
No verão norte-americano de 1970 eu torcia para ser aprovado na Princeton University, instituição de cientistas famosos, de inovadores, criadores. E fui aceito. A universidade me daria o curso, ou Mestrado em Direito Internacional. Mas, eu teria que bancar habitação e comida. Ou ir de New York ao campus.
Saí no segundo tempo. Não tinha de onde tirar dinheiro para pagar onde dormir, onde comer, me vestir, comprar livros…
A Copa do Mundo da minha segunda vida
Todos temos um turn point na vida. Dizemos, depois do acidente: “vivi de novo”. Ao ficar livre do alcoolismo ou das drogas: “sinto que renasci”. Ao se livrar de pessoa que nos asfixia: “vou começar tudo de novo”.

Dos 13 aos 25 anos, fui um rapaz latino-americano sem dinheiro no bolso. Sem conhecer pai, mãe, tios, avós. Leitor de jornal e literatura comunista. Cedo, saí da teoria para a prática, criando Grêmio e Associação de secundaristas, participando de Congresso Estudantil. Indo ao campo criar sindicato rural e Liga Camponesa. ( Discursando em Encontro Latino Americano)
A trajetória me credenciou a uma bolsa de estudos na universidade Patrice Lumumba, criada por Nikita Kruschev em homenagem ao jovem primeiro ministro do Congo, assassinado.
Com diploma de Direito Internacional fui tentar a ONU em New York

1. Estudantes brasileiros com o Reitor da Universidade. 2. Formandos celebrando. 3. Jota Alves, Orador da turma. 4. Jantar com o embaixador Henrique Rodrigues Vale, Moscou.
Fui falar com Araújo Castro, embaixador do Brasil junto às Nações Unidas. Entreguei a carta de Henrique Rodrigues Valle, embaixador em Moscou. Sorrisos, cafezinho.
Quando falei em um emprego/trabalho na Missão, ou na ONU, o embaixador amarelou. Embaixadas, consulados, Representações Comerciais, contratavam, sim, temporariamente.
Araújo Castro foi embaixador de João Goulart em Washington. Tido como diplomata liberal, não queria ficar sujo com a ditadura militar, empregando um “olho de Moscou”. E lá se foram o rango e a cama do meu sonho universitário no campus que abrigou Einstein.
Brasil, tri campeão
No Madison Square Garden, de shows, luta de box, basquetebol, vôlei, aconteceu a primeira transmissão de um jogo de futebol, via satélite.
Arena lotada. A maioria, de italianos. Os latinos, torcendo pelo Brasil, em decisão que acontecia no México. A torcida brasileira, pequena. Com aquele petardo de Carlos Alberto, numa enfiada genial de Pelé, a Itália saiu de campo, derrotada. E eu, entrei, vencedor.
Milhares gritando: Viva Brasil, Viva Brasil.

Apareceu uma bandeira verde amarela. Veio a Polícia Montada, especializada em acabar tumultos. Transito parado nas ruas 34/35 e no entorno. Buzinaço!
Comigo estavam: Tania, Vânia, Mara, BH, Maria das Graças, Morena do Rio. Eu disse: “Não deixem nos dispersar. Vamos de passeata a rua 46” (ainda não era a famosa Little Brazil. Tínhamos um restaurante, um salão de beleza, uma butique, uma agencia de venda de passagens).
Morena do Rio tirou a bermuda, ficou de aza- delta. A camiseta de BH, toda molhada, com os biquinhos lindos.
O tenente vidrou. Desceu do cavalo. Mara foi conversar: “essa multidão é de paz. E não vai sair daqui tão cedo. O Brasil ganhou a Copa do Mundo. O senhor pode nos escoltar a rua 46.
E o inacreditável aconteceu. Um punhado de brasileiros guiando a multidão com a proteção da famosa Polícia Montada de New York.
E foi então, que ouvi o “estalo de Vieira”: o Brasil é o Caminho. É a Luz. Aí, fui à luta e surgiram:


O Clube Brasileiro de Viagem. Brazilian Promotion Center. Mercado Brasil. Aulas de português com sotaque brasileiro. Jornal The Brasilians. Carnaval do Brasil no famoso Waldorf Astoria Hotel e o Brazilian Day, o maior festival brasileiro no mundo. ( Jota Alves recebe Edward Koch no palco do Brazilian Day. 2. O prefeito de New York com o jornal The Brasilians).
Por ter respeitado e honrado o nome e a imagem do Brasil: tudo que criei e promovi, deu certo.
A Copa do Brasil Tri Campeão, iniciou a minha segunda vida.
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Trilha sonora: