Trilha sonora: Casa de Bamba – Leci Brandão

untitled.pnvodcaPutinkaComprei Putinka a mais nova vodka russa em louvor ao presidente  Putin. Do seu tempo KGB em Moscou. E caviar do Mar Negro. Estão tentando caviar de viveiro. Quero experimentar para ver se presta”.

Na sequencia, e eu já muito à vontade, Maria Helena fecha com chave de diamante de Poxoréu a minha quarta feira cinzenta, cansativa, em seu apartamento na Oscar Freire, Jardins/SP com o DVD Samba Book de Martinho da Vila.

Aí fiz o que sempre faço em ocasiões assim. Desliguei ruídos. Entrei em levitação e passei a palavra para mim mesmo. Não preciso de óculos 3D. A minha retina viso espiritual leva-me para onde eu quiser. Martinho da Vila é contemporâneo de sucesso. Eu desembarcando em Nova York com casacão, botina russa, um dente de ouro e cinquenta dólares. Ele, sendo censurado no primeiro degrau da fama de compositor e cantor. Com o sucesso Pequeno Burguês Martinho se apresentou no Waldorf Astoria, Nova York*. Com ele estavam Chico Buarque e Clara Nunes.

O Samba Book é uma Roda de Bamba. Não fossem as limitações o reproduzia por inteiro na trilha sonora deste RH. Muito difícil escolher uma música para ilustrar a seleção. Músicos e coral com a serenidade de quem é bom no que faz. Elegância de exportação. Interpretes sem guinchos de falso cowboy. Rapaziada que eu não conhecia a confirmar que o samba pode ser branco na poesia e na voz. Mas é negro no coração. Quem me dera ser especialista em música. Conheço e sei do que ouvi, vi, senti e sinto. Não é preciso ir à Espanha para gostar de música espanhola. Milhões nunca viram Elvis Presley, mas o seu embalo, ritmo, voz, contagiam. Música e ritmo nos fisgam forever. Samba é samba. Mas, o samba cozinhado por Martinho da Vila tem, para mim, mais sabor. Por quê? I dont know.

Não tive nenhum músico entre os garimpeiros de minha vida. Nem nos pais biológicos. Nem adotivos. Não cresci ouvindo música de um tio, tia, primo. Mas, menino, eu passava pela janela da professora de piano Maria Pumot, na Rua do Meio, curioso, ouvindo, admirando, aqueles sons. Minha mãe ate que me deixou tomar aulas de piano. Mas, tios e colegas disseram que aprender piano era coisa de viadinho.

imagesCAU1LC1J.jpgsamba bookTentei violão. Dedilhei passagens de Sons de Carrilhões de Dilermando Reis. Passei a sair com boêmios que tocavam violão, cavaquinho. Fiz serenata para namorada no internato do Sagrado Coração de Jesús. “Violão é coisa de arruaceiro, malandro, bêbado”. Quebraram o meu violão. Sem vínculos figadais com música por quê eu gosto do som de sax e trombone? Do baixo em Nikita de Elton John? Da marcação do surdo na cozinha dos sambas de Martinho? I dont know.

Simplesmente gosto. E estou a preparar uns textos sobre a falta de escolas de música com o título O último trombone. Mas, que pode ser O último saxEntre tantos estupros esse da cultura musical do país é um dos mais destruidores. De cinco mil municípios do Brasil em quantos há escolas de música? Em quantos há orquestra e fanfarra?  Há outros sons.

Menos o som que educa, refina, molda cidadão para o bem. Pode haver. Mas é raro um jovem dedicado à música partir para a violência e o crime. Se não pusermos a boca no trombone em poucas décadas a nova geração terá que acessar Google, Wikipédia, para saber o que foi trombone, sax, naipe de piston

O último trombone

Em Casa de Bamba com Leci Brandão lá está Zeca do Trombone. Uma maravilha. Não fossem as limitações de tempo para cada faixa o solo de Zeca deveria durar mais. Foi Jorge Goulart excursionando pela União Soviética quem me ensinou alguns segredos dos metais. Para o mais famoso Carnaval fora do Brasil ele, do Rio, ajudava com os melhores em sopro que estiveram comigo em NY.

Era/é inconcebível carnaval sem trombone. Eu estava sempre correndo atrás de um bom sopro. Muitos que estudavam e trabalhavam nos EE. UU acudiram-me e ajudaram a promover a MPB e o Carnaval do Brasil (Cláudio Roditi, Assis Brasil, Zé do Trombone, maestro Kovarick…).

imagesCA0YCOOGraul do Trombone  img003

Certa vez, faltando algumas semanas para lotar o Waldorf Astoria, mas com a banda não muito bem formada, a cantora Julie Janeiro me salvou: “o Raul de Souza está no México. Convida, manda a passagem. Ele quer vir para Nova York”. Rimou o sonho dele com o meu desejo de ter sempre trombone de prima no mais famoso hotel do mundo.

