, 99% dos brasileiros não sabem ou não procuram saber sobre os “segredos de Estado” em contratos e obras financiadas com dinheiro brasileiro, em Angola, Cuba…?

 Por que, Lula ressuscitou Fernando Collor, seu maior inimigo publico, “corrupto, ladrão”, e o colocou na presidência da Comissão de Relações Exteriores do Senado?

Por que Dilma, em discurso na ONU, pediu “diálogo” com o Estado Islâmico, no momento em que terroristas decapitavam jornalistas? Por que ela volta pedindo Dialogo. Usando o relativismo ideológico, social. Dialogar com corruptos? Dialogar com canalhas? Dialogar com bandidos é aprofundar o poço da impunidade. Deixar “tudo relativamente igual” dialogando com os que estão esfarelando o país?

Por que, o governo Lula/Dilma nunca faz declarações contra o apedrejamento, o estupro coletivo de meninas, e a mutilação sexual de mulheres?

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Por que Dilma e Lula não dizem ao Evo Morales: “Companheiro, queremos o gás, o petróleo, exportaremos o que a Bolívia precisar. MAS, A PARTIR DE 24 DE AGOSTO vamos atacar de todas as formas o trafico de cocaína.

A Federal prende a “isca”, o despiste de duas toneladas, mas, estão passando dez. Cocaína e o crak aumentaram homicídio, todo tipo de crime e violência. A droga que vem de seu país ESTÁ destruindo a juventude brasileira. BASTA EVO”. ( na imagm 1 Evo ensina a Lula as vantagens “terapêuticas” da folha de coca)

Por que Lula e Dilma ressuscitaram a Tríplice Aliança contra o vizinho Paraguai? Por que a presidenta permitiu que Patriota, seu ministro de relações exteriores agisse como capacho de Nicolás Maduro, o troglodita ministro de relações exteriores do moribundo Hugo Chávez? Ambos “invadiram Assunção” e exigiram que o ex-bispo Fernando Lugo, destituído pelo senado paraguaio, continuasse na presidência.

Por que, o ministro de Relações Exteriores não aconselhou o presidente Lula parar de fazer afagos públicos em Omar Kadafi? “Pegava mal, Lula se exibindo de mãos dadas e abraços com Kadafi” (diplomata aposentado).

A embaixada do Brasil em Trípoli atuava passivamente a ponto de não saber das violentas alucinações praticadas pelo ditador em seus últimos anos de vida contra rapazes e moças que ele aliciava, com ameaça e força, para as suas taras sexuais?

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Por que, a embaixada não informou o estado físico e mental de Kadafi? O mundo todo sabia que ele acordava e dormia (quando dormia) chapado de haxixe e heroína, cigarro, álcool, (proibidos pelo Alcorão). E que uma rebelião era iminente? Omar Kadafi morreu como um cachorro louco que foi.

Por que, a embaixada não se interou, e informou que um dos filhos de Kadafi, aquele que queria ser jogador e mandava no futebol, no vestuário, em ato de arrogância, fez o gesto de limpar a bunda com a bandeira do Brasil?

E os acordos e negócios fechados por Lula e Kadafi? E as obras de empreiteiras brasileiras na Líbia? Quem vai pagar a conta? Quem vai recuperar o tempo perdido por Lula, que não era dele, e sim da nação?

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Por que, Lula/Dilma, e seus assessores internacionais, não se interessaram em analisar as viagens midiáticas de Hugo Chávez a Havana para tratar um câncer na “área pélvica, curado pela medicina cubana”?

O presidente da Venezuela era doente terminal. E com ele foram-se os acordos e negócios com o presidente do Brasil. Quem vai pagar mais essa conta? Quem vai recuperar o tempo perdido, já que tempo de presidente não é dele, é da nação?

Quem vai pagar a conta do fracassado Cyclone 4?

“O Brasil decidiu cancelar unilateralmente o acordo bilateral que assinou com a Ucrânia em 2003 para a construção de um foguete lançador de satélites (Cyclone 4) e de um centro de lançamento na base de Alcântara (MA).

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“O projeto recebeu investimento de R$ 1 bilhão desde que foi iniciado o acordo de cooperação em 2004. Os gastos foram divididos entre os dois países”. Mais R$ 500 milhões pelo ralo do sempre falado ajuste fiscal.

O que motivou o Acordo Brasil/Ucrânia: Tecnologia? Ideologia? Propina? Por que o ministro de Relações Exteriores não advertiu que havia um avanço russo sobre a Ucrânia e que um conflito seria inevitável?

O fim do Acordo com a Ucrânia foi por pressão de Putin que passou a chamar Dilma de heroína brasileira tão ou mais que Anita Garibaldi, e precisa do Brasil como coadjuvante dos interesses russos no BRICS?

Relações exteriores sem debate é ditadura disfarçada

Relações exteriores sem debate é ditadura disfarçada. Temos diplomatas, historiadores, especialistas em comércio exterior, professores, jornalistas, com opiniões divergentes, para formar e educar o brasileiro em política externa.

imagesZUSJ1E0QimagesG1408QA0 Mostrar imagens de satélite já distribuídas pelo mundo, ler a legenda eletrônica, não é informar. Nem mesmo noticiar. A TV Globo prestaria um gigantesco serviço ao país promovendo um Crossfire, antes, ou depois, de uma de suas muitas novelas, em horário nobre, entre, por exemplo: Marco Aurélio Garcia, o Assessor de Lula/Dilma para Assuntos Internacionais e Mangabeira Unger, o brasileiro mestre em Harvard, também assessorando o governo.

Por Mato Grosso, e a sua extensa fronteira seca com a Bolívia, no governo estadual, promovi alguns debates do gênero: Conheça seus vizinhos. Trabalhei na sempre falada Saída para o Pacifico. Fomos à Bolívia, Chile. Recebemos embaixadores, empresários, em Cuiabá.

Mas, não há na mídia mato-grossense, nas universidades, escolas, nenhum programa voltado para as relações exteriores do Estado, do país. O mesmo deve estar acontecendo nos demais estados fronteiriços.

MERCOSUL, UNASUL, BRICS

No presidencialismo a política externa é definida pelo presidente, Mas, quando o Chefe da nação não tem doutrina, rumo, definição, atua no improviso, o governador também não faz nada em política externa, área “exclusiva do governo federal”.

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Quantos brasileiros sabem o que é e representa para o nosso país MERCOSUL, UNASUL, BRICS? Porém, se tivéssemos na mídia televisiva, jornalistas, entrevistadoras, com o compromisso nacional e profissional de uma Barbara Walters, uma Ophra Winfrey;( “antes de ser uma apresentadora, jornalista, sou americana” ); se tivéssemos programas/especiais/ de política externa, receberíamos informações e opiniões sobre acordos e negócios que afetam a vida de todos nós.  

Valeria EECB3CFE96215FC0D49CF118EE9874-300x250 JN-ana-paula-padrao-300x208Valeria Monteiro foi a primeira mulher na bancada do Jornal Nacional, a “Bíblia da noticia brasileira”. Glória Maria cavalgou, nadou, subiu montes, em reportagens para o Fantástico. Ana Carla Padrão, Fátima Bernardes, ficaram famosas e bem remuneradas lendo noticias em horário nobre. Mas, após décadas deixaram a noticia, a informação internacional por programas “amenos”, em horários “dona de casa”. A badalação no lugar da opinião.

Atualmente, com a rapidez tecnológica a repercussão da noticia é imediata. O correspondente tradicional vem sendo substituído por imagens on line. Mas, falta ponto-de-vista, o contraditório que forma opinião, e isso o “robô” da noticia não nos pode dar.

Com o assustador índice de pouca leitura, e por isso menos redação; com milhões de crianças, jovens, professores, vidrados, dia e noite, em seus celulares e vídeo-game, quem interpretará, escreverá, opinará, e dirá a noticia?