Quem dera ter eu a experiência literária e musical de Nelson Motta. De críticas como as de Tarik de Souza. O feeling de Luis Nassif. A cultura musical de Mario Morais, Carlos Alberto Miranda, Dayse Gonçalves Abrantes, Ricardo Cravo Albim. Escrever biografias e lançamentos musicais como Ruy Castro.

Mas, lá vai. De fora para dentro. Como foi conhecer a música de Martinho da Vila e o que ela significou, para mim, e para a geração de brasileiros dos anos 70 a 90 que vivia nos EE. UU, principalmente, em Nova York. O tambor do mundo. Percussão da nossa música. A qual divulguei por mais de trinta anos.

O charme, a beleza, o algo mais da mineira.

Gosto dos seis “veteranos” que estão no DVD. O “marceneiro” Paulinho da Viola dá um baile ao interpretar Quem é do mar não enjoa. Chorei ao ver e ouvir Miltinho cantando Foi um rio que passou em minha vida no palco do segundo Dia do Brasil na Rua 46/NY. Mesmo com a divisão de meu estado continuo mato-grossense como Ney que embalou nossos sonhos nova-iorquinos com Secos e Molhados e outros sucessos. Fui vê-lo em teatro da Broadway. Elza Soares busca Madalena como só ela sabe fazer.

Foi uma dentista de BH quem me fez entrar fundo em Meu laiá-raiá. Ao som desse sucesso de MV descobri o charme, a beleza, o algo mais, a sensualidade escondida de uma veneranda filha da Tradicional Família Mineira. Na correria competitiva de Nova York a dentista mineira foi meu povo, meu samba, meu café. Apertei seu peito com beijos nunca dados. O tesão de ambos era tanto que ela desmarcou a passagem quatro vezes. Ao ouvir João Donato me da vontade de ir busca-la em BH.

Vodka, chiorni rilieb, Jair Rodrigues.

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Em Moscou, descobri” Jair Rodrigues. Como entender as voltas que o mundo da na gente? Anos depois eis-me convidando Jair para o Carnaval do Brasil no Waldorf Astoria em Nova York/ O primeiro à esquerda com colegas da Universidade da Amizade entre os Povos ( Patrice Lumumba) na Praça Vermelha. Ao fundo, a catedral de São Basílio em obras.

O sucesso de Jair Rodrigues é anterior ao de Martinho da Vila. Os Festivais da Record. Ele ter gravado hits proibidos de Geraldo Vandré. Em Moscou descobri Jair Rodrigues ouvindo o LP Fino da Bossa, dele com Elis Regina. E de todas as suas gravações uma eu tocava tanto que enchia os ouvidos de todo o apichijite universitário. “Vem chegando a madrugada”.

Estava namorando a mexicana  M. Maldonado. Colocava o alto falante na janela e repetia a música ichio, ichio, ichio raz. Foi tanto que MM aprendeu a cantar ao modo dela: “deixa a neve cair…cai, cai, neve devagar.. deixa seu amor dormir em paz…que uma noite não é nada..não acorda seu amor…Jota  da madrugada..vem chegando a madrugada oi…a neve tá caindo..”. Já em Nova York organizando a celebração do tri campeonato recebi um cartão postal de minha querida MM: “os mexicanos torceram pelo Brasil. Cantei Vem chegando a madrugada. Meu noivo não entendeu nada e por quê? Jota da madrugada com a neve caindo é nosso segredo”. Sensação melhor que essa?

Era como se o Brasil todo estivesse comigo naquela neve e frio. Tomando vodka de rabochi (de garrafa verde sem rótulo) comendo pão preto de trigo puro. Vez em quando um caviar amarelo. Horas e horas a saudade disparando e eu ouvindo Jair Rodrigues.

Seria premonição? A magia da música?  Como entender as voltas que o mundo dá na cabeça e no corpo da gente? Simplesmente unbealivable. Anos depois lá estou eu convidando Jair Rodrigues para abrilhantar o Carnaval do Brasil no mundialmente famoso Waldorf Astoria Hotel.

Pedi que ele levasse terno branco (o pessoal do Soul Music levantou a onda de Love and Peace e cantava de branco. A multidão não queria deixar o Jair sair do palco que ficava com aquela das mãos “deixa que falem…eu não estou fazendo nada…você também”. Paguei multa por estourar o tempo do Sindicato dos Garçons, Eletricistas, Bart Enders. Mas, foi a partir de Jair Rodrigues que consolidei o sucesso do maior e mais famoso Carnaval fora do Brasil durante quinze anos consecutivos. Jair voltou ao Waldorf em 1983. Vi e ouvi o mesmo Cachorrão movendo-se na alegria cadenciada do samba Amor não é brinquedo.

Nunca mais houve Carnaval do Brasil no Grande Ball Room do Waldorf. Ás vezes me dá comichão de voltar e fazer tudo de novo. Com o samba, com a magia e o encanto da música popular brasileira, tudo é possível. È saber ama-la, respeitá-la, promove-la.

 

images.jpgjoão boscoMenina Moça com João Bosco deveria demorar uma meia hora. Zeca da cuíca, beleza pura. Todos pareciam em transe. Eu também alfei numa Jam session. Aquela da mistura caribenha, negra americana, bossa nova, soul, samba. Poucos tiveram/tem o privilégio de se contagiar com esse tipo de embalo musical. João Bosco é meu “veterano” de Nova York. Com Mestre Sala dos mares fazíamos todo mundo ir para a pista de dança no Chateau Madri, Le Directoire, Copacabana, Regine‘s, Tropicália, Ipanema disco, Playlândia, Esmeralda (onde Altemar Dutra morreu). O Brazilian Sunday lotado. Os anos 70 foram excepcionais para a música USA.

Depois dos Beatles, Woodstock, Rolling Stones, dos grupos vocais, houve maravilhosa mixagem e experimentos com ritmos. Salsa, merengue, mambo, tango, milonga, mesclavam-se com soul, blues and rock, bossa nova, samba. Nova York era boa música por todos os lados. O mexicano Santana explodia. O sax de Gato Barbieri atração. A tumbadora de Mongo SantaMaria.  Manhã de Carnaval com Luis Bonfá. Assim falava Zaratrusta de Eumir Deodato era um must  no Studio 54.  Os metais de Ray Barreto. Celia Cruz. Tito Puente. Do Um Romão. Portinho. Airto Moreira. Dom Salvador. Grandes nomes da música USA tinham brasileiros no ritmo.

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Após o show de Bossa Nova no Carnagie Hall em 21 de novembro de 1962 houve um hiato na divulgação de nossa MPB.

A bossa nova ficou mais ou menos confinada entre os experts. Sergio Mendes foi/é o grande baluarte da música brasileira nos EE.UU. Com seus shows em grandes arenas, parques, ele popularizou o Brazilian Beat. E nós, a partir da Rua 46, do Carnaval, com diversos shows o ano inteiro, levamos a MPB para as comunidades. Foram surgindo discotecas. E DJs mixando as bolachas dos últimos lançamentos do samba. Eu vi as irmãs Hemingway em transe dançando Taj Mahal de Jorge Ben. Jaqueline Kennedy na primeira fila dos shows de João Gilberto. Raquel Welch enlouquecida por País Tropical. Os anos 70-90 foram muito bons para a nossa música nos EE. UU e na Europa.

Tem dia que levanto querendo ouvir tumbadoras e pistões cubanos. Salsa colombiana bem prolongada. Spanish Harlem em solo de Herp Albert. The land of make believe de  Chuck Maggione. A tradição brasileira é da supremacia da voz sobre o instrumento. Mas, Martinho pode repicar com esses mestres do Samba Book um DVD Jam session prolongando as músicas e abrindo solo dos metais e percussão. É  para deixar a fumaça entrar. É desafio. É inovador. Mas, o sucesso lá fora será garantido.

 

imagesCAZDYF5O.jpgbatucada fantasJá houve divulgação de música brasileira instrumental. Certa vez, mandei trazer do Rio uns cem LP de Batucada Fantástica I e II. O tamborim, a cuíca, pandeiro, sons mágicos, foram meu talismã de contato que abria portas de escritórios famosos. Ritmos brasileiros são excelentes para sessions bem prolongadas.

Lembro-me de Pedrinho de Victor Assis Brasil. Terra dos Pássaros de Toninho Horta. A quem interessar possa do Trio d’Alma. Asfalto de João Aquino. Tributo a Jacob do Bandolim. Asa Branca do Quinteto Violado, as dançantes de Antônio Carlos/Jocafi.

Nesse quesito sugiro o recém-lançado documentário Paulo Moura, Alma Brasileira.

Samba no pé

imagesCAG1FD8J.jpgdorinajornal   imagesCA4MWN51.jpgantonio nobrega    imagesCAH2XFEW.jpgana e carlinhos   imagesCAQS1PPJ.jpgpassista

Terminando, mas sem querer terminar. Já que “meu destino eu moldei. E dor do passado não me dói” em Filosofia de Vida juro que vi Carlinhos de Jesus, Ana Botafogo, Antonio Nóbrega, Lygia Barreto, ao fundo, fazendo coreografia em passos suaves. Dorina tem molejo especial, passa sensualidade light ao dizer o samba com as mãos, braços, cintura.