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O que será do jornalismo da TV Globo, (por exemplo), e do Brasil, quando Alexandre Garcia, Miriam Falcão, Renato Machado, Sandenberg, Marilia Gabriela, Augusto Nunes, Boechat, Boris Casoy, Petry, Guzzo, Noblat, se aposentarem?

Por que, os donos de emissoras de TV não investem na formação de especialistas em relações internacionais, historiadores, analistas, redatores, tradutores? Será porque sendo eles brasileiros não se interessam por política externa, “assunto do governo”? Ou é o “Eu não penso, Lula pensa por mim”. Os alemães agiram assim com Hitler. Os russos deixaram Stalin pensar e agir por eles. O resultado está na Historia.

O que a TV Globo Internacional manda para a imensa audiência além das transmissões esportivas, (Futebol, Formula I) belas imagens da fauna e flora, e o noticiário “arroz com feijão de cada dia”, que já se sabe ao amanhecer?

Nada de balé, ópera, musicais, seriados culturais, científicos, históricos, biografias, entrevistas com personalidades mundiais? Uma vez por ano, a TV Globo mostra imagens do Brazilian Day/New York evento que eu criei em 1985 para celebrar o fim da ditadura militar e o dediquei a Tancredo Neves.

Debates Internacionais com Ilze Scamparini

A TV Globo tem Ilze Scamparini que vivendo na Itália pode ampliar e aprofundar o seu raio de ação com um programa tipo Debates ou Relações Exteriores. Ilze sabe quem é quem. Tem acesso a Berlusconi, ao Vaticano, a Ângela Merckel, aos Reinados europeus, e contaria com o experiente pessoal da emissora na Europa, Ásia, Estados Unidos para fazer inéditas e reveladoras entrevistas.

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Ilze Scamparini pode ser sim a “nossa” Barbara Walters. E, se ela não puder a TV Globo pode investir em Cecília Malan. Tem Délia Ortiz na América Latina. Há gente qualificada nas universidades, diplomatas aposentados, pessoal de excelente formação nas empresas de exportação/importação. Mas, há que contratá-las e paga-las bem para que se dediquem a tema vital para o Brasil sair do Atraso tecnológico e do Isolamento diplomático.

Com política interna de baixa qualidade ética e moral, jamais seremos levados a sério em política externa, “Rua de duas mãos”. A TV é o grande canal, tribuna, bancada, pódio, através do qual o povo brasileiro poderá sair do obscurantismo, do “analfabetismo” em assuntos externos.

O brasileiro tem obrigação de saber o que o governo promete, anistia, constrói, financia, com o dinheiro e a imagem do país. Tem o dever de saber com quem o governo se relaciona e para onde está nos levando.

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O Brasileiro não criou teoria ou doutrina política. Tampouco ideologia social. Bem, ou mal, o que pensamos e usamos, veio do exterior. Os nossos pensadores, mestres, escritores, filósofos, quase todos engajados, interpretaram, copiaram, fizeram adaptações para a “realidade brasileira” do que foi criado lá fora. Alguns plagiam, indecentemente.

A “Descoberta” do Brasil trouxe o machado, prego, tesoura, penico, garfo, faca, colher, o livro, a caneta, o professor, o violino, piano, o terno, vestido, o escravo, o soldado, o fuzil.

imagesS2QB4NXP images6SQCUNK2A monarquia trouxe o cristianismo. Iluminismo, Renascimento. Libertê, Igualitê, Fraternitê. De Lisboa, D. João VI trouxe a gráfica quando a Europa e os EE. UU já liam e distribuíam livros. Mesmo no atraso cultural descobrimos as idéias do Estado-nacional que substituiu as Cidades-Estado. Copiamos o abolicionismo. As lutas pela independência.

Chegaram portugueses, espanhóis, franceses, italianos, holandeses, belgas, inflamados pelo Positivismo e o Anarquismo. O comunismo de Karl Marx e seus discípulos Lênin, Trotski, Stálin, mexeram com a inércia cultural religiosa do Brasil.

imagesETBJR872 - Copia imagesOWFGJGZS untitledHitler imagesPlinio Salgado

O integralismo, com Plínio Salgado, teve o seu momento de força ao atacar o Palácio do Catete na tentativa frustrada de golpe de origem nazista/fascista. Luís Carlos Prestes, líder do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi o mais coerente porta voz da revolução soviética, da URSS. Prestes reproduzia (traduzia) as teses do PCUS com pouca ou nenhuma alteração.

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A juventude dos anos 60 bebeu da fonte cubana. Da luta armada com direito a barba e a nossa Mantiqueira/Sierra Maestra. O Brasil, como toda a América Latina, tinha de um lado, os da direita, do outro, os da esquerda. Joguetes da Guerra Fria, dos interesses soviéticos e norte-americanos. No atraso tecnológico, ideologicamente sem comunismo e sem capitalismo, restou-nos a teoria/doutrina do golpismo amaciada pela prática do jeitinho e da esperteza.

Golpe 1:

images3TCV0D1A A Independência, do Brasil, diferentemente de todos os demais países das Américas, não saiu de luta, guerra, sangue. José Bonifácio de Andrada e Silva costurou, ajeitou, azeitou o Grito de D. Pedro I com a Corte em Lisboa. “O Brasil pode ter a sua bandeira e o seu hino, declarar a sua independência, mas, o reinado é de Portugal com o Rei meu filho Pedro”.

Golpe 2: Cuiabá foi cidade influente durante a Guerra no Paraguai. Serviu de escada para postos mais altos e também de exílio para os punidos por desobediência às regras da Corte no Rio de Janeiro.

Deodoro da Fonseca foi um dos que subiram e desceram na hierarquia e fama militar a partir de minha cidade. Governador da província de Mato Grosso ele se casou em Cuiabá e voltou para o Rio. Desfrutava a vida de casado, enquanto o movimento pró-República crescia.

Floriano Peixoto, primo de Deodoro, ambos de Alagoas, também foi Presidente da Província de Mato Grosso. Pavio curto, ao desembarcar no Rio foi direto para a conspiração que não passava de uma quartelada. A tropa não tinha líder absoluto, um Comandante. Todos dependentes das benesses de D. Pedro II, com medo do resultado do “levante”/golpe, e das represálias.

imagesSY4UVZHR images3N1DK35JQuando na madrugada de 15 de novembro o estafeta cadete Candido Mariano da Silva Rondon chegou ao quartel-general com o bilhete confirmando que a tropa apoiava o movimento, nenhum dos oficiais reunidos estendeu a mão para pegar o papel com a senha.

Floriano, falante e decidido, levantou-se, tirou o bilhete das mãos do mimoseano Rondon e o entregou a Deodoro: “Tome, vá, Proclame a República do Brasil”.

D. Pedro cansado, doente, não esboçou reação. A República nasceu sem multidões. Sem tiro. Foi um golpe do jeitinho brasileiro. E nos primórdios da Nova Ordem Positivista, Floriano deu um golpe baixo em seu primo Deodoro e assumiu a Presidência.

Golpe 3: A primeira República nasceu com sonhos de alternativas democráticas. “Mulher de trinta”, inteira, bonita, teve seus passos cortados pelo golpe do baixinho Getúlio Vargas que prometeu sair do Rio Grande do Sul e amarrar seus cavalos em obelisco no Rio de Janeiro, sede do governo federal. E o fez.

imagesXDNFFUGC images9Z0P6UHPCaudilho, ditador, a ferro e fogo, calou comunistas, integralistas, opositores. De golpe em golpe, governou o país de 1930 a 1945. Passou a presidência para o seu ministro da Guerra, o cuiabano Eurico Gaspar Dutra.

Golpe 4: Getúlio voltou em 1950. Cansado, decepcionado com auxiliares e parentes, GV sentia o chão que pisara com firmeza sair-lhe dos pés, da montaria. Já não era um cavaleiro de fina estampa.