Coreografar o samba não somente para os desfiles das Escolas.  Com o Sambalé abrir espaço para excelentes jovens passistas. Fazê-lo conhecido no Brasil. Duvido que nas sofisticadas e elegantes rodas alguém consiga ficar parado com a contagiante e inebriante cadência do samba. O ritmo nacional tem que voltar com força total no exterior. A hora é essa.

Imaginemos coreografia de Sambalé em Fim de Reinado, Grande Amor, Roda Ciranda, Pra tudo se acabar na quarta-feira. Destacando trombone, flauta, clarinete, com ritmo quentíssimo e pianíssimo.  Os argentinos sabem “vender” o ritmo nacional inserindo dançarinos em imagens de tangos famosos. Deveríamos/devemos destacar mais os nossos excelentes passistas. Ana Botafogo, Antônio Nobrega, Carlinhos de Jesus, Anselmo Zolla, e muitos outros, devem ser inseridos na instrumentalização do samba no pé. Mostra-lo no Brasil todo. Fixa-lo no exterior  como convite ao Brasil. Como um dia fizeram/fazem com a voz Carmen Miranda, Leny Eversong, Dick Farney, Tom Jobim, João Gilberto, Sergio Mendes, Vinicius, Toquinho, Maria Creuza, Chico Buarque, Jorge Ben, Martinho, e outros mais.

 

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Sempre penso como lindo é o samba instrumental. Duvido que alguém fique sentado. Vi Rei, Rainha, Presidente, Embaixadores (as) Astros e Estrelas, não resistirem à cadência bem prolongada do nosso ritmo nacional. Very Important People não sabe bulhufas da letra, mas, fica contagiado, inebriado. Entra em transe. E é isso que queremos. Fisgá-los na veia.

Triste e decepcionante ver que o país não faz um revival de Brasilianas. Joga-se tanto dinheiro fora e não se cria uma Companhia Nacional de Ritmos e Músicas Brasileiras. A Disney On Ice faz sucesso mostrando ritmos e danças de várias partes do mundo. E o Brasil rico em tudo isso não consegue vender o melhor do nosso produto musical. Nem sei se estão preparando Brazilian Follies em teatros e casas de shows para a Copa das Confederações, Copa do Mundo. Carlos Machado, Sargentelli, Caribé da Rocha, Ivon Cury, merecem ser relembrados.

Resumo do Samba

Não se deve desistir nunca de preservar, defender, divulgar,* o melhor que a cultura musical do Brasil produziu/produz. È uma luta constante. Mas, vale a pena quando se tem uma obra como o Samba Book de Martinho da Vila que deve estar em TODAS as bibliotecas do país. Nos centros de pesquisa musical. Em horário nobre de TV. Rádios. Internet. É muito bom saber que no samba tem gente nova, afinada, sangue bom. Mas, não é bom saber que o samba  está confinado em algumas cidades desse nosso país-continente.

imagesCA5RXX7A.jpmoyseis marques untitled.pngmaira freitas imagesCAPPWDKO.jpg Pedro Luis tony

Goste ou não de samba. Conheça ou não conheça a imensa obra de Martinho da Vila tenha o Samba Book em sua casa. Um dia vai lhe servir de referencia. De história para filhos e netos. Mas, é um DVD para ser ouvido e saboreado now. Não precisa ser com vodca e caviar como Maria Helena me proporcionou. O Samba Book de Martinho da Vila é forever É para todas as gerações. E MV ainda tem a nos oferecer a sua coletânea de sambas “africanos”, “europeus”.

*Martinho da Vila foi pela primeira vez a Nova York a convite de Benito Romero.

*Acredite se quiser: enviamos e o presidente Barack Obama receberá e ouvirá sim o Samba Book. Essa minha Brazilian Conexion com a Casa Branca é fortíssima.

* Músicas do Samba Book devem ser ouvidas nos aviões que vão e voltam do exterior. Insistimos e conseguimos o melhor da MPB nos aviões da VARIG Rio/Nova York.

* Nos presentes que a presidente Dilma tem que dar a Presidentes e Importantes o cerimonial do Planalto, o Itamaraty, devem incluir o DVD Samba Book de Martinho da Vila. É a cara do Brasil bom, bonito, musical. Do Brasil verdadeiramente carinhoso.

* Um excelente presente para alguém que está no exterior. Já enviei vários.

* Isto aqui não é Merchadising. É porque o Brasil precisa promover e divulgar música de qualidade. No exterior, sempre fomos admirados pelos nossos ritmos. 

 


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Trilha sonora II: Pequeno Burguês – Zeca Baleiro

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