O Brasil ainda era um país agrário, mas, mudara muito depois da Segunda Guerra mundial. O “Velhinho” tinha que jogar o jogo do poder com um Congresso cheio de “feras”. Com a maioria tendo passado por lutas ideológicas libertárias contra o nazismo, fascismo. Muitos foram presos, apanharam da policia do Estado Novo (Carlos Lacerda, como muitos jornalistas e políticos de sua geração, foram “comunistas” ou simpatizantes do PCB).

Houve golpe? Não houve golpe?

imagesOM17ERX1 untitledgregorio c getulio getuliomortoA esquerda repete que sim. Estudiosos cautelosos dizem que havia uma luta com adversários ferrenhos, mas, nos limites democráticos. A grande cagada foi o crime da Rua Toneleros, mal ajambrado por Tenório, segurança pessoal de Getúlio. O Caudilho foi derrotado por não manejar as novas armas do poder.

Somente pela traição, brutalidade, barbárie, um governo bem estabilizado, transparente, composto por gente honesta, competente, pode cair por um golpe ou quartelada. Havia sim corrupção a partir do Palácio do Catete (o Palácio do Planalto daquela época) que atingiu Getulio, mortalmente. Carlos Lacerda e a banda da UDN a transformaram em “um mar de lama”.

Como Fernando Collor, Getúlio Vargas, não tinha mais com quem se articular, conchavar, fazer acerto. Seu tempo e espaço se esgotaram. Mas, ele teve a coragem de “sair da vida para entrar na historia” com um tiro no peito na madrugada de 24 de agosto de 1954. Com o ato heroico ou covarde os muitos herdeiros de Getúlio decidiram que o golpe derrubou e matou Getúlio.

Golpe 5: Houve sim tentativa de golpe para Juscelino não assumir a presidência. A consigna era: “se candidato não deve ganhar, se ganhar não deve assumir, se assumir não deve governar”. A briga foi feia. Entre tentativas de rebelião a tomada da base aerea de Jacarecanga por oficiais da Aeronáutica, para desencadear um golpe.

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Juscelino, mestre do jeitinho, presidente bossa-nova, deu a volta por cima. Construiu Brasília. Passou a faixa presidencial para Jânio Quadros, a grande esperança nacional. João Goulart, herdeiro político de Getulio Vargas, vice-presidente de JK, foi reeleito com o Homem da Vassoura.

Golpe 6: O mato-grossense Jânio Quadros, de rápida carreira política em São Paulo, chegou à presidência com tudo em cima. Era o queridinho do empresariado do dinheiro velho e do dinheiro novo. Do generalato. Da classe média. Foi combatido como entreguista e da direita.

imagesNBF1KQ4AAssume, e condecora Che Guevara, ícone da revolução cubana. E o cosmonauta Yuri Gagárin personagem da vitoriosa União Soviética, do comunismo. A esquerda vibrou. De repente, sem consultar seus defensores no Congresso, sem golpistas nas ruas, Jânio Quadros renuncia a presidência da República. Na sua carta fala em “forças ocultas” que queriam tirar-lhe o poder.

O golpe de Jânio de voltar, nos “braços do povo”, com poderes totais, não deu certo. Entrou no navio e foi beber uísque de prima na Inglaterra. Com os direitos políticos cassados pela ditadura militar, eis que Jânio dá mais um golpe de mestre, volta, e se elege prefeito de São Paulo.

Golpe 7: Jânio usou a viagem do seu vice-presidente ao exterior para anunciar a renúncia, reagrupar generais descontentes, e ser convidado pela direita e pela esquerda a voltar à presidência sem contestações e com mais poderes.

images0AAW6VPU Onde estava Jango? Na China comunista. Começou então a mais longa viagem de um presidente da República para assumir o cargo. O parlamentarismo foi aprovado para enfraquecer João Goulart. Mas ele deu a volta por cima e o Presidencialismo voltou.

A crise dos mísseis entre União Soviética x Estados Unidos. Cuba exportando revolução. Focos guerrilheiros na Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia, Venezuela. A Guerra Fria no seu auge, complicada com tropas chinesas na fronteira russa. A direita e a esquerda em luta pelo poder.

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Jango deixou-se levar pelas bravatas “manda brasa nas reformas”, “as massas lideradas por Prestes pegarão em armas”, “os camponeses de Julião (o Stédile da época) se levantarão”, “os estudantes irão para as Ruas, todos defenderão o presidente e as reformas”.

Sem apoio militar, sem sustentação no Congresso, sem espaço e tempo de manobra, Jango não foi para o confronto quando tropas comandadas pelo General Olympio Mourão saíram de Minas para derrubar o governo. O presidente preferiu recuar. Foi para o Uruguai contra a decisão de seu cunhado Leonel Brizola de ficar e lutar. No dia 31 de março/1 de abril de 1964 o golpe militar foi consolidado. Nesse capítulo da Guerra Fria a esquerda perdeu. A direita venceu.

Golpe 8

A candidatura de Fernando Collor de Mello, filho do udenista senador Arnon de Mello, segundo fofoca política, nasceu em torno de um pato laqueado na China. Como Jânio Quadros, Fernando Collor prometia varrer corruptos e marajás do governo federal. O que Paulo Cesar Farias, (o “Vaccari Neto, Delúbio, Valter Cardeal” de Collor) roubou, foi merreca. A decoração da Casa da Dinda, a fonte iluminada na piscina, o Fiat Elba, as despesas da primeira dama, fichinha, em comparação com o roubo nos Correios, nas obras do PAC I e II, na Eletrobrás, na Petrobrás…

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Sem apoio popular, muito bem atacado pela esquerda saudosista, religiosa, mobilizada, festiva, barulhenta; sem sustentação no Congresso; sem dar o braço a torcer e conversar com as raposas do parlamento; Fernando Collor diante do impeachment renunciou a presidência da República (mais ou menos o que Richard Nixon fez nos Estados Unidos).

Houve golpe? Não foi golpe? O jogo foi jogado com regras democráticas. Leis e rituais foram cumpridos. Collor perdeu.

Golpe 9

O golpismo está no ar? Querem tirar Dilma Rousseff da presidência pelas armas? Na marra? O Tribunal de Contas da União e o Supremo Tribunal Eleitoral são ou não instituições sólidas? Suas decisões devem ou não ser aceitas, respeitadas?

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Ouvimos que estamos em “plena democracia”. Se, por corrupção, vereador perde o cargo; se deputado ficha suja perde o mandato; se prefeito, governador, são julgados e condenados pela Lei de Responsabilidade Fiscal e por Improbidade Administrativa; por que presidente da República não pode perder o mandato pelos mesmos crimes, ou outros?

Ninguém deve estar acima da lei.

No jogo democrático Dilma comete erros de Fernando Collor: arrogância, empáfia, desdém. Mas, já começa a “ seduzir” e apelar com o seu lado feminino. Na Rússia, Putin, o esperto KGB Man, faz propaganda comparando Dilma Roussef com Anita Garibaldi. “Dilma heroína brasileira”. Evo Morales da Bolívia e Nicolás Maduro prometem armas contra o golpe.

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O país e o mundo sabem que o “mar de lama” tomou conta do Palácio, da Esplanada dos Ministérios. Os mistérios estão sendo desvendados. Quase todos os grandes atos de corrupção ficando transparentes.

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Com exceção dos Mobilizados, do exército de Stédile (lembrar de Francisco Julião das Ligas Camponesas), dos bem remunerados e fanáticos, Dilma está sem apoio popular, sem plena sustentação no Congresso. E a sua presidência afundando-se em corrupção ativa e passiva.

Sem socialismo, sem capitalismo, no jogo da democracia a brasileira Dilma pode ganhar ou perder. Não há golpismo. O que há é protesto, é reação, é luta, contra a maior onda de corrupção, rapinagem, desmando, incompetência, da história do Brasil.

Trilha sonora:

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